Alimentação funcional, planos alimentares, a criança e as escolhas à mesa que para ela fazemos, a comida como fator preventivo da doença, e a real qualidade de vida (ou não) pelo facto de vivermos mais anos, são alguns dos temas que arrebanhamos neste tête-à-tête com Lillian Barros. Uma interlocutora que, aqui, também nos traz a sua experiência pessoal de superação, contando-nos como se combate com sucesso uma doença auto imune sistémica.

Uma conversa onde Lillian não dá azo ao improviso no que respeita à alimentação: “Em nutrição, a 'amigoterapia', a 'blogoterapia' e a dieta do 'Dr. Google', não funcionam!”. E explica-nos porquê.

A nutrição é hoje palavra de ordem e multiplicam-se as teorias, tendências, modas. Lillian, a questão é saber se esta catadupa de informação nos está a trazer mais esclarecimento?

Tem toda a razão, nunca se falou tanto sobre nutrição como nos últimos tempos. Todos têm voto na matéria e comunicar nutrição atrai likes, visualizações e comentários nas redes sociais. Sobretudo se se tratar do alimento da moda, da dieta milagrosa ou da última tendência ou corrente alimentar de uma estrela nacional ou internacional.

Nutricionista Lillian Barros explica-nos em livro como pode a comida mudar-nos a vida
Nutricionista Lillian Barros explica-nos em livro como pode a comida mudar-nos a vida
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Na minha opinião este excesso de informação avulsa peca muitas vezes por falta de credibilidade e fundamento científico. É comum encontramos, num mesmo dia, o artigo que enaltece os benefícios de um alimento e logo a seguir encontrarmos o título sensacionalista sobre o veneno que esse mesmo alimento pode ser para a nossa saúde.

Respondendo, em concreto, à sua pergunta há muita vontade de aprender mais sobre nutrição. A população está consciente de que as escolhas alimentares podem fazer a diferença nas suas vidas, mas falta separar o trigo do joio entre tanta notícia que se encontra nos diferentes meios. Noto isso em consulta quando me chegam pacientes com uma série de (pré-)conceitos errados ou desajustados face à evidência. É importante perceber que não formulas mágicas, nem fórmulas únicas e universais. Há pessoas, individuais e tal como elas, há dietas, neste caso planos alimentares, ajustados a cada pessoa, de acordo com a sua história clinica, estilo de vida e objetivo específico.

Lillian, não é difícil hoje, à boleia dos meios digitais, o comum mortal tornar-se influenciador e oferecer-nos “a dieta milagrosa”. Como podemos nós, consumidores de informação, separar o trigo do joio?

Um influenciador digital pode e deve apenas servir como uma inspiração à vontade de mudança e neste sentido pode ser uma ferramenta bastante útil para a melhoria de comportamento alimentar para uma massa de pessoas cada vez maior, alertando para a necessidade de um acompanhamento personalizado ou para a adequação das escolhas. Se um influenciador digital influencia milhares de seguidores a comprar uma peça de roupa ou uma maquilhagem, porque não influenciar a fazer melhores escolhas alimentares?

Contudo é importante que o influenciador tenha exatamente este papel motivacional e não um papel de nutricionista [caso não o seja], fazendo recomendações nutricionais, aconselhando planos ou estratégias alimentares específicas. Para isso estão cá os entendidos na matéria, como quem diz os profissionais “da coisa”, salvo seja.

Hoje em dia existem muitos sites institucionais e blogues de profissionais da nutrição que partilham regularmente variadíssimos artigos relacionados com o tema da alimentação saudável. Acima de tudo devemos procurar informação fidedigna, saber quem assina um artigo ou está por de trás de uma página ou de um blogue.

É importante por isso que segue ou lê a imensidão de informação sobre alimentação e nutrição atualmente consiga perceber de onde vem essa informação e em que medida lhe pode ser útil.

Hoje em dia existem muitos sites institucionais e blogues de profissionais da nutrição que partilham regularmente variadíssimos artigos relacionados com o tema da alimentação saudável. Acima de tudo devemos procurar informação fidedigna, saber quem assina um artigo ou está por de trás de uma página ou de um blogue. Ser crítico na leitura e perceber que uma opinião ou uma boa experiência é exatamente isso. Tentar generalizar conceitos e planos pode ser pior a emenda do que o soneto.

