Podemos compreender e relacionar-nos com o que os nossos cônjuges, amigos ou família estão a sentir ao rotular as suas experiências emocionais. Se alguém está a sorrir, rotulamo-los geralmente como felizes. Se estiverem a chorar, podemos rotular como tristes.

Este reconhecimento do que uma pessoa pode estar a sentir é a forma como aprendemos a empatia, ou seja, a capacidade de adotar a perspetiva de outra pessoa.

A empatia pode assumir diferentes formas, com objetivos específicos:

  1. Empatia emocional, que significa ser capaz de ligar à realidade emocional de outra pessoa. É um processo que envolve os neurónios-espelho, sentimentos e até mesmo respostas físicas;
  2. Empatia cognitiva, que envolve usar os seus processos intelectuais e cognitivos para compreender como uma pessoa se sente e porque razão se sente dessa forma;
  3. Empatia compassiva, que vai além da simples compreensão dos sentimentos e implica não só compreender como a outra pessoa se sente (e porquê), mas também tentar fazer algo para a ajudar.

Algumas pessoas são muito competentes no que diz respeito à empatia cognitiva e à capacidade de "ler" as emoções das outras pessoas. E isto pode ser tanto positivo como negativo. Por um lado, é um passo importante para nos relacionarmos com os sentimentos dos outros, no entanto, algumas pessoas que recorrem à empatia cognitiva podem usá-la para seu próprio benefício.

A maior diferença entre as duas é que com a empatia emocional as ações, palavras e sentimentos de uma pessoa estão todos alinhados. Com a empatia cognitiva, as palavras estão lá, mas o seu comportamento pode ser inconsistente e as suas emoções estão desligadas. É aqui que a empatia cognitiva tem as suas limitações.

Talvez já tenha ouvido alguém dizer "compreendo o que está a sentir", uma frase típica da empatia cognitiva. Compreender o que uma pessoa está a sentir é basicamente rotulá-la, mas sem realmente se relacionar com ela. O lado negro da empatia é onde as pessoas colocam as máscaras e fingem a empatia emocional de modo a fazer parecer que estão realmente a sentir o que aparentam estar a sentir, ou que estão emocionalmente envolvidas. No entanto, aqui carece a empatia emocional autêntica e a preocupação legítima com o outro.

A área das ciências psicológicas tem debatido a forma como algumas pessoas empregam a empatia cognitiva para satisfazer as suas próprias necessidades com pouca consideração pelas pessoas afetadas no processo. As investigações sugerem que quanto mais elevados forem os níveis de grandiosidade, manipulação ou impulsividade, menor será a empatia emocional de uma pessoa.

Como saber se alguém está a fazer uso da empatia cognitiva ou emocional?

A empatia emocional não se resume apenas a compreender ou rotular o que alguém pode estar a sentir ou a experimentar, mas é o ato de saltar para o seu mundo e experienciar as coisas do seu ponto de vista. Inclui não julgar e ser suficientemente vulnerável para partilhar as experiências de uma pessoa e as emoções vividas.

Pessoas que recorrem à empatia cognitiva não estão muito preocupados com a forma como o seu comportamento afeta os outros. Podem ver as relações como tendo uma data de expiração, ou podem não ter qualquer preocupação emocional com os sentimentos de outra pessoa ou como o seu comportamento afetou essa pessoa. Podem ter o hábito de rejeitar os sentimentos de terceiros ou de culpar alguém a fim de racionalizar o seu próprio comportamento.

Adicionalmente, pessoas com pouca empatia emocional podem “intelectualizar” problemas com carga emocional. Por exemplo, se disser ao seu amigo que a sua namorada o deixou, podem tentar sugerir que se inscreva num ginásio ou que arranje outra namorada. Quando as situações são intelectualizadas, é muitas vezes porque a pessoa se sente desconfortável ao lidar com sentimentos emocionalmente vulneráveis.

É possível desenvolver a empatia emocional?

Para desenvolver empatia emocional é imprescindível a prática, ou seja, a vida. Uma das formas de a cultivar consiste em trabalhar os nossos sentimentos, procurando a aceitação das nossas próprias experiências. Em alternativa, dar-nos permissão para sentir o que estamos a sentir pode também ser parte integrante disso. Por exemplo, pessoas que cresceram num ambiente que as constrangia por se sentirem tristes ou solitárias podem realmente debater-se com sentimentos vulneráveis quando estão sozinhas. Podem experimentar vergonha de sentir o que sentem, ou podem tentar preencher o vazio da solidão a fim de evitar ter de sentir estas emoções.

A procura do equilíbrio da empatia emocional é tão importante como ter empatia emocional nas nossas relações mais próximas. Não ter empatia suficiente significa que pode não estar consciente das suas próprias emoções ou não estar em contacto com elas, bem como não reconhecer as emoções e sentimentos dos outros. Ter demasiada empatia emocional pode aumentar o risco de se tornar co-dependente e de colocar as necessidades e sentimentos de todos os outros à frente dos nossos.

Embora a empatia desempenhe um papel importante nas nossas relações interpessoais, inclusive íntimas, ela está num continuum em que os extremos trazem maiores dificuldades. Procurar um equilíbrio é a escolha mais saudável.

As explicações são de Mauro Paulino e Rodrigo Dumas-Diniz da MIND – Psicologia Clínica e Forense.

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