Em declarações à agência Lusa, o presidente da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos, Duarte Soares, explicou à agência Lusa que os projetos-piloto “Porto Compassivo” e “Amadora Compassiva” estão a arrancar agora e são financiados pela Fundação La Caixa.

“Estes projetos têm como objetivo reforçar aquilo que é o papel social das comunidades, de reforçar a estrutura comunitária junto daqueles que são os doentes mais necessitados”, disse.

No entendimento de Duarte Soares, estes projetos podem contribuir para que os doentes consigam permanecer no seu domicílio o maior tempo possível em detrimento dos hospitais, criando grupos de voluntariado junto dos mais frágeis.

“Numa perspetiva voluntarista, estes grupos podem contribuir para as atividades diárias, a higiene, as compras, no fundo criar novas redes comunitárias com doentes identificados”, salientou.

A formação dos cuidadores informais e a sensibilização da comunidade em geral, das escolas, de todo o tecido social em volta dos doentes são outros objetivos dos dois projetos-piloto.

“Precisamos de olhar de forma mais ativa para estes doentes, contribuindo com ações concretas para o dia a dia destas pessoas. A alta hospitalar deve ser feita de uma forma mais segura, transparente e mais próxima. É também importante formar voluntários e os próprios cuidadores da família”, disse.

Os projetos-piloto, promovidos pela Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos, vão decorrer durante todo o ano de 2020 na cidade da Amadora e em três freguesias do Porto (Paranhos, Campanhã e Bonfim) e os resultados serão posteriormente apresentados oficialmente.

De acordo com Duarte Soares, Portugal tem de refletir na ideia de que para manter os doentes no domicílio tem de haver mais ambição.

“Somos hospitalocêntricos. A única forma de reforçar a presença dos doentes em casa é, além de serviços clínicos especializados que possam ir ao domicílio, envolver também a comunidade à volta da família”, sublinhou.

Os dois projetos-piloto venceram o concurso “Portugal Compassivo – Laços que cuidam”, apoiado pela Fundação La Caixa, no âmbito do concurso lançado para Apoio a Movimentos Associativos.

As comunidades compassivas são, segundo o responsável, uma “resposta ao desafio colocado a uma sociedade em envelhecimento”.

O projeto “Porto – Cidade Compassiva/Porto Oriental – Comunidade Compassiva” está a ser implementado nas três freguesias da área de referência do Serviço de Cuidados Paliativos, do Centro Hospitalar Universitário de S. João.

A apresentação pública do projeto realiza-se no dia 20 no salão da Assembleia Municipal do Porto, estando prevista a presença do presidente da câmara, Rui Moreira.

No concelho da Amadora, o projeto “Amadora Cidade Compassiva” é promovido pela Cooperativa LInQUE – Cuidados Paliativos em casa.

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