A grande maioria dos 440 casos de contaminação deste novo vírus, que pertence à mesma família da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS), foram registados nessa cidade construída às margens do rio Yangtsé.

Os moradores da cidade foram instruídos a não sair da mesma. O aeroporto e estações de comboio não permitirão partidas nas próximas horas. As redes de autocarro, metro, barco e transporte de longa distância serão suspensas a partir das 10h00 de 23 de janeiro, segundo as autoridades locais.

A epidemia foi detetada pela primeira vez no último mês, em um mercado de frutos do mar localizado na cidade. Desde então, 17 pessoas morreram e os cientistas temem uma possível mutação e propagação desenfreada do vírus.

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Após terem ignorado a doença por semanas, nós últimos dias os habitantes de Wuhan começaram a usar máscaras de proteção, como contaram por telefone vários moradores do local à AFP. Esse hábito tornou-se agora uma obrigação decretada pelas autoridades locais.

"O medo realmente aumentou desde a última segunda-feira (21), quando informaram que o contágio acontece de forma direta entre pessoas", relata Melissa Santos, uma estudante dominicana que vive em Wuhan há pouco mais de dois anos.

Num primeiro momento, as autoridades afirmaram que o vírus parecia ser transmitido apenas de animais para o ser humano, e que não havia contaminação entre humanos.

Charly Bonnassie, um estudante francês que embarcou num comboio vindo de Wuhan, contou que "100% dos passageiros e dos funcionários" usavam máscaras. "Não há mais máscaras disponíveis nas farmácias, desapareceram", disse Vincent Lemarié, um professor de francês que leciona na Universidade de Hubei, a província de Wuhan.

Controlo por toda a parte

As autoridades estão preocupadas pelo risco de contaminação a poucos dias de um grande feriado local, quando milhões de chineses voltarão a viajar.

"Caso não seja necessário, aconselhamos que não venham a Wuhan", informou o prefeito da cidade, Zu Xianwang, em comunicado veiculado na televisão.

Em uma conferência de imprensa em Pequim, o vice-ministro da Comissão Nacional de Saúde da China, Li Bin, sugeriu que os moradores não saíssem da cidade. Detetores de febre foram instalados nas estações de embarque e no aeroporto. Nas estradas, a temperatura corporal é medida pelos postos de controlo, e para sair da cidade o transporte não pode ser feito de carro.

A polícia também controla a presença de animais selvagens e aves nos veículos que entram e saem da cidade.

No mercado onde surgiu a epidemia eram vendidos animais selvagens, comentou esta quarta-feira (22) o diretor do Centro Nacional de Controlo e Prevenção de Doenças, Gao Fu. Ele não informou, no entanto, se esses animais seriam a origem da infeção.

O local de comércio, principalmente voltado para a pesca, mantém uma seleção variada de mercadorias, como lobos e civetas, segundo informações divulgadas pelos média chineses.

Festividades canceladas

Para evitar qualquer concentração de pessoas, as autoridades anularam as comemorações previstas para o feriado, no qual é comemorado o Ano Novo chinês, marcado para o próximo 25 de janeiro.

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O famoso templo budista Guiyuan, que no último ano reuniu um público de 700 mil pessoas para a ocasião, teve que cancelar ao evento. Cerca de 30 mil pessoas já tinham reservado os seus ingressos e outros 200 mil foram distribuídos de forma gratuita. As autoridades também proibiram qualquer espetáculo e fecharam o museu principal da cidade.

O prefeito, criticado por ter organizado no último final de semana um banquete no qual recebeu 40 mil famílias, teve que explicar que desconhecia o tamanho da epidemia. "As pessoas estão um pouco preocupada", diz Melissa Santos. "Um amigo que tinha me convidado para passar o Ano Novo com ele em outra cidade da província de Hubei preferiu cancelar a festa", explica.

"Ele tem medo de se contaminar. Particularmente, eu também prefiro cancelar minha viagem para evitar encontrar com pessoas infetadas no comboio", acrescenta.

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