Muitas vezes, algumas das ideias que desenvolvemos e das crenças que adquirimos como certas, estão, afinal, erradas e longe de corresponder aos resultados dos estudos científicos. Quanto à hidratação do nosso organismo, também existem vários mitos que urgem ser desmistificados para que possa então fazer as opções mais saudáveis. O Instituto de Hidratação e Saúde preparou  uma lista dos setes mitos mais comuns.

Ideias pré-concebidas que pairam na cabeça de muitos e que condicionam fortemente as escolhas diárias e que, a médio ou longo prazo, põe em risco a saúde de cada um, como também alertam muitos especialistas, nacionais e internacionais. Descubra, de seguida, a resposta a muitas perguntas e interrogações que também podem ser as suas.

1. O gás presente nas bebidas interfere na hidratação?

Não. Existe o mito que, principalmente em épocas de temperaturas elevadas, que estas bebidas devem ser evitadas. No entanto, está demonstrado que o gás não interfere na absorção pelo organismo da água contida na bebida, assim como não influencia substancialmente a taxa de excreção de água. Existem várias bebidas não calóricas com gás no mercado, águas gasosas naturais, águas gaseificadas e refrigerantes com gás.

A presença de gás nas bebidas, excluindo as águas gasosas naturais, consegue-se a partir da adição de dióxido de carbono (CO2). Quando misturado numa bebida e esta consumida, o CO2 produz em muitas pessoas sensações que são agradáveis ao nível do gosto e demais experiência organoléptica da bebida. As bebidas com e sem gás têm, sensivelmente, a mesma proporção de água, pelo que a sua relevância é semelhante.

É comum a ideia, principalmente em épocas de temperaturas elevadas, que bebidas com gás devem ser evitadas porque não servem para hidratar. Estudos realizados em atletas de alta competição, que estão mais expostos aos riscos de desidratação, revelaram que o consumo de bebidas carbonatadas não influencia a excreção de eletrólitos nem a quantidade de líquidos ingerida, não tendo efeito ao nível do esvaziamento gástrico.

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Para além disso, não causam sensação de desconforto gastrointestinal nem influenciam a performance do atleta. Muitas destas bebidas são consumidas pelo prazer que proporcionam e, em épocas de muito calor, mas também noutras, são utilizadas também para refrescar.

Esta forma de consumo pode ser vantajosa, uma vez que permite a hidratação voluntária sem que haja sede, alertam muitos especialistas.

Dada a variedade de bebidas que existe atualmente no mercado, com rótulos que informam acerca da sua composição, o consumidor pode escolher a bebida que mais se adequa às suas necessidades e ao estilo de vida, considerando o seu sabor, a presença ou não de gás e também outras características da bebida, nomeadamente a presença ou não de açúcar, o seu valor calórico ou até, ainda, o seu preço.

2. As bebidas com adoçantes não calóricos/edulcorantes também hidratam?

Sim. Não existe nenhuma razão fisiológica para que os edulcorantes, adicionados individualmente ou em combinação, reduzam a capacidade de hidratação das bebidas a que são adicionados. Não há evidências científicas que levem a esperar qualquer efeito negativo na hidratação ou na saúde, como resultado do consumo dos edulcorantes, desde que consumidos por pessoas saudáveis e em quantidades normais.

 3. As bebidas com cafeína também hidratam?

Sim. O consumo de bebidas com cafeína não tem efeitos adversos na hidratação, desde que o seu consumo não ultrapasse as 300 miligramas por dia, o equivalente a três bicas ou seis colas. A partir deste nível, pode haver um aumento de produção de urina, embora isto aconteça em maior grau em indivíduos que não estão habituados ao seu consumo. Quem consome cafeína regularmente, desenvolve alguma tolerância a estes efeitos.

4. As bebidas com açúcar também hidratam?

Sim. As bebidas com açúcares têm cerca de 90% a 95% do seu peso constituído por água. A água das bebidas com açúcares ou com outros constituintes, como as vitaminas, os edulcorantes e/ou a cafeína, é praticamente toda absorvida. A mesma quantidade de água é igualmente bem absorvida, quer a bebida os contenha ou não. Desta forma, as bebidas com açúcar hidratam o organismo da mesma forma que bebidas sem açúcar.

5. As necessidades hídricas das pessoas são semelhantes?

Não. As necessidades hídricas variam com o sexo, a idade, o estado de saúde e também em função de uma série de fatores e de condições externas, como a alimentação, a temperatura ambiental e a altitude. Em consequência do aumento da temperatura ambiente, aumenta a perda de água por transpiração e diminui a perda de calor por contacto direto da pele com o ar, como alertam muitos especialistas.

Quanto mais elevada for a humidade e a temperatura, maior será a quantidade de suor produzida. Em climas quentes, húmidos e sem vento, o organismo perde mais água, devendo a hidratação ser assegurada. De igual modo, com o aumento da temperatura corporal, em caso de febre, aumenta a sudorese, logo há também maior necessidade de ingestão de líquidos de forma a desfavorecer a desidratação.

A falta de concentração pode dever-se à falta de água no organismo? Mitos e factos sobre a hidratação

No que se refere à alimentação, quando é muito rica em sal, por exemplo, aumenta a concentração de sódio no líquido extracelular o que faz aumentar a necessidade de água. A percentagem de água corporal diminui ainda com a idade, em parte porque ao envelhecimento se associa um aumento da percentagem de massa gorda total. As crianças têm necessidades de água maiores que as dos adultos.

Essa necessidade é calculada em função dos quilos de massa corporal do organismo, uma vez que têm maior percentagem de água corporal. Nas mulheres, há uma tendência natural para um maior teor de gordura que nos homens, logo a percentagem de água corporal total nas mulheres é menor, sendo a necessidade de água também menor que nos homens, como confirmaram vários estudos internacionais.

A atividade física, outro dos fatores a ter em conta, provoca perdas de água através de dois mecanismos. Um deles, muito comum, é o aumento da temperatura corporal e, com essa alteração, o consequente aumento da evaporação de água do suor à superfície da pele. A segunda, também bastante habitual, prende-se com o aumento da perda de água pela respiração, como sublinham vários especialistas.

6. A falta de concentração pode dever-se a falta de água no organismo?

Sim. De facto, uma desidratação continuada tem efeitos no organismo, a médio e a longo prazo. Vários trabalhos que testaram sujeitos em estado de desidratação observaram que, para além da fadiga, se registaram várias alterações de algumas funções cognitivas, nomeadamente na diminuição da capacidade de atenção, na diminuição da capacidade de memória a curto termo e no aumento do número de erros na perceção visual.

Várias investigações internacionais acrescentam ainda à lista outros problemas que podem estar a ser causados por uma nutrição deficiente e que podem estar a afetar a sua produtividade laboral, como é o caso do aumento do tempo para a tomada de decisão e da diminuição na eficácia da resolução de problemas de aritmética. Uma informação que também é defendida por vários especialistas.

7. A perda de água no organismo só acontece durante a atividade física?

Não. Estamos continuamente a perder água do organismo, o que vem reforçar a necessidade de uma hidratação correta, mesmo durante as alturas em que não estamos a praticar desporto e até mesmo em momentos em que não nos hidratamos porque não temos sede e porque não nos estamos a mexer. Existem quatro formas pelas quais perdemos água, a urina, as fezes, as perdas insensíveis e a sudorese.

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