Regra geral, quando nos abastecemos de produtos alimentares, damos apenas atenção à designação do que pretendemos adquirir, ignorando, frequentemente, o conteúdo dos rótulos dos artigos alimentares que compramos.

De facto, na maior parte dos casos, ao adquirirmos, por exemplo uma maionese, uma sobremesa instantânea, uma refeição pré-cozinhada, enchidos, ou até refrigerantes, estamos a comprar produtos que incluem, na sua composição, aditivos (genericamente designados por E), cuja função desconhecemos muitas vezes.

O que são e para que servem estes aditivos? 

Tratam-se, de facto, de substâncias de origem natural ou sintética, na maior parte dos casos sem valor nutricional apreciável, que são adicionadas aos alimentos em pequenas quantidades durante o seu acondicionamento ou fabrico industrial, tendo em vista um determinado objetivo: aumentar a durabilidade do produto ou melhorar o seu aspeto, sabor ou estrutura.

Consoante a função que desempenham esses aditivos podem dividir-se em diversas categorias: corante, conservante, antioxidante, corrector de pH, estabilizante, emulsionante, gelificante, edulcorante, aromatizante, etc.

Apesar de serem utilizados em quantidades muito pequenas a sua utilização não é, por vezes, pacífica devido a vários motivos.

Desde logo, alguns deles, ao permitirem melhorar o aspecto final do produto, podem, por vezes, mascarar uma falta de qualidade das matérias-primas utilizadas no seu fabrico ou mesmo do processo em si. Se há alguns, como por exemplo as lecitinas (E322) que facilitam a homogeneização de um produto e são perfeitamente aceitáveis, outros há que não serão tão insuspeitos. 

É por exemplo o caso dos nitritos (E249 e E250) e nitratos (E251 e E252), classificados como conservantes e que permitem manter a cor vermelha das carnes e enchidos. De facto, sabe-se que eles dão origem à formação de nitrosaminas no estômago, quando em presença das proteínas da própria carne e, embora as quantidades de aditivos sejam regulamentadas e muito pequenas, essas nitrosaminas são agentes cancerígenos.

Também alguns corantes sintéticos, como por exemplo o E102 (tartrazina para corar de amarelo), frequentemente usados em pudins instantâneos, guloseimas, gelados e outros alimentos são, potencialmente, agentes alergizantes em indivíduos mais sensíveis, como pode ser o caso das crianças. Aliás, na maior parte dos casos, o uso de corantes não é indispensável, embora existam alguns que não são prejudiciais à saúde: as clorofilas (E140 que dão cor verde aos legumes congelados) e os caroteneróides (E160 utilizado na alimentação dos salmões de viveiro que se encontram à venda nas nossas praças).

Existe legislação que regulamenta os aditivos permitidos em cada uma das categorias de alimentos. Aparentemente, esta intenção de manter a saúde pública devia ser suficiente, mas na realidade há casos onde nem todos estão de acordo quanto à inocuidade dos chamados Es. Para além disto, o controlo da quantidade dos aditivos é difícil, bem como avaliar a suscetibilidade de cada consumidor aos mesmos, principalmente no que respeita às alergias e/ou danos a longo prazo.

Da próxima vez que for ao supermercado, ou pegar num refrigerante ou gelado preferido repare nos ingredientes do rótulo. Pelo sim, pelo não prefira o mais natural, até porque no tempo das nossas avós elas não usavam na cozinha quaisquer Es. O facto de um arroz doce ter uma cor mais amarelada, não significa, desde logo, que seja mais gostoso e nutritivo do que um arroz doce com uma cor mais pálida.

É que a saúde e os Es nem sempre se conjugam da melhor forma.

Por Pedro Lôbo do Vale, Médico Especialista em Medicina Geral e Familiar e consultor da Associação Portuguesa da Alimentação Racional e Suplementos Alimentares