O estudo teve como principais objetivos perceber “a percentagem de mulheres portuguesas que já teria sido alvo de ‘body shaming’, quais seriam as consequências em termos comportamentais e em termos de autoestima desse comportamento”, disse hoje à agência Lusa a psicóloga Filipa Jardim da Silva.

A maioria das mulheres afetadas por ‘body shaming’ (68%), uma forma de agressão que envolve criticar ou humilhar alguém através de comentários negativos e depreciativos acerca do corpo ou aparência física, tem um perfil menos jovem, com idades entre os 35 e os 54 anos.

Segundo o inquérito “Dove – Body Shaming”, que decorreu em janeiro e envolveu uma amostra de 316 mulheres maiores de 18 anos, 76% das críticas ou insultos foram praticados pessoalmente por conhecidos ou amigos, 56% por familiares. Apenas em 8% foram praticados nas redes sociais.

“Estes resultados remetem-nos para esta generalização de como o nosso corpo e a nossa imagem se tornou um tópico que muitas vezes não conhece fronteiras, em que as pessoas perderam muitas vezes o discernimento do que é um comentário que têm legitimidade de fazer e um comentário que não tem legitimidade de fazer, porque entra no espetro da identidade e da individualidade do outro”, sublinhou a psicóloga.

Destacou ainda as consequências que “um comentário totalmente depreciativo, nefasto, tóxico” pode ter e que se reflete nos comportamentos adotados: 67% das inquiridas escondem o seu corpo através de roupas mais largas ou mais escuras, 58% adotaram planos alimentares restritivos e 47% alteraram a sua rotina de cuidados de cosmética.

Apesar de ter um lado bom, disse Filipa Jardim da Silva, “o que percebemos é que, no fundo, o catalisador para esta mudança vem de fora, vem de um querer agradar ao outro ou de não querer ser alvo de comentários depreciativos, o que acaba por ser uma motivação não muito saudável”.

Estes comportamentos vão criando efeitos nefastos em termos de autoestima: 66% das inquiridas confirmaram este efeito e 34% assumem que já fizeram ‘body shaming’ a outras mulheres.

“Muitas vezes isto são padrões de defesa também automáticos que nós acabamos por assumir”, frisou.

Segundo a psicóloga, há uma pressão crescente em relação à imagem física das mulheres, tendo-se vindo a perder até o respeito pelo envelhecimento da mulher.

“A pressão para a juventude eterna” convida a uma “anulação das rugas, ao não assumir os cabelos brancos a um corpo sempre bastante tonificado e modelado” e a uma maneira de vestir mais jovem.

“Mesmo momentos da vida da mulher como, por exemplo, a gravidez o pós-parto, que há alguns anos eram mais respeitados, entraram também neste espetro da pressão”, observou.

A maior parte dos comentários depreciativos acaba por incidir sobre o peso (68,2%), a forma de vestir (23,4%), o “rabo grande” (19,4%), o peito grande (15,4%), e a cara (14,9%).

“Os dados mais positivos que retiramos é que um quarto da amostra assume que gosta do corpo tal como é, e 21% das mulheres que sofrem ‘body shaming’ referem que não se sentem impactadas negativamente por estes comentários depreciativos”, salientou.

A psicóloga deixa como mensagem principal “aprender a respeitar e a desenvolver uma relação mais saudável com o nosso corpo e também de respeito com o corpo dos outros”.

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