A 'amigoterapia', a 'blogoterapia' e a dieta do 'Dr. Google', não funcionam. Pelo sim pelo não mais vale consultar um nutricionista e adaptar um plano a cada um.

Alimentação: “Em nutrição, a ´amigoterapia`, a ´blogoterapia` e a dieta do ´Dr. Google`, não funcionam”
Alimentação: “Em nutrição, a ´amigoterapia`, a ´blogoterapia` e a dieta do ´Dr. Google`, não funcionam”

A mensagem que nos quer passar é a de que no que diz respeito à alimentação há que diversificar?

Sim, uma das palavras-chave para uma alimentação equilibrada, completa e saudável é sem dúvida a variedade. Mas mais do que isso quero passar a mensagem de individualização e personalização do plano alimentar.

Cada pessoa é um ser individual com a sua história clínica, com os seus hábitos de vida, com gostos pessoais diferentes e acima de tudo objectivos distintos. Por este motivo é fundamental perceber-se que cada caso é um caso e nem tudo o que funciona com uma pessoa amiga é necessariamente a resposta para o meu problema. Neste sentido é importante ajustar uma dieta [ou plano alimentar, se preferir] para a vida e como tal personalizado, sem nunca esquecer o prazer de comer e a vida social e familiar de cada um. Basicamente melhorar a alimentação individual, mais do que ter uma visão extremista ou fundamentalista sobre o que deve ser “o” padrão único daquilo que é considerado “comer bem”. Comer de forma adequada depende sempre da pessoa que temos à nossa frente.

Cada pessoa é um ser individual com a sua história clínica, com os seus hábitos de vida, com gostos pessoais diferentes e acima de tudo objectivos distintos. Por este motivo é fundamental perceber-se que cada caso é um caso e nem tudo o que funciona com uma pessoa amiga é necessariamente a resposta para o meu problema.

Lillian porque razão ao lermos este seu livro vamos encontrar a comida que vai mudar a nossa vida?

No meu último livro, mais do que compilar uma série de receitas saudáveis e saborosas, o leitor consegue encontrar uma parte teórica inicial onde eu tento passar as ferramentas para que quem me lê consiga identificar o seu, ou os seus problemas, perceber como o alimento pode ser útil ou negativo para cada situação, qual a melhor forma de combinar ingredientes, de confeccionar as refeições e como pode utilizar misturas certas para melhorar a absorção ou eficácia de um determinado componente.

Basicamente no meu livro converso com o leitor, tal como em consulta converso com os meus pacientes para que na prática e com as receitas “rotuladas” com os seus vários benefícios possam ser postas em prática da forma mais individualizada possível. Para além disso partilho a minha própria forma de organização na cozinha, lista de compras, e mezinhas alimentares para uma série de maleitas comuns [azia, refluxo, obstipação, excesso de apetite por doces, falta de energia], mas também para prevenir e resolver uma série de doenças relacionadas com o estilo de vida e alimentação, como a diabetes, hipo e hipertiroidismo, hipercolesterolemia, hipertensão arterial, infecções urinárias recorrentes, entre muitas outras.

Nutricionista Lillian Barros explica-nos em livro como pode a comida mudar-nos a vida
Nutricionista Lillian Barros explica-nos em livro como pode a comida mudar-nos a vida

A própria Lillian tem uma história de vida que corrobora esta mudança. Quer sucintamente partilhá-la connosco?

Antes de fazer 30 anos deparei-me com algumas alterações nas análises e exames de rotina. Estes conduziram a outros exames mais específicos, a muitas consultas médicas de várias especialidades e por fim a um diagnóstico lento e conturbado que me brindava como sintoma principal a falta de energia.

Ao fim de algumas semanas ou meses, que pareceram eternidades, fui diagnosticada com sarcoidose, uma doença auto imune sistémica, que pode afetar qualquer órgão do organismo mas que no meu caso [e na grande maioria dos doentes como este problema] se alojava nos pulmões.

Houve a necessidade de medicação com cortisona e consequentemente a medicação para me reduzir os efeitos indesejados da medicação [protetor gástrico diariamente, ácido alendrónico uma vez por semana para evitar a descalcificação óssea e a estatina para reduzir o colesterol]. Enfim tomava mais medicação para a medicação do que medicação para a doença. Na realidade não sei o que me incomodou mais se a doença em si ou as alterações percebidas pelos efeitos da medicação. Foi aqui que comecei a utilizar a alimentação como minha bengala para me sentir com mais energia, para evitar o ganho de peso, o inchaço e a retenção de líquidos provocados pela cortisona. Consegui não só não ganhar peso como até perder algum graças ao meu foco alimentar.

