Estas alterações têm invariavelmente impacto na forma como a pessoa é capaz de levar a cabo as atividades de vida diária, como se relaciona com os outros e consigo própria. É, por isso, uma doença altamente desafiante, não só para quem dela padece, mas também para todas as pessoas que se encontram ao seu redor.

Muitas vezes, os sinais começam a aparecer sem que ninguém os detete. Associamos as falhas de memória e cognitivas ao cansaço e não vamos dando o devido valor. Até que, começam a ser cada vez mais frequentes e, obrigatoriamente, surge a necessidade de pedir ajuda e de nos confrontarmos com um cenário do qual, quase todos, temos medo e nos queremos afastar.

À medida que a doença avança, aquilo que se torna mais doloroso são as falhas de memória, a confusão e a labilidade emocional. É doloroso para a pessoa que, de repente, oscila entre períodos de lucidez e períodos de extrema confusão mental. Mas, muitas vezes, é ainda mais difícil para a família, que, aos poucos, vai-se sentindo a ‘perder’ a pessoa que sempre conheceu, principalmente, quando a pessoa deixa de reconhecer a mulher ou marido, os filhos ou os netos, por exemplo.

E é nesta ausência de ‘saberem quem somos’, que nos deparamos com a dor maior e com a sensação de que estamos um bocadinho em luto, em luto da pessoa que outrora conhecemos, mas que já não parece ser a mesma e que já não nos reconhece.

Quem vive diretamente com alguém com Alzheimer é constantemente testado, vê os seus níveis de tolerância dia após dia, colocados à prova e, por isso mesmo, regra geral, torna-se altamente resiliente e forte. Neste cenário, o maior dos desafios é, mesmo que a pessoa pergunte dez vezes a mesma coisa, sermos capazes de continuar a responder com o mesmo calor na voz e com o mesmo ‘colo’.

A verdade é que muitas vezes, nos estados mais severos da doença, lidar com alguém que já não sabe quem somos, que já não sabe quem é, é muito semelhante a fazer um luto em vida. Assim, nunca nos podemos esquecer, que viver ou cuidar de alguém com Alzheimer, será sempre um desafio que só com doses elevadas de amor e tolerância pode ser ultrapassado.

Amor, não só pela pessoa que padece da doença, mas também por nós, na medida em que só ao respeitar o tempo que precisamos para dar sentido às nossas emoções e cuidarmos de nós, garantimos a energia necessária para, com carinho, conseguirmos também cuidar do outro.

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