Na minha consulta de psicologia ao/à adolescente, muitos/as pais/mães trazem a impulsividade como uma característica do/a filho/a. Esta característica confere aos jovens dificuldades de controlo, de planos e de objetivos, assim como na tomada de decisões. É uma fase crítica, porque já vivenciam parte de decisões que requerem planeamento, ponderação e embora o apoio da família seja primordial, necessitam ser encorajados/as a antecipar os riscos e os benefícios dos seus comportamentos que são o reflexo dos seus atos.

A impulsividade é caracterizada por um comportamento marcado por reações rápidas e sem planeamento e, deste modo, não existe a oportunidade de antecipação das consequências.

Pensar antes de agir implica estar mais consciente dos seus sentimentos e comportamentos e percecionar a diferença entre estes. Por exemplo, sentir raiva não tem que resultar em bater, existem outras opções para esta emoção. No entanto, muitos/as adolescentes não distinguem emoção e comportamento.

O/a adolescente atribui imenso valor ao momento presente. É importante não recusar um convite para sair com os amigos agora e depois pensar nos trabalhos escolares, que só serão entregues no dia seguinte. Um convite de amigos, um telefonema, uma resposta a uma mensagem parece ser sempre o mais emergente.

A adolescência é um período de intensa impulsividade e procura de sensações imediatas que podem resultar em decisões precipitadas. Mas este modo de ação irrefletido e impulsivo trata-se de um processo neurobiológico de adaptação que é fundamental para “construir” o cérebro através destas experiências novas. O autocontrolo apreendido ao longo da adolescência e idade jovem adulta resulta deste processo.

Os comportamentos mais visíveis na adolescência, como a reatividade emocional e a sensibilidade à influência de pares, parecem, também, ser um reflexo da maturação cerebral (que se encontra incompleta nesta fase de desenvolvimento do ser humano).

Mas este fator não implica, apenas, decisões desequilibradas ou reações exageradas. O acontecimento desta maturação cerebral durante a adolescência representa uma fase de oportunidades para o desenvolvimento de novas competências.

Estar atento ao/à adolescente e compreender este processo pode minimizar os conflitos na família. O diálogo familiar pode auxiliar na regulação das emoções destes/as jovens e traduzir aprendizagens de estratégias de autocontrolo. A implementação em família de momentos de círculo familiar pode ajudar o/a adolescente a reavaliar situações comportamentais de impulsividade ou reatividade emocional desajustada e estabelecer um perfil adaptativo das experiências emocionais vivenciadas com autorregulação.

Escutar o que sentem é muito importante.

Sandra Helena - Psicóloga e Psicoterapeuta

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