Contra as expectativas, consegui ter dos anos mais produtivos do ponto de vista profissional, mantendo níveis de energia excelentes, consegui reduzir eliminar e a medicação extra que precisava para proteger ossos e estômago. E gradualmente fui reduzindo a cortisona. Sempre acompanhada pelo meu médico especialista claro e sempre com muito realismo.

Nutricionista Lillian Barros explica-nos em livro como pode a comida mudar-nos a vida
Nutricionista Lillian Barros explica-nos em livro como pode a comida mudar-nos a vida

Muito resumidamente foi isto. Sempre recusei medicação mais agressiva como os imunossupressores propostos pois tinha um forte desejo de ser mãe, algo que me foi desaconselhado durante vários anos devido à medicação e à dosagem da mesma.

Hoje sou mãe de uma menina e estou grávida do meu segundo filho que nascerá em junho. Espero conseguir manter a energia e vitalidade sempre com a ajuda da alimentação para conseguir assistir ao crescimento dos meus filhos, para ter a energia para correr atrás deles sempre que precisar e para brincar ao esconde-esconde, sempre que nos apetecer.

Os alimentos podem, de facto, ser encarados como um medicamento?

Não tenciono com o meu livro ou com a minha consulta de nutrição substituir a necessidade de um acompanhamento médico especializado no caso da existência de patologias específicas. Acho sim que podemos e devemos trabalhar em conjunto, para oferecer maior qualidade de vida ao paciente. Se podermos minimizar a necessidade de medicação, se podermos prevenir doenças em vez de remediá-las, se podermos recuperar de forma natural então porque não complementar o acompanhamento médico com a nutrição?

Sem dúvida que a alimentação pode fazer uma grande diferença. Vejo isso todos os dias com os meus pacientes e em mim.

Nutricionista Lillian Barros explica-nos em livro como pode a comida mudar-nos a vida
Nutricionista Lillian Barros explica-nos em livro como pode a comida mudar-nos a vida créditos: @Santa Melancia

O que é a alimentação funcional?

Sabemos que nem todo alimento que é bom para uma pessoa, serve para outra também. Por isso mesmo, em vez de nos limitarmos à prescrição de uma dieta com alimentos saudáveis de todos os tipos, tornou-se fundamental rastrear os sinais, sintomas e características de cada paciente e, através da alimentação, corrigir os desequilíbrios nutricionais.

A nutrição funcional, considerada por muitos a nutrição do século XXI, busca restabelecer o organismo através do equilíbrio dos nutrientes e a individualidade bioquímica de cada paciente, indo muito além da perda ou ganho de peso. Reconhecer a individualidade de cada alimento também e fundamental. É diferente consumir um alimento cru ou cozinhado, certo? O tomate, por exemplo, é sempre melhor cozinhado, pois a biodisponibilidade do licopeno, um potente antioxidante nele presente é muito superior quando sujeita a temperaturas. Comer um alimento isolado ou combinado com outro também pode potencializar sua absorção. Os nutrientes como o ferro e a vitamina C consumidos juntos, se interagem melhorando a eficácia e absorção do ferro. O mesmo acontece com a curcumina, presente na curcuma com a piperina presente na pimenta preta.

A nutrição funcional, considerada por muitos a nutrição do século XXI, busca restabelecer o organismo através do equilíbrio dos nutrientes e a individualidade bioquímica de cada paciente, indo muito além da perda ou ganho de peso.

Durante as consultas são abordados diversos assuntos, como por exemplo, o funcionamento intestinal, alterações de humor, ansiedade, entre outros. De acordo com as respostas, sinais e sintomas apresentados pelo paciente, tentamos moldar novos hábitos alimentares, criando um plano realista para reequilibrar as carências ou excessos de nutrientes no organismo. Deixamos de contar calorias e passamos a contar nutrientes e a forma como eles interagem.

