Vida a três

Como ultrapassar as dúvidas e os receios que surgem com a chegada de um bebé

Um bebé pode ser muito desejado mas a sua chegada nem sempre é pacífica.

«Mudou tudo. Deixei de ter tempo para mim, deixei de pensar em mim e no meu marido», confessa Elsa.

 

«Sabia que ia acontecer uma alteração na nossa vida mas nunca imaginei que fosse tão intensa. Há quem acredite que os bebés salvam casamentos. No meu caso destruiu-o», revela a contabilista de trinta e cinco anos, uma década após o nascimento do seu primeiro filho. Desejado, imaginado e ansiosamente aguardado, o bebé marca o início de uma viagem sem precedentes, cheia de surpresas, momentos bons e outros mais difíceis de ultrapassar.

Apesar dos livros ou dicas dos familiares o impacto na rotina de um casal é muito diverso e impossível de prever com exatidão. De acordo com a revista Veja, a par da chegada do bebé, noventa e dois por cento dos pais afirmam ter mais conflitos e vinte por cento chegam mesmo a separar-se antes deste completar o segundo ano de vida.

Planear, partilhar e gerir sentimentos e tarefas são formas de entrar nesta nova fase com o pé direito. Com Maria de Jesus Correia, psicóloga clínica, aprenda a superar e a tirar o melhor partido desta prova de vida, para toda a vida.

Grande impacto

A chegada do bebé provoca uma reviravolta total na vida de um casal. Tudo passa a girar em torno das exigências do recém-chegado.  «É preciso ter a noção de que a vida vai mudar e que temos de aceitar o que ela trouxer de novo. É fundamental ter disponibilidade para receber as diferenças e as alterações que o bebé vai impor na vida da família. E o desejo. Quanto mais desejado é um filho mais disponível está o casal para a mudança», realça a especialista.

Se é importante que um casal forme uma equipa, há que ter também em conta que a adaptação é também condicionada pelas características da própria relação. O êxito da operação está nas mãos de ambos.

«O movimento tem de ser a par e no par. Por um lado a mulher tem de aceitar a participação do homem sem sentir uma perda de privilégios, por outro o homem tem de encarar isso sem perda de masculinidade», refere. Definir, previamente, com o parceiro as tarefas que cada um pode executar e, por exemplo, alternar as idas ao quarto o bebé à noite ou as visitas ao médico, ajuda a equilibrar os papéis.

Apesar da partilha de funções no casal, não se deve excluir a hipótese de ajuda externa. Criar uma rede de apoio familiar ou social, que auxilie nas tarefas domésticas ou a tratar do bebé é importante. Deixe os super-heróis para a BD.

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