O sono é fundamental para a saúde física e mental, para um adequado funcionamento diurno e para uma boa função do próprio sistema imunitário e da memória. Por esse motivo, dormir pouco ou mal compromete as funções essenciais do sono no nosso organismo, tendo efeitos prejudiciais a curto e longo prazo.

O distanciamento social, o isolamento da família e dos amigos, o confinamento em casa, o teletrabalho (com aumento do tempo passado em frente aos ecrãs) e as aulas escolares a partir de casa, não apenas aumentaram os níveis de ansiedade individuais e da família, como quebraram hábitos que eram fundamentais para a qualidade do nosso sono.

É importante aproveitarmos o aumento do tempo em casa para repensarmos o nosso sono e lhe darmos o valor que ele merece. É também uma oportunidade de envolver toda a família neste desafio, melhorando a higiene do sono em conjunto.

Algumas dicas importantes para combatermos os riscos para o nosso sono durante a pandemia são:

- manter uma rotina diária com horário de despertar, sair da cama, trocar o pijama por roupa de dia (mesmo que se permaneça todo o dia em casa);

- durante o dia abrir as janelas e aumentar a exposição solar, eventualmente fazendo um passeio ou caminhada higiénica;

- apesar de se passar o dia em casa evitar as sestas, privilegiar uma boa noite de sono e os horários de sono regulares evitando grandes variações;

- preferir uma refeição mais leve à noite e evitar álcool e cafeína;

- preparar-se para o sono, mantendo um ambiente calmo e com pouca luz, na hora antes de ir para a cama, evitando notícias stressantes ou usar dispositivos electrónicos, preferindo uma leitura leve ou uma música calma e relaxante;

- no caso de dificuldade em dormir deve sair-se da cama, tentar algum repouso num ambiente tranquilo, e voltar para a cama apenas quando tiver novamente sono.

Por fim, estes tempos podem também ser uma oportunidade para estarmos mais atentos ao nosso sono e ao dos nossos familiares e, assim, identificarmos distúrbios como, por exemplo, a insónia ou a apneia do sono.

A insónia - dificuldade em iniciar ou manter o sono – é uma distúrbio frequente do sono e que, se continuado, tem muitos efeitos adversos para a saúde. É importante evitar a automedicação que, muitas vezes, apenas perpetua o problema. Nestes casos, o doente deve pedir ajuda médica, ser avaliado por um médico especialista em sono, de forma a identificar factores desencadeantes, corrigir erros nos hábitos de sono, avaliar a presença de outras doenças associadas (como a depressão) e proporcionar o tratamento adequado – não necessariamente farmacológico.

No caso da apneia do sono, os principais sinais de alarme são o ressonar do parceiro e as paragens respiratórias testemunhadas, mas também a sensação de sono não reparador ou a sonolência durante o dia. É importante suspeitar da doença e procurar aconselhamento médico, uma vez que a apneia do sono se associa a importante risco cardio e cerebrovascular (arritmias, enfartes, AVCs).

No Dia Mundial do Sono, importa lembrar que em tempos de pandemia, mais do que nunca, temos de prestar atenção à nossa saúde e ao nosso sono e ao dos nossos familiares. Para melhorar a qualidade do nosso sono é importante adoptar um estilo de vida saudável e ter uma boa higiene do sono, estar atento aos sinais de que algo não está bem e procurar ajuda numa Consulta de Sono.

Um artigo da médica Vânia Caldeira, Assistente hospitalar de Pneumologia e com competências em Medicina do Sono pela Ordem dos Médicos.

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