Os egípcios já o usavam há 6000 anos e era um dos principais produtos comercializados pelos fenícios. Ao longo dos tempos a sua importância resultou das múltiplas utilizações que lhe foram dadas: alimentação, medicina e beleza, por exemplo.

Foi ainda utilizado como combustível para a iluminação, como lubrificante para ferramentas agrícolas e elemento essencial em muitos ritos religiosos. Apesar de durante alguns anos ter sido menosprezado, actualmente tem sido objecto de investigações científicas, cujos resultados comprovam as suas inúmeras propriedades benéficas. É sobre o valor deste alimento que trata o artigo de hoje.

É necessário salientar que existem vários tipos de azeite que dependem das diferentes variedades de azeitona, do seu grau de maturação, do solo e do clima. Para obter um azeite virgem extra, as azeitonas colhidas manualmente devem ser transportadas de imediato para o lagar a fim de evitar a sua fermentação, o que consequentemente aumentaria o grau de acidez. De seguida lavam-se, trituram-se misturam-se com água. No final, o azeite separa-se da água por centrifugação.

Deste processo, denominado de primeira pressão a frio, resulta um azeite de primeira qualidade, garantindo-se a essência das vitaminas e ácidos gordos que o convertem num produto terapeuticamente benéfico. A denominação dos vários tipos de azeite difere de acordo com o teor de acidez. Assim, o azeite virgem não ultrapassa os 2º, enquanto que o azeite virgem extra possui um nível de acidez de 1º. Entre outros, destaca-se ainda o azeite virgem extra especial, com acidez até 0,7º.

Ácidos gordos e propriedades antioxidantes

Basicamente, o azeite é composto na sua maioria por ácidos gordos monoinsaturados (70%), dos quais se salienta o ácido oleico. Este alimento possui outros componentes igualmente importantes como a vitamina E e A e outros compostos fenólicos, que lhe conferem propriedades antioxidantes.

Muitas vezes temos ideia que todas as gorduras (lípidos) nos são prejudiciais. Na verdade, estas são imprescindíveis para a nossa saúde em quantidades adequadas e ingeridas com os restantes alimentos. Refiro-me nomeadamente às gorduras insaturadas (mono e poliinsaturadas) presentes nos óleos vegetais e nos peixes, em detrimento de outras gorduras saturadas de origem animal.

Recomenda-se que a ingestão de gorduras represente cerca de 30% da energia total ingerida ou 35% se esta for procedente do azeite. As gorduras desempenham no nosso organismo funções estruturais, constituem as membranas das células e participam em actividades metabólicas. Os lípidos transportam e permitem a absorção de determinadas vitaminas (A e D) e outros nutrientes.

A importância deste alimento é tal que, ao estudar os hábitos alimentares das diferentes populações, a comunidade médica internacional verificou que a alimentação rica em azeite, nomeadamente dos países do Mediterrâneo, podia estar na base dos níveis reduzidos de colesterol e uma baixa incidência de doenças cardiovasculares dos povos que habitavam esses países, em comparação com os habitantes dos Estados Unidos e do Norte da Europa.

Devido ao seu elevado teor de ácidos gordos monoinsaturados, o consumo de azeite ajuda a reduzir o mau colesterol (LDL), mantendo o nível do bom colesterol (HDL). Por outro lado, a vitamina E desempenha uma função antioxidante sobre as paredes das artérias. Desta forma, ajuda a prevenir o desenvolvimento de doenças cardiovasculares como aterosclerose, trombose, enfarte cardíaco e acidentes vasculares cerebrais. Ajuda ainda a prevenir a diabetes ao favorecer o metabolismo e a melhorar a assimilação de açúcar e a tolerância à glucose.

O consumo deste alimento ajuda a proteger o sistema digestivo ao prevenir o excesso de ácido no estômago. Contribui ainda para o bom funcionamento da vesícula biliar, promove a assimilação de nutrientes e ajuda a regular o trânsito intestinal. De acordo com inúmeras pesquisas, o consumo de azeite poderá contribuir para a prevenção de alguns tipos de cancro, principalmente o cancro da mama.

Devido ainda às suas propriedades antioxidantes, ajuda a combater o envelhecimento precoce e a beneficiar o sistema nervoso periférico, bem como o cérebro. Este alimento favorece a mineralização óssea, ao facultar a absorção de cálcio e de vitamina D, ajudando no crescimento e na prevenção da osteoporose.

Para poder usufruir plenamente das virtudes do azeite, deve consumi-lo cru, sem aquecimento prévio e, de preferência este deve ser de origem biológica. Por esta razão é ideal para temperar saladas e vegetais. Pode ainda substituir outras gorduras utilizadas para elaborar todo o tipo de cozinhados pelo azeite. Mesmo para fritar deve usar azeite, pois os outros óleos vegetais alteram-se com o calor, gerando substâncias nocivas, a partir dos 170º C.

Este líquido suporta temperaturas mais elevadas e não se queima se não se ultrapassarem os 180º C. Caso não aprecie o seu sabor nos fritos pode fazer uma mistura de azeite (um terço ou metade) e óleo de girassol, pois o elevado teor de monoinsaturados presente no azeite evita a degradação do óleo de girassol.

O azeite é um óptimo hidratante e tonificante para a pele, pelo que é muito utilizado em artigos cosméticos. É ainda um excelente óleo de massagem e é adicionado aos óleos essenciais na aromaterapia.

Resumindo, sempre que possível tente incorporar este alimento de elevado valor nutricional na sua dieta, pois para além do sabor único que confere aos alimentos, é uma das fontes de lípidos mais saudável que se conhece.

Por Pedro Lôbo do Vale, Médico Especialista em Medicina Geral e Familiar, Consultor da Associação Portuguesa de Alimentação Racional e Suplementos Alimentares, e do Celeiro