As autoridades chinesas confirmaram 136 novos casos, elevando o número total de infetados com a nova pneumonia viral para 198, incluindo dois em Pequim e um em Shenzhen, na fronteira com Hong Kong, coincidindo com o início das férias do Ano Novo Lunar.

Segundo o ministério chinês dos Transportes, a China deve registar um total de três mil milhões de viagens internas durante os próximos 40 dias.

O surto colocou também outros países em alerta, já que milhões de chineses viajam também além-fronteiras durante este período. As autoridades da Tailândia e do Japão já identificaram pelo menos três casos, todos envolvendo viagens recentes à China.

A Coreia do Sul relatou o primeiro caso hoje, quando uma chinesa de 35 anos de Wuhan deu positivo para o novo vírus, um dia depois de chegar ao aeroporto de Seul.

A mulher foi isolada num hospital público na cidade de Incheon, a oeste de Seul, segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças.

Pelo menos meia dúzia de países na Ásia e três aeroportos nos Estados Unidos começaram a rastrear passageiros oriundos de voos do centro da China.

Um artigo publicado na sexta-feira por cientistas de um centro de investigação do Colégio Imperial de Ciência, Tecnologia e Medicina de Londres apontou que o número de pessoas infetadas na cidade chinesa provavelmente ultrapassou o milhar de casos e é muito superior àquele avançado pelas autoridades locais.

Investigadores do Centro de Análise Global de Doenças Infecciosas, que aconselha instituições como a Organização Mundial de Saúde (OMS), estimam que “um total de 1.723 casos” em Wuhan apresentavam sintomas da doença desde 12 de janeiro.

As autoridades chinesas determinaram que vários pacientes são vendedores num mercado de mariscos situado nos subúrbios de Wuhan, e, entretanto, encerrado.

Os casos de pneumonia viral alimentaram receios sobre uma potencial epidemia, depois de uma investigação ter identificado a doença como um novo tipo de coronavírus, uma espécie de vírus que causa infeções respiratórias em seres humanos e animais e é transmitida através da tosse, espirros ou contacto físico.

Alguns destes vírus resultam apenas numa constipação, enquanto outros podem gerar doenças respiratórias mais graves, como a pneumonia atípica, ou Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS), que entre 2002 e 2003 matou 650 pessoas na China continental e em Hong Kong.

Na altura, o Governo chinês inicialmente tentou ocultar a gravidade da epidemia do SARS, mas o encobrimento foi exposto por um médico de alto escalão.

“Nos primeiros dias do SARS, os relatórios foram encobertos”, lembrou hoje em editorial o Global Times, jornal oficial do Partido Comunista. “Esse tipo de situação não pode acontecer de novo na China”, advertiu.

Mas como centenas de pessoas que entraram em contacto próximo com pacientes diagnosticados não foram infetadas, as autoridades chinesas mantêm que o vírus não é facilmente transmitido entre seres humanos, embora não descartem a transmissão limitada.

A Comissão Nacional de Saúde da China disse que especialistas consideram o atual surto como “evitável e controlável”.

“No entanto, a fonte do novo tipo de coronavírus não foi encontrada, não entendemos completamente como se transmite e as alterações no vírus ainda terão de ser monitoradas de perto”, disse a comissão, em comunicado.

O porta-voz do ministério chinês dos Negócios Estrangeiros Geng Shuang disse hoje também que a China está a realizar os “maiores esforços para resolver a situação” e revelou que Wuhan adotou medidas para controlar o fluxo de pessoas que saem da cidade.

A emissora estatal CCTV recomendou hoje às pessoas que se mantenham agasalhadas, aumentem a atividade física, evitem comidas pesadas e lugares com grande concentração de pessoas.

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