Ter relações sexuais numa fase de ansiedade e nervosismo é o mesmo que pedir ao cérebro concentração extra para realizar várias tarefas simultaneamente. "É quase como se tivesse dois concorrentes pelo mesmo sistema neurológico", referiu o psiquiatra Abby Altman em entrevista a um órgão de informação norte-americano, explicando que a ansiedade e a atividade sexual recorrem às mesmas funções do sistema nervoso, o que acaba por gerar uma situação de nervosismo acrescida.

De acordo com um estudo publicado no Journal of Sexual Medicine, um dos problemas sexuais mais recorrentes entre os casais é a ansiedade de desempenho sexual. Nos homens, este problema contribui para a ejaculação precoce e, nas mulheres, é uma das principais causas para o fraco desejo sexual. Se, em pleno ato sexual, os batimentos fortes e a respiração ofegante não são sinais de um possível clímax à vista, é muito provável que sofra de ansiedade de desempenho sexual.

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A origem do problema nem sempre é fácil de identificar. "A ansiedade interfere na resposta sexual e impede que se sinta prazer, pois está-se focado em preocupações, medos e receios de que o sexo não seja bom ou suficientemente satisfatório", refere a sexóloga Joana Almeida. Nesta situação, aquilo em pensamos durante o ato sexual tem uma importância fundamental para que "se entregue a boas sensações ou, por outro lado, a vários medos, como o de falhar ou de não conseguir satisfazer a outra pessoa", adianta a especialista. A sexóloga Vera Ribeiro concorda.

A especialista, autora do livro "Manual de sedução - Jogos sensuais, técnicas e tudo o que precisa para ter mais prazer", publicado pela Manuscrito Editora, corrobora esta afirmação. Em muitos casos, estamos perante um bloqueio psicológico interno. "As expetativas que criamos em relação ao que o outro espera de nós gera ansiedade, o que promove, em algumas situações, uma preocupação excessiva sobre a forma como nos devemos comportar no ato sexual", defende a sexóloga.

Da dificuldade de lubrificação à ejaculação precoce

A ansiedade de desempenho pode fazer com que uma pessoa, independentemente do sexo, não consiga atingir o orgasmo. Dependendo de cada contexto, "a ansiedade pode variar entre um friozinho na barriga a um ataque pânico", explica Vera Ribeiro. É, todavia, frequente que as mulheres, nesta situação, "tenham dificuldades na lubrificação e dor na penetração, porque o estar ansiosa significa estar contraída e, por essa razão, pode não conseguir ter uma relação sexual prazerosa", refere.

Já nos homens, este tipo de ansiedade é mais visível e pode manifestar-se de várias formas, mas "principalmente por disfunção erétil e ejaculação precoce, devido à preocupação excessiva do seu próprio desempenho, estimulando o cérebro a pensar em tudo, menos no prazer e no ato sexual", esclarece Vera Ribeiro. Por essa razão, "uma das queixas mais frequentes é a ausência de ereção", revela a especialista. A importância da autoestima assume, também aqui, uma relevância essencial.

No geral, temos tendência para nos preocuparmos em demasia com a nossa imagem e esta pode ser uma das principais causas em torno da ansiedade do desempenho sexual. Mas neste campo, que pertence ao da autoestima, também estão outros fatores, como "estar tão apaixonada e não querer perder a outra pessoa ou recear não estar à sua altura", refere Joana Almeida. Neste sentido, é fundamental que perceba a verdadeira causa do problema e que seja sincero com a sua cara-metade.

No entanto, podem ser várias as causas que levam a este tipo de ansiedade. "É diferente alguém passar por um problema sexual, que quase toda a gente já atravessou num determinado momento da sua vida, do que sentir uma dificuldade prolongada", alerta ainda a especialista. "Nestas alturas, a procura de tratamento com um sexólogo é importante para prevenir que uma perturbação se instale e progrida", sublinha Joana Almeida. A realidade mostra, todavia, que a maioria não o faz.

Um trabalho a empreender a dois

O sexo e o mistério andam praticamente de mãos dadas. Por isso, querer controlar e prever o que vai acontecer antes do próprio ato é quase como estar a matar o melhor que o sexo tem. A solução para conseguir controlar a ansiedade é tentar "ser o mais natural possível, sem criar expetativas e desfrutar de cada momento sem prever os seguintes", aconselha Vera Ribeiro. Mas, sobretudo, "não colocar uma pressão excessiva sobre aquilo que vai acontecer", recomenda a sexóloga.

"É mais importante focar o olhar na pessoa que está à nossa frente do que estar a pensar no que vai ou não fazer e de que forma", acrescenta ainda a especialista. Para a sexóloga Joana Almeida, a comunicação também tem um papel importante na ansiedade pré-sexual. Por isso, o primeiro passo pode ser "encontrar um modo de comunicação sobre o prazer e formas de relaxarem juntos no sexo", elucida a especialista. À semelhança de muitas outras situações da vida, o diálogo é fundamental.

Joana Almeida, que adianta ainda algumas dicas que podem ajudar a desbloquear situações, não tem qualquer dúvida em relação a isso. "Deve conversar pela positiva e chamar as coisas pelo seu nome, tanto as partes do corpo, como as práticas sexuais", defende. A especialista diz que não existem soluções milagrosas mas, sim, esperança. "Não há receitas mágicas, mas explorar o prazer a partir do que já se gosta e do que se gostava de descobrir pode ser um bom caminho", assegura.

Texto: Vanessa Pina Santos com Vera Ribeiro (sexóloga) e Joana Almeida (sexóloga)

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