A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera que o novo vírus da pneumonia ainda não é uma emergência global de saúde pública por falta de evidência científica. O comité de emergência da OMS esteve reunido em Genebra a propósito do novo surto de coronavírus na China. Numa altura em que já estão confirmados mais de 500 casos de uma pneumonia viral - 17 deles mortais - o comité adiou para quinta-feira uma nova avaliação sobre o caso, altura em que poderá ou não decretar "emergência global de saúde pública".

De acordo com a OMS, uma emergência global de saúde pública define-se como "uma situação excepcional que é determinada por constituir um risco público de saúde para outros Estados devido à transmissão internacional da doença e por, potencialmente, necessitar de uma resposta coordenada a nível internacional".

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O Comité de Emergência da OMS, formado por especialistas de diversos países, incluindo epidemiologistas chineses, fez ainda saber que internamente há ainda posições dissonantes na organização no que toca à decisão de declarar o surto na China uma emergência global de saúde pública, indicou o presidente do órgão de peritos, Didier Houssin.

A emergência de saúde pública internacional supõe a adoção de medidas preventivas a nível mundial e foi declarada para as epidemias da gripe H1N1, em 2009, dos vírus Zika, em 2016, do Ébola, que atingiu uma parte da África Ocidental, de 2014 a 2016, e a República Democrática do Congo, desde 2018, e do pólio, em 2014.

Os dados mais recentes sobre o número de vítimas foram avançados pelas autoridades de Wuhan, cidade do centro da China de onde o surto é originário. A Comissão Nacional de Saúde do país asiático alertou hoje que o novo tipo de coronavírus "pode sofrer mutações e espalhar-se mais facilmente".

O vírus - que ainda não tem nome e para o qual é usada a designação "2019 – nCoV" - foi inicialmente detetado no mês passado, naquela cidade de 11 milhões que é um importante centro de transporte doméstico e internacional.

O Governo em Lisboa alertou hoje os portugueses que viajem para a China e zonas próximas que se informem sobre a evolução de um novo vírus detetado naquele país e recomendou a turistas e residentes que se registem ou inscrevam no consulado.

“Aos viajantes, em especial aos que se desloquem à China e regiões limítrofes, recomenda-se que estejam devidamente informados sobre a evolução da situação e permaneçam atentos aos comunicados publicados nos portais da Direção-Geral da Saúde, do Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças e da Organização Mundial da Saúde”, avisa o Ministério dos Negócios Estrangeiros através do portal das comunidades portuguesas.

O Governo aconselha ainda os viajantes “a efetuar o registo das suas viagens na aplicação Registo Viajante” e os residentes a tratar da “sua inscrição consular ou respetiva atualização”.

O Centro Europeu de Controlo de Doenças (CECD) classificou como moderada a probabilidade de importação para a Europa de casos do novo vírus detetado na China. 

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Milhões de passageiros em viagem na China

O surto surge numa altura em que milhões de chineses viajam, por ocasião do Ano Novo Lunar, a principal festa das famílias chinesas, equivalente ao Natal nos países ocidentais. Segundo o ministério dos Transportes chinês, dever-se-ão registar um total de três mil milhões de viagens internas durante os próximos 40 dias.

Os casos alimentaram receios sobre uma potencial epidemia, semelhante à da pneumonia atípica, ou Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS), que entre 2002 e 2003 matou 650 pessoas na China continental e em Hong Kong.

As autoridades de saúde anunciaram medidas para conter a doença, incluindo desinfeção dos sistemas de ventilação de aeroportos, estações e centros comerciais.

"Se for necessário, serão também realizados controlos de temperatura em áreas-chave e locais movimentados", esclareceu a Comissão, em comunicado.

Fora da China, foram confirmados casos do novo coronavírus entre viajantes chineses na Coreia do Sul, Japão, Tailândia, Taiwan e Estados Unidos, todos também oriundos de Wuhan.

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Vários países com ligações aéreas diretas ou indiretas a Wuhan estão a efetuar verificações sistemáticas de passageiros de voos oriundos de áreas consideradas de risco.

Em Macau, as autoridades anunciaram que vão verificar individualmente os passageiros provenientes de Wuhan, "por via aérea, marítima ou terrestre".

O que são coronavírus?

São uma larga família de vírus que vivem noutros animais (por exemplo, aves, morcegos, pequenos mamíferos) e que no ser humano normalmente causam doenças respiratórias, desde uma comum constipação até a casos mais graves, como pneumonias. Os coronavírus podem transmitir-se entre animais e pessoas. A maioria das estirpes de coronavírus circulam entre animais e não chegam sequer a infetar seres humanos. Aliás, até agora, apenas seis estirpes de coronavírus entre os milhares existentes é que passaram a barreira das espécies e atingiram pessoas. Veja o vídeo explicativo:

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