Como forma de dar resposta a todas as alterações que acompanham o processo de envelhecimento e perante a incapacidade sentida, por parte das famílias, no sentido de conciliar as exigências da sociedade atual, nomeadamente no que respeita aos compromissos profissionais, cuidados dos filhos, múltiplas atividades a desenvolver em simultâneo, com a prestação de cuidados aos seus familiares idosos, surge a institucionalização dos mesmos em lares. Se, por si só, o avançar da idade se constitui como um desafio contínuo, lidar com um processo de institucionalização revela-se mais uma transformação significativa a ter em conta.

Todo o processo de institucionalização implica uma série de mudanças nas rotinas diárias, particularmente no que se refere à adaptação a um ambiente e pessoas desconhecidas, cumprimento de regras e horários, alteração do papel do indivíduo na sociedade e afastamento familiar. Estes aspetos tendem a acentuar o declínio cognitivo na pessoa idosa, o aparecimento de sintomatologia depressiva e a evolução de quadros demenciais, resultado de um decréscimo significativo ao nível da socialização e da presença de estímulos. Com o objetivo de colmatar e atrasar a deterioração das funções cognitivas e reduzir a sintomatologia depressiva, a estimulação cognitiva e sensorial assume um papel de extrema relevância.

Estimular a mente, através da experiência de sensações que envolvam os sentidos, tem revelado ser uma das melhores formas de garantir um envelhecimento saudável, atuando de forma positiva em áreas como a memória, a concentração, a atenção, a linguagem, o pensamento e as capacidades visuoespaciais. Desenvolver estas tarefas promove a autonomia e independência do idoso e, consequentemente, a sua autoestima, o que permite melhorias no estado geral de saúde dos mesmos.

Assim, ao fomentar o envelhecimento ativo, torna-se possível que cada idoso possa alcançar o seu potencial máximo e viver com tanta qualidade de vida quanto possível.

Com toda a conjuntura pandémica que o mundo tem vindo a atravessar, os idosos, sobretudo os que se encontram institucionalizados, têm vivido, ao longo do último ano, privados de qualquer proximidade física com os seus familiares e distanciados dos seus pares dentro da instituição, verificando-se uma quase inexistência de estímulos exteriores. Desta forma, a estimulação cognitiva e sensorial assume um papel cada vez mais preponderante, na medida em que torna possível atenuar os efeitos adversos causados por todo o isolamento social que estes têm vindo a experienciar.

É deveras importante que o caminho a seguir seja feito no sentido de implementar estratégias cuja finalidade primordial seja conceder o máximo de dignidade à pessoa idosa, reconhecendo e valorizando o papel significativo que estes já desempenharam, em prol da nossa sociedade. Esta é a filosofia do Círculo de Mestres e que é transversal a todas as residências sénior que agrega.

Não se trata apenas de acrescentar anos à vida, mas, acima de tudo, de acrescentar vida aos anos.

Um artigo de Catarina Rodrigues, psicóloga do Círculo de Mestres.

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