A vida sexual acaba na menopausa, diziam os antigos. "Havia a ideia de que a mulher já não tinha utilidade, porque se a função sexual existia para a procriação, com a menopausa, o sexo já não era justificável. Para as mulheres que não tinham satisfação sexual, até podia servir de desculpa para não terem de responder às necessidades masculinas. As coisas mudaram, o sexo tem a ver com o prazer", refere Marta Crawford, sexóloga.

"Percebeu-se que há alterações nas hormonas femininas e da testosterona, mas isso não quer dizer que seja o fim", sublinha a especialista. É precisamente o facto de não poder engravidar que faz com que muitas mulheres vejam um lado libertador na menopausa. O fim da contraceção e da preocupação constante com uma gravidez indesejada. Mas, que impacto tem a quebra hormonal na sexualidade?

A principal é a secura vaginal, uma alteração das mucosas (que afeta também os olhos ou a boca) que, na zona genital, favorece o aparecimento de infeções e prejudica a relação sexual. Pode também ocorrer uma atrofia genital, devido à falta de estrogénios nos tecidos do epitélio vaginal. As mulheres que recorrem à terapêutica hormonal de substituição por aconselhamento médico, têm estes problemas, à partida, resolvidos.

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Para as restantes, há tratamentos tópicos a prescrever pelo ginecologista. Como defende Tereza Paula, médica ginecologista, "a falta de estrogénios na mucosa vaginal tem consequências na saúde [secura, infeções vaginais e urinárias, incontinência e alterações sexuais figuram entre as mais comuns] e mesmo quem não tem atividade sexual deve manter uma terapia local vaginal [em comprimido ou creme]. É um ritual a adotar, tal como pôr creme do rosto para hidratar". A libido é outra das áreas em risco na menopausa, devido às alterações no desejo e excitação sexual.

Apesar do impacto da perda hormonal, esta "depende, muitas vezes, do enquadramento em que a mulher está [relacionamento e tipo de sexualidade] mais do que a própria menopausa", afirma Marta Crawford. Por outro lado, na fase inicial de redução dos estrogénios e da progesterona, "há um período em que a testosterona está mais evidente e pode haver um acréscimo de desejo", sublinha ainda a especialista.

O imperativo de assumir a mudança

Numa fase como esta, a atitude é determinante. "Para além das mudanças fisiológicas que vão ter impacto anatómico, mas também psicológico, é a forma como a mulher perceciona a vida e resolve os problemas que terá maior ou menor impacto. Aceitar as mudanças e adaptar-se é crucial para que a ansiedade seja menor", afirma Lígia Catão, psicóloga. Cada mulher é única e a sua reação por vezes diverge.

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Muitas das vezes, depende da "forma como lidou com a sua primeira menstruação", sublinha a especialista. "No fundo, como lida com a sua saúde em geral", esclarece ainda. Convém não esquecer que agora, mais do que nunca, o estilo de vida dita o seu bem-estar. Uma dieta equilibrada e exercício físico regular, por exemplo, permite manter o peso estável e reduzir o risco cardiovascular e de outras patologias como a diabetes, a hipertensão, a ingestão de cálcio e o exercício previnem a osteoporose, cujo risco aumenta nesta idade. E nem os sintomas escapam.

"A sintomatologia aumenta quando estão stressadas, quando fumam e/ou quando estão mais cansadas por não dormirem o suficiente", refere Tereza Paula. Na intimidade, adaptar é a palavra de ordem e o apoio mútuo é vital, como também defendem outros especialistas. Para Marta Crawford, "os homens têm de perceber que não é só ela que muda. Esta equação vale para os dois. Há alterações profundas no casal".

"O homem tem de ser parceiro e companheiro na verdadeira aceção da palavra", adverte a também autora de livros especializados como "Viver o sexo com prazer - Guia da sexualidade feminina". "Estar presente, entender e, juntos, tentarem encontrar a melhor solução. Ser acompanhado por um ginecologista ou recorrer a terapia sexual pode ajudar a identificar e superar algumas dificuldades", acrescenta ainda.

O momento certo para pedir ajuda

Nos últimos anos, têm sido muitos os especialistas a refletir sobre este processo de mudança feminino. Na divulgação de novas guidelines para a menopausa, em novembro de 2015, o organismo britânico National Institute for Care and Health Excelence (NICE) defendeu que nenhuma mulher deve sofrer em silêncio e apontou como primeira recomendação informar sobre as soluções para superar esta etapa.

Para além da terapêutica hormonal de substituição, indicada para sintomas como os afrontamentos e os suores noturnos em mulheres sem contraindicações, como referem muitos especialistas, existem inúmeras soluções que ajudam a viver melhor. Técnicas de relaxamento ou de respiração podem ajudar a lidar com os calores ou mudanças de humor. A prática de exercício físico combate o stresse.

Como exemplifica Lígia Catão, "a meditação, o ioga e o mindfulness são muito importantes, pois são práticas que, para além de nos levarem a um bem-estar físico e psicoemocional, reduzindo a ansiedade e stresse, fazem parte, também, de uma filosofia de vida". Em consulta, pode recorrer-se a "várias técnicas", como "a hipnose, para fomentar a autoestima, melhorar os hábitos de saúde em geral e a promoção social".

As técnicas de relaxamento, "para reduzir a ansiedade", são outra das propostas de profissionais como Lígia Catalão. "E a terapia sexual, para fomentar uma melhor saúde sexual, quer da mulher quer do casal", ilustra ainda. Encarar a menopausa com uma atitude positiva passa por ser proativa na busca de explicações e soluções. Desenvolver uma relação franca e sem tabus com o seu médico é essencial.

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