Esperávamos que fosse diferente, que nos devolvesse o que 2020 nos tirou, que nos trouxesse paz, liberdade, saúde e proximidade. Mas foi tudo ao contrário. O novo ano trouxe consigo sobrecarga, desespero, cansaço, sistemas em rutura e aflição ao ver os noticiários relatar filas intermináveis de ambulâncias. Trouxe consigo o medo... Medo de algo acontecer a nós e aos nossos e podermos não ter auxílio, medo das consequências ainda desconhecidas desta nova doença, medo de por o pé na rua... Outra vez... Como se “o bicho” estivesse à espreita.

Vimos o cerco apertar, vimos as pessoas à nossa volta ficar infetadas, começamos a sentir que a seguir seríamos nós, que não teríamos escapatória possível, por mais cuidadosos que fossemos.

Fomos avisados, é certo. Ninguém disse que este seria um ano fácil. Todos esperavam um agravamento da situação pandémica. Mas estávamos longe de imaginar o que janeiro nos reservava poucos dias após a sua chegada.

Janeiro foi difícil! Enquanto profissional da psicologia em atendimento presencial, pude senti-lo

Confrontados com um novo confinamento, assistimos ao desespero, ao trabalho escondido...agora trabalhar passou a ser crime. Um dos valores fundamentais de qualquer sociedade, o trabalho, é-nos vedado em prol da nossa saúde e, em última instância, da nossa sobrevivência. Temos empresas à beira da ruína, sem saber se estão a tentar ou a teimar no impossível. Muitas ainda num processo de não aceitação de que pode mesmo ser o fim. Muitas a tentar salvar aquilo que são não apenas projetos profissionais mas também pessoais, de modo a evitar o destruir de um sonho.

Janeiro foi difícil! Enquanto profissional da psicologia em atendimento presencial, pude senti-lo. Nunca até este momento sentimos tanta carga e energia negativa. Como se cada um carregasse um peso incalculável. Mais do que um início de ano conturbado, mantinha-se e agravava-se a incerteza, a imprevisibilidade, a incapacidade de controlarmos...logo nós, seres humanos e, como tal, com enorme necessidade de controlo.

Fizemos votos de coisas melhores, mas uma semana depois estávamos à beira do precipício. De um ano que condensava a nossa esperança e fé, chegou afinal o pior cenário. Sabíamos que seria difícil, mas não precisava ser tanto!

Este ano começa com uma terrível desilusão e ao mesmo tempo com a maior das esperanças, a vacina. Quem sabe este ano possa ainda redimir-se daquilo que nos fez assim que chegou.

Este é o risco das grandes expectativas. Podem transformar-se em grandes desilusões. Façamos a nossa parte. Seguramente haveremos de conseguir.

Um artigo da psicóloga clínica Catarina Lucas.

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