A mesa é dos temas que mais angustia os pais, preocupados com o facto dos filhos, eventualmente, se estarem a alimentar mal. Angústia que, muitas vezes, arrasta consigo o facilitismo face à birra. O tempo para a família também escasseia. Entram em campo estratégias como o “aviãozinho”, os ecrãs e todo um aparato de mimicas e expressões, para evitar o conflito naquele que, muitas vezes, é o único momento em família do dia.

Na alimentação, tal como nas diferentes dimensões da nossa vida, também há muito de aprendizagem e de treino. Campo onde os pais desempenham papel fulcral.

Por mais que nos esforcemos a explicar aos nossos filhos que o espinafre faz bem e que uma mousse de chocolate, menos bem, as crianças percebem que o espinafre amarga e o chocolate adoça. Como fazer então para mudar a bitola desta perceção do gosto intrínseca à natureza humana?

Filipa Sommerfeldt Fernandes, especialista em sono infantil, transpôs a sua experiência no terreno para o campo da alimentação dos mais pequenos, sintetizando-a no livro “Comer sem birras” (edição Manuscrito). Escutou famílias, estudou sobre o tema por forma a encontrar as melhores estratégias para levar as crianças a comerem com variedade e sem birras.

A autora, apresenta-nos um plano de seis semanas que serve a dois tempos para recuperar a harmonia à mesa e redefinir com as crianças a lista dos alimentos “amados”, expondo-os ao contacto com os ingredientes que compõem o prato. Há que deixar as crianças mexer, conhecer, provar e experimentar.

À conversa com o SAPO Lifestyle, Filipa Sommerfeldt, esclarece-nos sobre o que realmente significa “comer bem”, a diferença entre fome física e emocional e em que ponto podemos afirmar que a alimentação da criança se tornou um problema. Uma mensagem que chega com esperança: há sempre a oportunidade para praticar a mudança.

Choro, birras e stresse à mesa quem os quer? Educar as crianças para a alimentação com Filipa Sommerfeldt Fernandes
Filipa Sommerfeldt Fernandes, autora do livro "Comer sem birras" e especialista em sono infantil. créditos: Filipa Sommerfeldt Fernandes

O seu livro é menos sobre alimentação e mais sobre a questão comportamental. Pode elucidar-nos?

Não sou nutricionista. Não pretendo dizer aos pais o que os filhos devem comer e sim como os podem ajudar a que comam de forma mais feliz, mais tranquila, sem guerras e também que, desta forma, vão abrindo as portas a grupos de alimentos que à partida são excluídos por muitos miúdos. Não é um livro sobre o que comer, mas como comer. Sou terapeuta de sono infantil. Trabalho diariamente com famílias que têm filhos que dormem mal durante meses ou anos.

Muitos pais, depois de resolvida essa questão, vinham perguntar-me: "E agora, Filipa? Como posso ajudar que a hora das refeições não seja uma guerra?". O que fui percebendo é que na alimentação também há muito de comportamento, de aprendizagem e de treino. Treino, não daquela forma mecânica de acharmos que todas as crianças são iguais, mas da forma de hábito, costume, repetição. E que quando, nós pais, nos organizamos nessa parte, acabamos por fomentar os comportamentos à mesa que desejamos: crianças que estão à mesa, que se alimentam de forma variada e para quem a hora da refeição não tem de ser um jogo de forças com os pais, uma chatice sem fim ou um momento para estar perdido a olhar para um ecrã.

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Num mundo onde os pequenos têm pouco controlo, as birras à mesa poderão ser uma afirmação de domínio sobre os pais?

Claro que sim. Nós escolhemos quase tudo o que os nossos filhos fazem. Na verdade, eles têm muito pouco controlo sobre o que se passa nas suas vidas. Por isso, sempre que têm possibilidade de realmente mandar em qualquer coisa, é certo que o vão querer fazer. Por mais que tentemos, não conseguimos fazer com que os nossos filhos engulam uma ervilha se eles assim não o quiserem.

