Segundo Aristóteles, “nós somos o que repetidamente fazemos. A excelência, então, não é um ato, mas um hábito”. 

Tendo em conta que o conceito de “rotina” remete para um conjunto de hábitos que definem o nosso dia-a-dia e que persistem, ao longo do tempo, pelo bem-estar proporcionado, surge então a questão: qual a importância das rotinas para a saúde mental?

Como principais benefícios, destacam-se os seguintes:

  1. Uma maior sensação de estrutura, de previsibilidade, de controlo e, por sua vez, de segurança – pilares basilares para a saúde mental do ser humano, dado que reduz os níveis de stress do quotidiano.
  2. Uma maior liberdade diária, dada a gestão do tempo tendencialmente mais eficaz e rigorosa, o que facilita a manutenção de uma rotina de auto-cuidado (exercício físico, meditação, “fazer algo novo todos os dias”) sem sentimentos de culpa.
  3. Uma tendência a ter níveis mais elevados de produtividade e criatividade.
  4. Uma maior sensação de “paz interior”, o que reduz a sensação de “estar perdido”, “não ser suficiente” ou de “viver em piloto automático”.
  5. Um menor risco de predominar a procrastinação, o que alimenta a sensação de autoeficácia (um elemento importante para a autoestima). 

Perante tamanhos benefícios e inevitável proximidade do novo ano de 2023, podemos sentir-nos motivados para estabelecer novas rotinas ou, por oposição, eliminar velhos hábitos que são mantidos somente pelo conforto e familiaridade, apesar de não contribuírem para o bem-estar (e, na verdade, serem parte do que limita o desenvolvimento pessoal e a mudança).

Por sua vez, como segunda grande questão: como criar hábitos e rotinas positivas para a saúde mental? Também aqui existem sugestões que dão resposta a esta pergunta, concretamente: 

  1. Ser consistente e persistente: os hábitos nascem, exatamente, através da repetição do comportamento (até que este se torna automático). 
  2. Ser tolerante com as nossas frustrações, pois é importante respeitar o nosso tempo e espaço para a mudança. 
  3. Focar nos ganhos diários da “nova rotina”. 
  4. Fazer um plano diário e realista das tarefas, em função do tempo despendido em cada uma dela (se for um plano irrealista, vai apenas alimentar a sensação de falha e facilitar momentos de autocrítica).
  5. Praticar o reforço positivo, ou seja, praticar o autoelogio ou “dar um prémio” a nós próprios por estarmos a conseguir cumprir com o plano. 

Sente-se preparado(a) para a mudança? Pode ser importante recorrer a ajuda especializada para explorar as dificuldades que limitam a motivação para a mudança, definir um plano de desenvolvimento pessoal altamente individualizado e alcançar um maior auto-conhecimento. 

Por vezes, a mudança é lenta (ou não corresponde ao timing irrealista que antecipadamente definimos para a mesma), mas o mais importante é a solidez, estrutura e riqueza das aprendizagens inerentes ao processo de crescimento. 

Segundo a teoria de Maxwell Maltz, investigador americano e autor da Psicocibernética (um sistema construído para aumentar a auto-confiança e promover o sucesso do ser humano), desenvolvida já em meados dos anos 60, o cérebro necessita de cerca de 21 dias para um determinado comportamento ser integrado como um hábito. No entanto, estudos publicados ao longo dos últimos anos, apontam para uma média mais elevada, nomeadamente de 66 dias. 

Naturalmente que os números anteriores são apenas uma média, dado o processo estar sempre dependente das características individuais de cada um: antecedentes, motivação, persistência, papel ativo para a mudança. 

Vamos a isto? Peça ajuda, não se encontra sozinho(a)! 

As explicações são de Sofia Gabriel e Mauro Paulino da MIND | Instituto de Psicologia Clínica e Forense. 

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