O coronavírus é um importante agente patogénico de infeções respiratórias, sendo responsável por um terço de todas as infeções respiratórias altas, sobretudo na altura de inverno, e provavelmente desempenha igualmente um importante papel nas infeções mais severas.

Este novo vírus detetado na China é uma nova mutação de coronavírus e já provocou vários casos de pneumonia, com óbitos e muitas comorbilidades, à semelhança do que já acontece com os vírus da gripe.

As grandes epidemias que surgiram na China
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Relativamente à transmissão, o depósito natural do coronavírus são os pássaros, mamíferos em geral, e morcegos. Existem pelo menos cinco serotipos deste vírus que afetam o ser humano. A transmissão de animais para seres humanos, à semelhança do vírus influenza / gripe, acontece sobretudo com mutações dos vírus existentes, adquirindo a capacidade de infetar e propagar-se no ser humano.

Neste serotipo específico, a transmissão animal-humano ainda não foi provada laboratorialmente. Já a transmissão entre seres humanos acontece como na maioria dos vírus respiratório:  por contacto direto com secreções infetadas ou por inalação de partículas infetadas libertadas pela respiração.

Segundo as informações da Organização Mundial de Saúde (OMS), existem centenas de casos confirmados de infeção com este novo serotipo de coronavírus, a sua maioria na China. Este provoca uma infeção respiratória das vias aéreas superiores, podendo causar nos casos mais graves uma pneumonia viral com um quadro do síndrome de dificuldade respiratória aguda semelhante ao dos surtos registados anteriormente.

Sintomas mais comuns

Os sintomas mais comuns são semelhantes aos de uma gripe, como febre, tosse, falta de ar e dificuldade respiratória.

Nos casos mais graves podemos ter sintomas semelhantes ao de uma pneumonia com confusão mental, cianose e mal-estar geral.

As recomendações gerais da OMS para estas situações incluem a lavagem regular e desinfeção das mãos, sobretudo nos cuidadores, e tapar a boca e nariz aquando tosse ou espirro.

Cronologia da expansão do novo coronavírus descoberto na China
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Ainda é muito cedo para dizer que vai ser uma epidemia semelhante ao surto da gripe A, uma vez que estamos numa fase inicial deste surto e a OMS ainda não lançou até à data de hoje qualquer alerta ou restrição ao nível de viagens.

Recomendações

O estado português vai ter de implementar medidas de acordo com as informações e medidas da OMS e Direção-Geral de Saúde (DGS), mantendo-se para já na expectativa dos futuros desenvolvimentos. Existe já um comunicado da DGS que relembra os cuidados a ter nesta altura:

  1. Evitar contato próximo com pessoas que sofram de infeções respiratórias agudas;
  2. Lavar frequentemente as mãos, especialmente após contato direto com pessoas doentes;
  3. Evitar contacto com animais;
  4. Adotar medidas de etiqueta respiratória: tapar o nariz e boca quando espirrar ou tossir (com lenço de papel ou com o braço, nunca com as mãos; deitar o lenço de papel no lixo);
  5. Lavar as mãos sempre que se assoar, espirrar ou tossir;
  6. Se os viajantes com estadia em Wuhan apresentarem sintomas sugestivos de doença respiratória, durante ou após a viagem, deverão procurar atendimento médico, informando-o sobre a sua história de viagem.

Um artigo do médico Vítor Oliveira Fonseca, coordenador do Serviço de Pneumologia do Hospital de Cascais.

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