Algumas doenças crónicas como obesidade, depressão, fibromialgia, artrite reumatoide, osteoporose e diabetes, são normalmente causadas por conta dos desequilíbrios nutricionais. O que muita gente não sabe é que a nutrição funcional tem um papel muito importante na prevenção e auxílio no tratamento destas desordens. O segredo está na escolha dos melhores ingredientes e das suas combinações inteligentes. Ao longo dos anos e com o contributo da medicina conseguimos viver cada vez mais, aumentando a nossa esperança média de vida. Mas será que estamos atualmente a viver esses anos extra com qualidade? A boa notícia é que é possível vivermos mais e melhor e nessa equação a nutrição é um pilar que faz toda a diferença.

Nutricionista Lillian Barros explica-nos em livro como pode a comida mudar-nos a vida
Nutricionista Lillian Barros explica-nos em livro como pode a comida mudar-nos a vida

Um aspeto que sublinha no seu livro é o da substituição do termo “dieta” por “plano alimentar”. São práticas diferentes?

Uma dieta ou regime alimentar é visto como um conjunto de regras fechadas para determinado período de tempo. Normalmente restritivas, que depois de implementadas devem ser substituídas, mas são muitas vezes esquecidas, retomando os hábitos pouco saudáveis anteriormente adoptados.

Por outro lado um plano alimentar é uma estratégia realista que consiste em oferecer estratégias práticas que permitam moldar as escolhas alimentares do paciente e que possam ser “guardadas” para o resto da vida. Aquilo que chamamos de (r)educação alimentar.

A educação alimentar dos portugueses é deficiente? E, já agora, a alimentação também o é?

Acho que deveria ser desde pequenino que se faz esta educação, pelos pais, pelo exemplo, e pelas escolas, incluindo as creches, infantários e pré-primárias . Ainda temos muita margem para crescer e melhorar este tema, nomeadamente na oferta alimentar feita nas escolas.

Um outro aspeto interessante no seu livro é a valorização do prazer de comer. A Lillian desmistifica a ideia de que comer em equilíbrio não é sinónimo de prazer à mesa. Gostaria que comentasse.

Comer bem tem de saber bem, senão torna-se tudo cinzento e o plano alimentar é abandonado rapidamente.

Desde pequenos que aprendemos a tirar gratificação dos momentos passados à mesa, não posso pedir aos meus pacientes que prescindam do convívio familiar ou social porque estão a fazer um acompanhamento nutricional comigo. Tento dotá-los de estratégias para compensar e acima de tudo alertá-los para fazerem exceções conscientes e não se deixarem simplesmente ir pelo pensamento “hoje é o dia da estragação vai tudo até mais não”.

De resto podem tirar igualmente prazer no seu dia-a-dia alimentar com receitas equilibradas, funcionais, saudáveis e com todo o sabor. Por isso não precisam perder o controlo nos dias de festa, porque o resto da semana já foi verdadeiramente prazeroso.

Nas resoluções de novo ano acrescente o item
Nas resoluções de novo ano acrescente o item créditos: Lifestyle

É um facto que cada vez mais temos supermercados biológicos, assim como restaurantes com oferta vegetariana, vegan, flexitariana, etc. Independentemente do valor desta mudança, no meio de tanta oferta também não poderemos, uma vez mais, estar a confundir o consumidor e a induzi-lo em erro?

Se o consumidor estiver informado as suas escolhas serão inevitavelmente acertadas e conscientes. Ter variedade de escolha é óptimo, pois cada vez temos mais formas diferentes de estar em alimentação. E se queremos individualizar então haverá certamente diferença e é importante que estas pessoas possam conseguir alimentar-se de forma conveniente fora de casa.

Se o consumidor estiver informado as suas escolhas serão inevitavelmente acertadas e conscientes. Ter variedade de escolha é óptimo, pois cada vez temos mais formas diferentes de estar em alimentação.

Estar saudável é mais do que comer bem. Há outros fatores. A Lillian quer, por favor, especificar?

Uma antiga definição de saúde fazia referência apenas à ausência de doenças. Mas, atualmente, compreende-se a saúde como um conjunto de ações, hábitos e condições que proporcionam o bem-estar geral do ser humano: a qualidade de vida.

Fatores como alimentação, exercício físico, o ambiente social e económico, as características e comportamentos individuais das pessoas e até mesmo o acesso ao sistema de saúde são fatores determinantes para a saúde de um indivíduo.

