Numa carta dirigida aos médicos, a Sociedade de Pediatras de Cuidados Intensivos do Reino Unido adiantou que "nas últimas três semanas, houve um aumento aparente no número de crianças de todas as idades com um estado inflamatório multissistémico que requer cuidados intensivos em Londres e também em outras regiões do Reino Unido".

A informação refere que o problema foi observado em crianças com e sem coronavírus, mas testes mostraram que algumas das crianças já haviam sido infetadas com o coronavírus SARS-CoV-2.

Numa comunicação adicional hoje na rede social Twitter, a organização vinca que a complicação, designada por Síndrome Kawasaki, foi identificada num "número pequeno de casos com um quadro clínico invulgar possivelmente relacionado com a COVID-19”.

Na carta dirigida aos médicos, a Sociedade de Pediatras de Cuidados Intensivos do Reino Unido alerta para a importância da referenciação célere de doentes pediátricos com dor abdominal e outros sintomas gastrointestinais, como vómitos ou diarreia, pelo risco de se tratar de uma complicação grave embora rara da infeção pelo vírus SARS-CoV-2.

Em declarações ao SAPO, a médica pediatra Joana Martins, da Unidade de Cuidados Intensivos Pediátricos do Hospital Dona Estefânia, Lisboa, diz que, inicialmente, "na população adulta o grande foco de atenção diagnóstica foi dirigido para a sintomatologia respiratória, pelo risco de desenvolvimento de um quadro agudo muito grave que se chama Síndrome de Dificuldade Respiratória Aguda", porque "esta seria a principal causa de mortalidade no doente adulto".

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"No entanto, na população adulta, sempre houve uma franja de doentes graves que não apresentavam a Síndrome de Dificuldade Respiratória Aguda, mas desenvolviam uma resposta imunitária desregulada à infeção pelo vírus SARS-CoV-2 com enorme risco de mortalidade", acrescenta. "Estranhamente, achávamos que as crianças, por terem um sistema imunitário menos capaz de desencadear uma tempestade imunológica, seriam poupadas desta evolução grave. E de facto, na esmagadora maioria dos casos, são-no", salvaguarda.

No entanto, há casos de "doentes pediátricos graves, com uma síndrome hiperinflamatória, que parece ser muito semelhante a uma vasculite designada Doença de Kawasaki".

Resposta do sistema imunitário ataca corpo humano

Por outras palavras, a médica pediatra Joana Martins explica que a infeção pelo vírus SARS-CoV-2, em casos raros, "parece ativar o sistema imunitário humano de uma forma tão intensa que desencadeia uma resposta que, se inicialmente teria como objetivo ser protetora, acaba por ser muito adversa para o próprio doente, gerando lesão sistémica - pulmonar, renal, cardíaca e vascular - e que, se não for ativamente travada pode, por si só, ser letal".

"O que o comunicado da Sociedade de Pediatras de Cuidados Intensivos do Reino Unido veio alertar foi para a realidade da existência desta síndrome hiperinflamatória também na população pediátrica. Sobre a real incidência desta síndrome nas crianças, não sabemos", admite.

De acordo com o balanço de hoje do Ministério da Saúde britânico, o Reino Unido registou 21.092 óbitos durante a pandemia COVID-19, e o número total de casos de contágio é agora de 157.149.

A pandemia já provocou mais de 206 mil mortes no mundo e infetou quase três milhões. Em Portugal, morreram 928 pessoas das 24.027 confirmadas como infetadas, segundo a Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Para combater a pandemia, os governos mandaram para casa 4,5 mil milhões de pessoas (mais de metade da população do planeta), encerraram o comércio não essencial e reduziram drasticamente o tráfego aéreo, paralisando setores inteiros da economia mundial.

Portugal cumpre o terceiro período de 15 dias de estado de emergência, iniciado em 19 de março, e o Governo já anunciou a proibição de deslocações entre concelhos no fim de semana prolongado de 01 a 03 de maio.

Veja o vídeo: Como lavar bem as mãos para se ver livre de vírus e outros microorganismos?

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