Acaba de inaugurar a sua nova clínica Dermage, no mesmo prédio onde trabalhou nos últimos anos, no Centro de Lisboa, para proporcionar aos seus doentes mais conforto e bem-estar. Apaixonada pela medicina, Alexandra Osório é uma pioneira. A dermatologia estética avançada só lhe dá prazer.

Nunca teve dúvidas de que queria ser médica?
Não. Entrei para medicina por paixão porque desde pequenina que queria ser médica. Claro que tinha outras paixões, e, hoje, olho para trás, e acho que tinha tudo a ver comigo: ginástica, trave olímpica, tapete, dança…

Fazia essas modalidades onde?
No Liceu Francês Charles le Pierre. Tínhamos campeonatos entre as escolas internacionais, daí puxarem imenso por nós e pela nossa capacidade de perseverança, de luta e de sermos cada vez melhores.

Ainda hoje faz ginástica?
Faço. Estive alguns anos parada, mas agora tenho um PT duas vezes por semana que puxa por mim para me sentir em forma e com mais capacidade física para aguentar. Quanto injeto e faço laser fico com os músculos descompensados e é preciso fazer exercício físico. Estou o dia todo de pé numa posição que não é a mais adequada.

O que fez quando acabou o curso de Medicina?
Fiz dois anos de estágio em que percorri todas as especialidades. Cada estágio que fazia deixava-me apaixonada. O único estágio por que não me apaixonei foi o de medicina geral porque achei que intelectualmente era pouco e me ia cansar!

Começou a fazer tudo mais cedo do que o normal?
Sou prima de um grande cirurgião, o Prof. Diamantino Lopes, da Faculdade de Medicina de Lisboa, e ele pediu à equipa dele que me desse formação a partir dos 21 anos. E foi assim que ainda aluna de medicina ia fazer bancos à cirurgia e ficava com eles a operar até às cinco ou seis da manhã. Durante esse período também tive contacto com a pequena cirurgia e conheci de perto os colegas da cirurgia plástica, nomeadamente a Laura Tarouca.

Que a convidou a trabalhar com ela...
Era tão miúda que achei que não estava à altura e recusei. Ainda há dias lhe recordei este episódio e ela lamentou que não tivéssemos trabalhado juntas…

Como é que vai parar à dermatologia?
Antes de fazer o exame para a especialidade fiz um estágio de dermatologia e conheci Miguel Correia, uma pessoa que me influenciou imenso, porque ele foi um dos primeiros cirurgiões da dermatologia em Portugal com uma perspetiva cirúrgica avançadíssima. Como gostava muito de cirurgia geral e coisas manuais, quando ele me mostrou que a dermatologia tinha aquelas coisas todas que eu conhecia e também a vertente cirúrgica, achei que era uma boa escolha para mim.

Mas não escolheu logo dermatologia?
Era muito nova e a paixão pela cirurgia falou mais alto. Ainda tinha uma visão romântica da medicina e fui pelo coração. No último minuto acabei por escolher cirurgia geral. Empenhei-me fortemente e dediquei três anos da minha vida à cirurgia, só que, em termos físicos é uma especialidade violentíssima, e isso coincidiu com o momento em que comecei a trabalhar com um cirurgião plástico na privada.

Aí sentiu o apelo da estética?
Descobri que a estética e a dermatologia diziam-me mais e voltei atrás ciente de que o meu caminho seria definitivamente pela dermatologia cirúrgica e pela dermatologia estética avançada. Fui aos Estados Unidos e constatei, de facto, aquilo que o Miguel Correia me dizia, que o caminho na dermatologia em Portugal estava completamente aberto e que eu podia fazer aquilo que eu quisesse.

O que é a dermatologia estética avançada?
São todas as técnicas que permitem o rejuvenescimento facial e corporal sem cirurgia. Dá-me muito prazer pegar numa cara e tirar-lhe o ar cansado, abrir-lhe o olhar, redesenhar a boca, criar novamente o sorriso, de forma a tirar cinco a dez anos àquela pessoa.