Segundo a Organização Mundial da Saúde "ser saudável é um completo bem-estar físico, mental e social, e não simplesmente a ausência de doença ou enfermidade”

Precisamos, realmente, de suplementos alimentares ou, antes, de praticar uma alimentação rica em todos os nutrientes?

Não necessariamente, mas depende do caso, de toda a história clínica, da envolvência, dos hábitos alimentares reais e das próprias características da pessoa. Deve ser avaliado essa necessidade caso a caso. Grávidas e desportistas, por exemplo, apresentam necessidades especialmente aumentadas que têm de ser suplantadas com suplementação alimentar. Estes não são casos únicos.

Devido ao empobrecimento dos solos e da produção fora de época muitos dos legumes e vegetais acabam por não ser tão ricos como foram outrora. Este pode ser um dos motivos para haver cada vez mais pessoas com deficiências nutricionais.

Grávidas e desportistas, por exemplo, apresentam necessidades especialmente aumentadas que têm de ser suplantadas com suplementação alimentar. Estes não são casos únicos.

A Lillian também nos passa uma outra mensagem, a da não existência de inevitabilidade no que respeita aos estados decorrentes da alimentação. Um filho de um obeso não tem de ser obeso. Há aqui um trabalho de toda a família, certo?

Certíssimo, a educação em casa e o exemplo é fundamental. É importante ter hábitos saudáveis em casa para que os nossos filhos percebam que é assim que se faz. Não podemos querer que os nossos filhos comam sopa e bifinho com arroz e salada, se ao lado os pais comem como entrada pão com manteiga e patê e, no prato, a carne deles é acompanhado de batatas fritas e arroz.

Sendo o seu livro, também, uma obra com receitas, gostaria a Lillian de salientar algumas que lhe tragam especial prazer confecionar e porquê?

Todas as receitas foram escolhidas a dedo e todas elas são de eleição cá em casa. É difícil de entre todas escolher as minhas preferidas. Mas tenho de confessar que adoro as saladas e os acompanhamentos. Sinto que é o que dá realmente prazer à refeição.

No início do livro dou algumas sugestões de receitas básicas que não faltam na minha cozinha como manteiga ghee, biomassa de banana verde, gomásios, tahines e molhos variados que são (na minha opinião) simplesmente divinas. Acho que é realmente o faz a diferença. Conseguirmos organizarmo-nos para darmos sabor às refeições sem termos de recorrer a alimentos processados, empacotados e cheios de aditivos alimentares artificiais.

Lillian, o que não pode faltar na sua despensa?

Tenho no livro uma lista de ingredientes que acho que não devem faltar numa cozinha saudável. Na minha própria cozinha não podia fugir à regra e não podem faltar especiarias (como Curcuma, Gengibre, cardamomo, pimenta preta), Vegetais frescos variados (couve kale, curgete, beterraba, tomates), Ervas aromáticas frescas variadas, Alhos, Cebolas, frutas frescas como (bagas, frutos vermelhos, abacaxi, papaia, abacate), bacalhau ultracongelado pronto a cozinhar, gorduras boas (como Azeite virgem extra e Óleo de coco), Frutos secos sem adição de sal (como nozes, amêndoas, avelãs, cajus ou castanhas-do-brasil), Sementes (como sésamo, linhaça, chia), sal rosa, quinoa, leguminosas, flocos de aveia, tanta coisa.

Mas maioritariamente tento procurar alimentos sem rótulos, sem caixas, naturais, frescos ou congelados, como o menor processamento possível e sem adição de aditivos artificiais. Tento procurar local, nacional e da época, de preferência de agricultura sustentável, ecológica e biológica.


Lillian Barros nasceu no Canadá mas desde cedo que vive em Portugal e considera-se portuguesa de sangue e de coração. Cresceu no Algarve, mas desde 2000 que é em Lisboa que passa a maior parte do tempo.

Licenciada em Ciências da Nutrição no Instituto Superior de Ciências da Saúde Egas Moniz, o seu percurso académico levou-a até ao Reino Unido, onde frequentou, na Oxford Brookes University, o curso de Nutrition and Food Science.

Atualmente reparte a sua atividade profissional entre Lisboa e o Algarve, onde tem os seus consultórios. É, ainda, autora do blogue "Santa Melancia", onde partilha várias receitas, dicas e desabafos de uma mãe, mulher e nutricionista.