Mais de um quinto dos portugueses (22,9%) sofre de uma perturbação mental. Portugal é, aliás, o segundo país da Europa com a mais elevada prevalência de perturbações psiquiátricas que resultam em alterações de pensamento, emoções e comportamento, sendo apenas ultrapassado pela Irlanda do Norte (23,1%), segundo o Estudo Epidemiológico Nacional de Saúde Mental de 2013.

É fundamental encarar os problemas de saúde mental de forma idêntica às doenças físicas. Ambas têm causas concretas e exigem cuidados e tratamentos que possibilitem a recuperação e o regresso à vida normal. Contudo, as perturbações mentais lidam ainda com um estigma no qual se atribuem rótulos negativos que podem levar ao isolamento dos doentes em relação às outras pessoas.

A importância da socialização

É um facto que as relações sociais, em termos de quantidade e qualidade, afetam a saúde mental, o comportamento saudável, a saúde física e o risco de mortalidade. Manter relacionamentos próximos e positivos pode dar a cada pessoa um propósito e um sentimento de pertença. Essas relações de qualidade ajudam a viver vidas mais longas e felizes, reduzindo a probabilidade de desenvolver problemas de saúde mental.

A solidão e o isolamento, por seu lado, têm consequências graves na saúde mental. A falta de bons relacionamentos e os sentimentos de solidão estão associados, a longo prazo, a uma menor satisfação com a vida e a maiores taxas de mortalidade.

A socialização pode, por isso, ter efeitos sobre a saúde em geral através da melhoria da saúde mental, uma vez que reduz o impacto do stress e promove o sentido de pertença. É, por isso, fundamental na prevenção e no tratamento de perturbações mentais.

Quando pedir ajuda

Ao longo da vida, as pessoas são inevitavelmente afetadas por situações emocionais relevantes e muitas vezes é o corpo quem dá o sinal. Nem sempre é fácil interpretar estes avisos. São poucas as pessoas que têm consciência de que a causa dos seus sintomas podem ser emocionais.

Um transtorno emocional pode manifestar-se através de vários sintomas, nomeadamente físicos, como diarreia, transpiração, cansaço e problemas de pele. Há comportamentos e sintomas que interferem no quotidiano que também podem revelar perturbações mentais: sensação de não pertencer a nenhum lugar (não se sentir integrado na sociedade), desinteresse pelas coisas que se gostava de fazer, dificuldades de relacionamento, traumas, tristeza, angústia, medo, dúvida.

Quando o grau ou a duração do sofrimento emocional são sentidos como excessivos é importante recorrer a um profissional de saúde, de preferência com competência psicoterapêutica.

É possível encontrar ajuda junto do Serviço Nacional de Saúde – através dos Centros de Saúde ou das Unidades de Saúde Familiar – ou da linha Saúde 24 (808 24 24 24). Também se pode optar por consultar diretamente um Psicólogo ou um Psiquiatra.

Existem ainda associações que estão disponíveis para prestar apoio por via telefónica, inclusive de forma anónima:

SOS Voz Amiga
213 544 545 ou 912 802 669

Vozes Amigas de Esperança de Portugal
222 030 707

Telefone da Amizade
228 323 535

Voz de Apoio
225 506 070

Artigo Médis, validado pela Drª Alice Bordalo, Especialista em Psicologia Clínica e da Saúde e Psicoterapeuta

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