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E recorre a quê?
À toxina botulínica, ácido hialurónico, cavitações, radiofrequência, peelings, laser, produtos para estimular a produção de colagénio e elastina. Considero a pele um órgão vivo, e, se eu a estimular, ela responde-me.

Qual foi o seu primeiro hospital?
Quando terminei a minha especialidade em dermatologia fui colocada a uns quilómetros de Lisboa onde me puseram a introduzir ficheiros clínicos no computador. E aquele hospital tinha uma lista enorme de doentes para operar…

Deve ter sido uma desilusão enorme?
Meti uma licença sem vencimento e fui para Espanha tirar o mestrado em dermatologia estética e ver o que Espanha faz. Foi este crescimento durante dois anos que me permitiu começar com muitas armas.

Começou a trabalhar como dermatologista onde?
Nas clínicas de dermatologistas muito conhecidos, nomeadamente, Dr. Luís Leite, Manuela Cochito e Fernando Guerra, até que a seguir fui procurar um espaço só meu e vim para a António Augusto de Aguiar para o mesmo prédio mas noutro andar. Isto porque eu queria investir em bons equipamentos, em protocolos e em produtos, mas, quando se está a começar, não é possível porque é um grande investimento, e a minha estratégia foi criar uma pequena empresa dentro de outra empresa, e por isso instalei-me dentro de outra clínica.

Já era a Dermage?
Era mas dentro de outra clínica. Aí cresci, criei protocolos, entrei no “Dr. Preciso de Ajuda” com casos fantásticos, uma fase muito bonita, que também me permitiu testar muitos protocolos que eu tinha em mente e fui comprando as máquinas, até que a certa altura já estava muito apertada no andar de baixo e decidi ocupar um andar inteiro só para mim.

Quantos metros ocupa a nova clínica?
Tinha 40 metros e agora tenho 320 metros quadrados!

É o investimento da sua vida?
É um dos investimentos porque não vou parar por aqui...

A crise não a assusta?
Assusta mas eu continuo a trabalhar. Para já não penso nisso e não tenho medo, sabe porquê? Porque eu não sei só fazer isto, e se houver algum azar, converto isto noutra coisa ou vou trabalhar noutro ramo qualquer. Tirei outros cursos, não tenho só medicina.

É mais procurada para os tratamentos da cara ou do corpo?
As duas coisas. Apesar de ter começado pela cara.

Os homens vêm em que percentagem?
Pouquíssima e tenho muita pena porque eu posso fazer muita coisa pelos homens de uma forma que ninguém percebe.

E a sua vida pessoal, casou-se, tem filhos?
Fiz tudo: estudei muito, dediquei-me à profissão, casei-me, dediquei-me ao casamento, tive uma filha maravilhosa que tem agora 12 anos e me acompanha, mas, neste momento, estou divorciada.

Sobra tempo para a sua filha?
Sobra. Costumo dizer que a minha filha é mesmo para mim. Temos de investir nas crianças desde o início e tive o cuidado de a preparar para a vida que eu ia ter. Ou seja, ela tem de entender a mãe que tem para gostar de mim. Digo-lhe muitas vezes que a amo profundamente, apesar de a minha razão de viver não ser só ela, também é a minha profissão e dar-me aos outros.

Gostava que ela fosse médica?
Nunca disse à minha filha que ela tinha de ser médica. Quando ela me pergunta, digo-lhe que ela tem de encontrar a profissão no coração. E tem de ser uma coisa que ela ame profundamente.

Qual é a sua principal característica?
Sou divertida e bem disposta.

O que a diverte?
Como gosto muito do ser humano, gosto de descobrir pessoas que tenham vidas completamente diferentes da minha, que me contem a sua história e me façam mergulhar noutros mundos.

O que não gosta mesmo nada?
De frio e de estar cansada.

O melhor programa para fazer com a sua filha?
Um desporto radical.

O melhor da vida é o quê?
O amor.

 

 

Palmira Correia

 

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