
Nos últimos anos, assistimos a uma transformação profunda no universo da medicina estética e da cirurgia plástica. A era dos excessos ficou para trás! O volume exagerado, os decotes exuberantes e os rostos excessivamente preenchidos e artificialmente modificados já não são o objetivo nem dos pacientes nem dos médicos. O passado ensinou-nos valiosas lições:
O desejo do paciente, por si só, não é suficiente – é essencial que haja um profissional consciente e ético para orientar as decisões.
Alterações demasiado evidentes no rosto e no corpo acabam por gerar insatisfação e até melancolia, um desejo de regressar ao que fomos. E o processo de reversão, quando possível, é sempre difícil e, por vezes, inalcançável.
A beleza associada ao exagero desvinculou-se há muito do ideal de elegância e sofisticação. Atualmente, a harmonia e a naturalidade são os valores mais apreciados.
Para nós, médicos, é sempre um desafio desfazer intervenções desmedidas. Nem sempre sabemos exatamente o que foi feito e, em alguns casos, foram utilizados materiais permanentes que não se degradam com o tempo. Felizmente, a hialuronidase é uma enzima que nos permite dissolver o ácido hialurónico, mesmo quando foi aplicado há vários anos. Áreas delicadas, como a olheira, são particularmente exigentes e, muitas vezes, requerem um ajuste para devolver um aspeto mais natural.
Hoje, contamos com uma ampla gama de produtos e técnicas que evoluíram significativamente. Os preenchimentos dérmicos, estimuladores da qualidade da pele e as mais variadas técnicas cirúrgicas são agora mais seguros, biocompatíveis e aplicados numa perspetiva de preservação e equilíbrio.
O ácido hialurónico, além de ser um potente hidratante, quando bem escolhido (existem diversas variantes) permite suavizar sulcos, atenuar rugas finas e realçar o contorno e a hidratação dos lábios. A sua aplicação na região íntima tem ganho cada vez mais relevância, ajudando a restaurar a hidratação e a firmeza da mucosa, algo essencial com o avançar da idade e a menopausa.
Os bioestimuladores, como a hidroxiapatita de cálcio, são dos meus tratamentos favoritos. Permitem melhorar a qualidade da pele e contrariar a flacidez, estimulando naturalmente a produção de colagénio. Aqui não há volume artificial – apenas um reforço da firmeza e da estrutura da pele, mantendo as feições originais.
A toxina botulínica, muitas vezes vista com receio, é um tratamento extraordinário quando bem aplicado, sendo fundamentalmente preventivo. Ao contrário do estigma do “rosto congelado”, a abordagem correta preserva a expressão facial e impede que as rugas se aprofundem. Para além disso, em doses reduzidas, o chamado “microbotox” pode até ajudar a controlar a oleosidade, reduzindo a atividade das glândulas sebáceas.
Os peelings químicos são outra ferramenta essencial no cuidado da pele. Já não é necessário enfrentar semanas de descamação intensa para obter resultados. Hoje, existem formulações seguras e eficazes que, de forma gradual, uniformizam o tom da pele, removem células mortas e até previnem potenciais lesões cutâneas. Quando realizados por médicos experientes e adaptados a cada paciente, os peelings proporcionam uma pele mais luminosa, uniforme e saudável.
Em suma, a beleza deve ser respeitada e preservada. O tempo das transformações radicais já passou e, felizmente, dispomos de inúmeras abordagens para realçar, de forma subtil e equilibrada, o melhor de cada rosto. A harmonia, o cuidado e a autoestima são, mais do que nunca, os verdadeiros pilares do bem-estar.
Um artigo da médica e cirurgiã plástica Ana Silva Guerra.
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