Nos dias de hoje, é cada vez mais demarcada a procura por um corpo “esteticamente perfeito”, onde diversas pessoas testam dietas e regimes alimentares de múltiplas características, na esperança de atingir um novo nível de bem-estar ou desempenho físico, como é o caso dos atletas.

Os atletas que se regem por esta procura acabam, em determinadas circunstâncias, por colocar em risco a sua saúde no percurso que o leva à ascensão do seu esperado objetivo, ultrapassando os limites não só nas suas necessidades alimentares, mas também nos exercícios físicos.

10 formas de obter proteínas sem comer carne
10 formas de obter proteínas sem comer carne
Ver artigo

A alimentação de um atleta é diferenciada dos outros indivíduos, na medida em que estes dispõem de um gasto energético relativamente superior e de necessidades de macro e micro nutrientes modeladas ao tipo, intensidade e duração da prática desportiva.

A alimentação desempenha, desta forma, um papel fulcral na performance desportiva e no aumento de massa muscular, porém, ainda permanece a dúvida sobre se uma alimentação equilibrada e de qualidade, sem recorrer a suplementação, será suficiente para atingir as necessidades nutricionais dos desportistas, especialmente em atletas de competição.   

Os atletas acreditam que a ingestão de proteína adicional aumenta a força e melhora o desempenho, mas estudos comprovam o contrário, observando-se que a pequena quantidade de proteína necessária para o desenvolvimento muscular durante o treino é facilmente atingida através de uma alimentação equilibrada, sem necessitar de recorrer a suplementos.

Para este grupo de pessoas interessadas em aumentar a massa muscular, quer sejam atletas profissionais ou não, existe muitas vezes a perceção de uma necessidade proteica intensamente aumentada, podendo chegar a situações em que o consumo atinge valores compreendidos entre 2,5 a 3,5 g de proteína por quilograma de peso corporal por dia e em que grande parte é ingerida na forma de suplementos.

O objetivo de um atleta de endurance, do ponto de vista proteico, será ingerir uma quantidade suficiente de proteína, que assegure a síntese e regeneração proteicas que decorrem do próprio treino e, compensar a perda de leucina (um aminoácido essencial que é oxidado em quantidades apreciáveis durante exercícios de endurance). As recomendações de ingestão diária de proteína, para um atleta de endurance, são de 1,2 a 2,0 g de proteína/kg de peso corporal, sendo estas recomendações superiores aos valores da população em geral, 0,8 a 1,0 g/kg/dia.

De uma forma sintetizada, os objetivos da ingestão proteica são:

  • Reparar e substituir proteínas danificadas pelo exercício físico ao nível do músculo-esquelético, ossos, tendões e ligamentos;
  • Manter uma função ótima de todas as vias metabólicas que utilizam aminoácidos;
  • Permitir o aumento da massa muscular, através da síntese proteica;
  • Permitir melhorar a função do sistema imunitário;   

É importante referir que as recomendações de ingestão proteica em atletas conseguem, de uma forma geral, ser atingidas exclusivamente através da alimentação, ou seja, sem o uso de suplementos de proteínas ou aminoácidos. Devido à elevada ingestão proteica dos praticantes de desporto, muitas vezes de forma indiscriminada e sem acompanhamento por parte de profissionais de saúde, o possível impacto deste comportamento na saúde dos atletas tem sido alvo de estudo, sobretudo ao nível da massa óssea e da função renal.

A ingestão excessiva de proteína pode levar a:

  • Um aumento de produção de ureia, resultando numa maior necessidade de ingestão de água para a sua excreção pela urina
  • Problemas renais e hepáticos
  • Osteoporose
  • Cálculos renais

Proteína e treino muscular: 7 mitos desfeitos por uma nutricionista
Proteína e treino muscular: 7 mitos desfeitos por uma nutricionista
Ver artigo

Desta forma, antes de adquirir qualquer suplemento é importante considerar os objetivos da prática desportiva, o seu estado de saúde, as exigências da modalidade e o custo-benefício do uso de suplementação. Sobretudo, é importante aconselhar-se com um profissional especializado em nutrição desportiva, que terá em conta todos estes fatores e delineará um plano alimentar adequado aos seus objetivos, sem comprometer o seu estado de saúde e avaliando a necessidade ou não de recorrer a suplementação nutricional.

É de realçar que uma dieta equilibrada e variada com as quantidades adequadas de macronutrientes e micronutrientes é, em muitos casos, suficiente para suprir as necessidades nutricionais, garantir um organismo saudável e um bom desempenho físico.

Um artigo escrito pela nutricionista Ana Rita Lopes, coordenadora da Unidade de Nutrição Clínica do Hospital Lusíadas Lisboa.

Newsletter

Receba o melhor do SAPO Lifestyle diariamente no seu email.

Notificações

Os temas mais inspiradores e atuais estão nas notificações do SAPO Lifestyle.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.