São muitas vezes designadas por ervas daninhas ou apresentadas como flora espontânea. Muitas crescem apenas em locais específicos, procurando tirar partido dos terrenos onde nasceram. Também apelidadas de plantas indicadoras, estão são variedades botânicas que fornecem a jardineiros e agricultores informações muito utéis sobre aspetos edafoclimáticos das regiões onde se desenvolvem, revelando pistas que se podem vir a revelar muitos utéis. Será que tem algum destes espécimenes por perto?

1. Urtiga

Os solos com excesso de azoto, deficientes em cobre mas ricos em húmus, com uma terra muito solta e ligeiramente ácida, são os mais apreciados pelos exemplares de Urtica urens que nascem expontâneamente. No caso de se deparar com urtigas na sua propriedade, o mais provável é o terreno em que crescem apresentar estas características. Esta erva daninha tem aplicações medicinais e também há quem a use como adubo e inseticida e até na alimentação.

2. Consolda-maior

Usada com fins medicinais em tinturas ou por via tópica para aliviar contusões, distensões musculares, distensões ligamentares e luxações, escolhe, habitualmente, solos ricos em azoto, frescos e moderadamente húmidos, arejados e soltos. A Symphytum officinale, como os cientistas a batizaram, também é conhecida por atrair polinizadores como as abelhas.

3. Grama

Serve apenas para pasto e para relvados. A Cynodon dactylon prefere tradicionalmente solos siliciosos e compactos com um pH baixo. Como planta muito invasiva que é, elimina do solo a humidade, alguns dos nutrientes e até o oxigénio. Causa, também, impactos na saúde, já que o seu pólen causa alergias e febre dos fenos aos mais sensíveis.

4. Junça

A Cyperus rotundus, como é designada cientificamente, surge em solos muito ácidos e adensados, onde o oxigénio rareia. Muitos deles apresentam-se temporariamente encharcados e evidenciam deficiência de magnésio. Se tem junça a crescer naturalmente na sua propriedade, terá de os fertilizar para suprimir essa carência. Rica em propriedades alelopáticas, esta variedade botânica prejudica o desenvolvimento de outras plantas que se encontrem perto dela.

5. Língua-de-vaca

Também conhecida popularmente por labaça e cientificamente por Rumex obtusifolius, a língua-de-vaca gosta de solos muito húmidos, argilosos e compactados, mas também pode aparecer em solos com excesso de nitrogénio, pelo que é importante ter esse fator em conta. Na culinária, é servida em saladas ou cozida em água temperada de sal. Também tem propriedades medicinais.

6. Morangueiro-selvagem

É amante de solos ácidos, com uma terra bem estruturada e tendencialmente húmida. Estudos científicos desenvolvidos nas últimas décadas comprovam que o extrato de folhas de morangueiro-silvestre, em especial uma fração purificada que dele é extraída, rica em elagitanina, apresenta um elevado potencial no combate a infeções provocadas por Helicobacter pylori, uma bactéria associada a múltiplas patologias gástricas e alguns tipos de cancro do estômago. Os frutos do Fragaria vesca podem ser consumidos.

7. Musgo

Solos húmidos e zonas sombrias são, por norma, os eleitos da Bryophyta sensu stricto. Esta planta, muito utilizada para compôr o presépio por altura das festas natalícias, combate a erosão do solo e mantém a humidade dos ecossistemas. Serve também de habitat a múltiplas espécies animais, sendo muitos os insetos que gostam de o ter por perto.

8. Tanchagem

Também conhecida popularmente por corrijó, erva-de-ovelha, psílio ou erva-pulgueira, a Plantago major, o nome científico da tanchagem, prefere solos compactados, pouco arejados e argilosos. Se a tem por perto, há fortes probabilidades de o seu terreno ter estas características. De uso medicinal, é também muito apreciada na culinária. As suas folhas são ricas em cálcio, em potássio e em vitaminas e (outros) minerais essenciais.

9. Trevo

O Trifolium spp, como os cientistas o batizaram, aprecia solos pobres em azoto e na maioria dos nutrientes, mas, ainda assim, com uma presença de fósforo. Bom para usar como adubo verde, já que se trata, na realidade, de uma leguminosa, o trevo atrai abelhas e serve de alimentação aos animais de quinta, uma funcionalidade que herdou de tempos antigos. Pode, no entanto, hospedar pulgão-negro.

10. Carqueja

A Baccharis trímera, nome científico que lhe atribuíram, é uma planta muito utilizada na culinária e na medicina natural. Habita, por norma, em solos compactos e com boa humidade, mas pobres em molibdénio e na maioria dos minerais, um fator a ter em conta no caso de decidir utilizar os terrenos onde cresce expontâneamente para outras variedades botânicas. Nalgumas regiões do país, a carqueja é usada para fazer licores caseiros.

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