O anúncio surge quando há 115 países com casos declarados da nova infeção que surgiu em Wuhan, na China. Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, revelou esta tarde, em conferência de imprensa, após uma reunião da Organização Mundial de Saúde (OMS), que há mais de 118 mil casos e pelo menos 4291 mortos em todo o mundo, segundo números oficiais.

Ghebreyesus declarou que o planeta está perante uma pandemia por causa do COVID-19. "Podemos esperar que o número de casos, mortes e países afetados aumente", afirmou o diretor-geral da OMS. A OMS justifica a declaração de pandemia com "níveis alarmantes de propagação e inação".

"Os países podem ainda mudar o curso desta pandemia se detetarem, testarem, tratarem, isolarem, rastrearem e mobilizarem as pessoas na resposta", ressalvou Tedros Adhanom Ghebreyesus, na sede da OMS, em Genebra, Suíça, no mesmo dia em que a Direção-Geral da Saúde (DGS), em Portugal, anunciou haver 59 pessoas diagnosticadas com COVID-19 em Portugal.

Declarar esta situação como uma pandemia não muda a avaliação da OMS sobre a ameaça que este coronavírus representa

O diretor-geral da OMS alertou que "pandemia não é uma palavra para se usar de ânimo leve ou de forma descuidada". "É uma palavra que, mal utilizada, pode causar medo irracional ou uma aceitação injustificada de que a luta acabou, levando a um sofrimento e morte desnecessários", comentou Tedros Adhanom Ghebreyesus.

"Declarar esta situação como uma pandemia não muda a avaliação da OMS sobre a ameaça que este coronavírus representa", frisou. "Não muda o que a OMS está a fazer e nem o que os países devem fazer", advertiu ainda.

Para evitar criar o pânico, Ghbreysus acrescentou, "não podemos dizer isto de forma mais clara ou contundente: todos os países podem mudar o curso desta pandemia". "Estamos nisto juntos e precisamos de fazer com calma aquilo que é necessário", frisou o responsável da OMS.

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O que é uma pandemia?

O termo "pandemia" é usado para descrever situações em que uma doença infeciosa ameaça milhares de pessoas em simultâneo e em várias partes do mundo. Um exemplo recente é o da gripe suína (Gripe A), que em 2009 matou centenas de milhares de pessoas.

As pandemias acontecem, em geral, quando há um vírus novo capaz de infetar seres humanos com a facilidade de ser transmitido de pessoa para pessoa de forma eficaz e continuada. O novo coronavírus, pelo que se sabe até agora, tem essas características.

De acordo com as descrições da OMS, uma pandemia exige que um vírus se espalhe pelos seres humanos em grande escala por vários países. Para se declarar uma pandemia são necessárias três condições:

  • O aparecimento de uma nova doença;
  • O agente infecioso ameaça humanos, causando uma doença potencialmente fatal;
  • O agente espalha-se de forma eficaz e continuada entre seres humanos.

A última vez que a OMS declarou uma pandemia foi em 2009, no caso da Gripe A, tratando-se da primeira vez que se considera uma epidemia provocada por um coronavírus como uma pandemia.

Veja em baixo o mapa interativo com os casos de coronavírus COVID-19 em todo o mundo:

Se não conseguir ver o mapa desenvolvido pela Universidade Johns Hopkins, siga para este link.

O número de pessoas infetadas desde dezembro pelo novo coronavírus em todo o mundo aumentou para 118.554, das quais morreram pelo menos 4.281, segundo um balanço feito há poucas horas pela agência noticiosa France-Presse (AFP), com dados atualizados às 09h00 de hoje.

A China (excluindo os territórios de Hong Kong e Macau), onde a epidemia eclodiu no final de dezembro, teve 80.778 casos, incluindo 3.158 mortes. Entre as 17h00 de terça-feira e as 09h00 de hoje foram anunciadas 24 novas infeções e 22 novas mortes neste país. 

Recomendações da DGS

A DGS acompanha a situação da expansão do novo coronavírus e recomenda:

  • Em Portugal, caso apresente sintomas de doença respiratória e tenha viajado de uma área afetada pelo novo coronavírus, as autoridades aconselham a que contacte a Saúde 24 (808 24 24 24). Caso se dirija a uma unidade de saúde deve informar de imediato o segurança ou o administrativo.
  • Evitar o contacto próximo com pessoas que sofram de infeções respiratórias agudas; evitar o contacto próximo com quem tem febre ou tosse;
  • Lavar frequentemente as mãos, especialmente após contacto direto com pessoas doentes, com detergente, sabão ou soluções à base de álcool;
  • Lavar as mãos sempre que se assoar, espirrar ou tossir;
  • Evitar o contacto direito com animais vivos em mercados de áreas afetadas por surtos;
  • Adotar medidas de etiqueta respiratória: tapar o nariz e boca quando espirrar ou tossir (com lenço de papel ou com o braço, nunca com as mãos; deitar o lenço de papel no lixo);
  • Evitar o consumo de produtos de animais crus, sobretudo carne e ovos;
  • Seguir as recomendações das autoridades de saúde do país onde se encontra.

Em outras partes do mundo, foram registados 37.776 casos (1.190 novos) até às 09h00 de hoje, incluindo 1.123 mortes (oito novas).

Os países mais afetados depois da China são Itália (10.149 casos, 631 mortes), Irão (3.042 casos, 291 mortes) a Coreia do Sul (7.755 casos, dos quais 242 são novos, 242 mortes) e França (1.784 casos, dos quais 178 novos, e 33 mortes). Desde as 17h00 de terça-feira, China, Espanha, França e Estados Unidos registaram novas mortes, enquanto a Bélgica e o Panamá anunciaram novas mortes ligadas ao Covid-19. O Brunei e a Turquia anunciaram o diagnóstico dos primeiros casos.

A Ásia registou até às 09h00 de hoje 90.511 casos (3.230 mortes), Europa 18.110 casos (716 mortes), no Médio Oriente 8.566 casos (299 mortes), Estados Unidos e Canadá 989 casos (29 mortes), Oceânia 129 casos (três mortes), África 111 casos (duas mortes), América Latina e Caraíbas 138 casos (duas mortes).

59 casos em Portugal

Em Portugal há 59 pessoas diagnosticadas com COVID-19, segundo o mais recente balanço da Direção-Geral da Saúde, hoje divulgado.

O Governo decidiu suspender todos os voos com destino ou origem nas zonas mais afetadas em Itália, recomendando também a suspensão de eventos em espaços abertos com mais de 5.000 pessoas. Ordenou também a suspensão temporária de visitas em hospitais, lares e estabelecimentos prisionais na região Norte, a mais afetada.

Foram também encerrados alguns estabelecimentos de ensino, sobretudo no Norte do país, assim como ginásios, bibliotecas, piscinas e cinemas.

Os residentes nos concelhos de Felgueiras e Lousada, no distrito do Porto, foram aconselhados a evitar deslocações desnecessárias.

Um pouco por todo o país, centenas de eventos têm sido cancelados num esforço conjunto para travar a propagação do COVID-19.

Acompanhe aqui, ao minuto, todas as informações sobre o novo coronavírus em Portugal e no mundo.

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