Normalmente, esta vontade de controlar não é a razão principal que leva uma criança a não querer comer. Mas é mais um dos fatores que influencia a “falta de apetite”, principalmente quando escolhemos para eles opções alimentares de que não gostam. Como adultos, conhecemos quais são as melhores opções alimentares. Conhecemos o que devemos ou não comer, o que nos faz bem ou mal e quais as escolhas mais saudáveis. Podemos optar por comer alimentos vazios em termos nutricionais, mas são escolhas conscientes. Já os nossos filhos não têm essa noção. Não sabem se os espinafres são mais saudáveis do que a taça de mousse de chocolate. O que eles verdadeiramente sabem é que uma sabe-lhes muito bem (normalmente a mousse) e por isso vão querer optar por ela. Nós até podemos inventar que a cenoura faz os olhos bonitos e que os espinafres os tornam fortes, mas eles sabem que o chocolate é bom e os espinafres são amargos. E sim, este é mais um fator que influencia o comportamento dos nossos filhos na hora de quererem ou não “comer bem”.

Acabamos por optar por caminhos mais fáceis: colocar um ecrã à frente da criança, deixá-la só comer o que quer, entre outras estratégias.

A alimentação dos filhos é tema que angustia os pais. Será por isso que cedem às birras?

Acredito que a maioria dos pais cede às birras à mesa por dois motivos. Primeiro porque sim, é um tema que os angustia. Não queremos pensar que os nossos filhos não estão bem alimentados ou que podemos estar a influenciar de forma negativa o seu desenvolvimento e saúde. Segundo, porque infelizmente a maioria dos pais tem pouco tempo. A vida é apressada. Chegamos tarde a casa e precisamos de cumprir uma série de tarefas entre jantares, banhos, trabalhos escolares e domésticos. Estar à mesa é, para muitas famílias, o único momento em família do dia. E estar no único momento em família a refilar, a impingir, a negociar, em birra entre pais e filhos, não é algo que queiram. É perfeitamente compreensível. Então, acabamos por optar por caminhos mais fáceis: colocar um ecrã à frente da criança, deixá-la só comer o que quer, entre outras estratégias.

Choro, birras e stresse à mesa quem os quer? Educar as crianças para a alimentação com Filipa Sommerfeldt Fernandes
créditos: Kelly Sikkema/Unsplash

Ter fome é uma questão fisiológica, comer bem é um hábito adquirido. Como podemos definir este comer bem no caso de uma criança?

"Comer bem" numa criança vai depender de tantos fatores. Vai depender das expectativas da família e da sociedade em que vive. Vai depender do seu grau de saúde e de crescimento. Vai depender do seu apetite e alegria com que come e experimenta novos alimentos. Eu diria que "comer bem" pode ser definido como comer de forma variada, ter apetite às refeições (adequado à criança, à sua idade e personalidade) e entender que há gostos próprios e que se a criança não gosta de espinafres mas come brócolos não há porque forçar ou achar que tem de comer brócolos e espinafres. Mas que significa que a criança experimenta e gosta de diferentes grupos alimentares e não faz frequentemente uma birra quando lhe é apresentado algo diferente.

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Qual a diferença entre as fomes física e emocional?

A fome física surge quando o organismo tem de suprir as necessidades energéticas e nutricionais, essenciais ao seu bom funcionamento, através da alimentação. Surge de forma gradual e dá-lhe sinais de forma constante e com aumento progressivo de intensidade, como por exemplo as sensações que o seu estômago lhe transmite: se sente algum desconforto, o estômago “vazio” ou até mesmo a “fazer barulhos”. Com o passar do tempo, se não se alimentar, pode mesmo sentir alguma fraqueza física ou até dor de cabeça. A fome física incentiva-o a alimentar-se assim que possível, mas não o obriga a comer de imediato.

Já a fome emocional é independente das necessidades energéticas e nutricionais do indivíduo, expressando-se pela vontade de comer em função do estado emocional. A fome emocional surge subitamente, isto é, num momento não está a pensar em alimentos, no minuto seguinte está com uma fome voraz. Neste caso, baseia-se naquilo que o seu cérebro está a pensar, sendo um desejo emocional e não uma necessidade. Torna-se, desta forma, urgente alimentar-se da refeição desejada e imaginada para atenuar a carência emocional. Por exemplo, nas crianças, pode estar associada a momentos de frustração ou de dor (a criança magoa-se ou está chateada ou triste e é "curada" com um gelado ou um chocolate).

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"O que fui percebendo é que na alimentação também há muito de comportamento, de aprendizagem e de treino". créditos: Filipa Sommerfeldt Fernandes

Que sinais nos indicam que a alimentação dos nossos filhos se tornou um problema?

Aquilo que para mim pode ser indicador de um problema, pode não ser para outra mãe ou para outra família. Ou seja, eu poderia dizer que indicadores de problema poderiam ser: um filho que só come com um tablet à frente, um filho que não come legumes ou frutas ou peixe ou outro grupo de alimentos que são saudáveis e importantes. Um filho que faz birras à mesa, que atira com o prato para o lado e que só quer comer pequenos grupos de alimentos que não são saudáveis, mas que lhe sabem bem. No entanto, acredito que estes sinais mudem de acordo com as famílias. Para muitas pode ser apenas o ecrã, para outras o ecrã não ser problema nenhum. Digamos que, se a forma como a criança se alimenta pode comprometer a sua saúde e compromete a harmonia da família, então que devem tentar mudar.

Poderia dizer que indicadores de problema poderiam ser: um filho que só come com um tablet à frente, um filho que não come legumes ou frutas ou peixe ou outro grupo de alimentos que são saudáveis.

De acordo com a Filipa, não devemos de perguntar à criança se gosta de determinado prato/alimento. Porquê?

Simplesmente porque isso as condiciona e pode impedir que sequer experimentem. Com isto não estou a dizer que devemos ser insensíveis aos gostos das crianças, mas sabemos que para entendermos se de facto não gostamos de algo temos de ter experimentado esse alimento pelo menos 15 vezes. Daí que costume dizer aos miúdos: "não tens de gostar. Podes cuspir se quiseres. Mas tens de experimentar. Só experimentar. E depois logo vês se gostas". E se não gostar hoje, pode ser que goste noutro dia, noutro momento, cozinhado de outra forma, noutro contexto.

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créditos: Logan Cameron/Unsplash

O seu livro apresenta-nos um plano de seis semanas. Quais são os pilares deste seu programa?

O livro vem em forma de "plano". O que não quer dizer que seja inflexível e militar sem lugar às particularidades de cada criança e família. Mas diria que os pilares fundamentais assentam, primeiro, no entender que a comida não é moeda de troca. Ou seja, quando as dificuldades surgem, muitos pais acabam por fazer uma negociação constante com os filhos: “se comeres tudo, tens um doce”, “se comeres os brócolos, vamos ao cinema”. O que acontece é que essa negociação vai resolver uma questão pontual. Mas começa a desenvolver um problema – por vezes de grande dimensão – que se alastra a todos os momentos das refeições.

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Num segundo momento, há que entender que não devemos de obrigar a comer (mas também não desistir ao primeiro “não”). A regra deve sempre ser "não tens de gostar, mas tens de experimentar". Acredito que não devemos obrigar a comer nem compensar com petiscos as falhas nas refeições, mas também não devemos desistir ao primeiro “não”. Com os miúdos, muitas vezes o “não”, não significa mesmo “não”. Significa quase sempre “agora não” ou “ainda não”. Pesquisas e estudos mostram que pode demorar dez a quinze tentativas até uma criança pequena aceitar um novo alimento. Por isso não há necessidade de forçá-la a comer de cada vez que lhe apresenta o prato. Se ela não quiser, tudo bem. