As perturbações alimentares são um grupo de perturbações psicológicas que se caracterizam pela distorção da imagem corporal e pela compulsão avassaladora de controlar o peso e/ou a forma, muitas vezes a um custo extremo para o indivíduo. Estima-se que estas perturbações estejam em 1 a 2% da população em geral, maioritariamente em mulheres jovens. No entanto, qualquer pessoa - incluindo homens, jovens e adultos mais velhos de qualquer sexo - pode desenvolver uma perturbação alimentar.

As perturbações alimentares são caracterizadas por hábitos de alimentação pouco saudáveis, obsessivos e desordenados, assim como por sintomas emocionais e físicos. Estas incluem a anorexia nervosa (inanição voluntária), a bulimia nervosa (compulsão alimentar seguida de purgação), a perturbação da compulsão alimentar (compulsão alimentar sem purga) e outros perturbações alimentares não especificadas (perturbação alimentar com padrões que não se enquadram noutra categoria).

O que causa as perturbações alimentares?

Não existe uma causa única. Alguns dos fatores associados a estas perturbações incluem fatores biológicos, pressões sociais e interpessoais, e a própria história familiar da pessoa. As preocupações com a imagem corporal e alguns traços de personalidade (como por exemplo, o perfeccionismo e a obsessão) fazem com que estas perturbações possam ser acompanhadas por quadros clínicos de depressão e/ou ansiedade.

Uma relação perturbada com a comida e a sensação de fragilidade emocional são encontradas em todas as perturbações alimentares. Geralmente começam por ser despercebidas, ou seja, uma pessoa come um pouco mais ou um pouco menos do que o normal e a vontade de comer mais ou comer menos torna-se cada vez mais forte até se tornar o foco da existência da pessoa.

Acredita-se que a cultura também desempenhe um papel significativo, pois as pessoas - especialmente as mulheres - são pressionadas a adequarem-se a um ideal de beleza que é amplamente definido pelo peso. Também as famílias podem contribuir negativamente para o desenvolvimento de uma perturbação deste tipo, sobretudo quando os pais enfatizam a aparência, incentivam a dieta ou criticam o corpo dos filhos.

Outras circunstâncias também podem influenciar o seu desenvolvimento, tais como stresse intenso, solidão, depressão, trauma ou até uma dieta.

Quais são os sinais e sintomas das perturbações alimentares? 

As perturbações alimentares envolvem distúrbios relativos à forma como os indivíduos comem e percebem o seu corpo e peso, podendo esses distúrbios manifestar-se de maneiras muito diferentes:

  • Perda dramática de peso ou recusa a comer (sinal óbvio);
  • Desenvolvimento de rotinas rígidas em torno das refeições - comer apenas alimentos específicos ou em horários específicos - ou começar a exercitar obsessivamente (sinais subtis);
  • Ir à casa de banho após as refeições, no caso de bulimia, ou comer, no caso da perturbação da compulsão alimentar periódica (sinais ocultos).

Os sintomas de saúde mental também podem surgir ou ser agravados pela doença. Pessoas com perturbações alimentares podem tornar-se mais retraídas, evitando pessoas ou atividades de que gostavam anteriormente, ou podem ter problemas com alterações de humor e ansiedade.

Dicas para ultrapassar a quadra festiva com equilíbrio

  1. Falar de comida e ver tanta comida disponível é avassalador. Para o evitar, planeie as suas refeições com antecedência e fale com os seus familiares sobre as suas preocupações. Cheguem a um acordo sobre o que será servido, a que horas, as quantidades, para que tudo possa estar sob controlo. Tenha estímulos distratores durante as refeições e após as mesmas (música de fundo, conversas, jogos).
  2. Como é que posso sentir-me menos preocupada(o) com os comentários que as outras pessoas possam fazer sobre o que estou a comer? A melhor forma é combinar com as pessoas mais próximas um sinal de “ajuda”. Se não for capaz de reagir aos comentários das pessoas, faça um sinal previamente estipulado para as pessoas mais próximas e elas poderão intervir a seu favor, se não for capaz de fazê-lo sozinha(o). É bom sentir que alguém o poderá ajudar, caso necessite.
  3. O que fazer se se sentir demasiado stressada(o)? Nada a(o) impede de se retirar por uns momentos para um local tranquilo e fazer alguns exercícios de respiração e relaxamento. Poderá ser necessário fazê-lo mais do que uma vez e não há qualquer problema nisso.
  4. Procure ajuda especializada para organizar a quadra festiva e realizar um plano de ação que o faça sentir-se apoiado e no controlo durante todo o processo. A terapia cognitivo-comportamental tem demonstrado eficácia no tratamento destas perturbações, podendo ser um grande auxílio durante as épocas festivas.

É importante que se sinta apoiada(o) e acompanhado durante este período desafiante, para que o ultrapasse com a maior serenidade possível. Não está sozinha(o) nesse processo. Procure ajuda atempada para ter melhores resultados.

Um artigo da psicóloga clínica Laura Alho, da MIND | Psicologia Clínica e Forense.

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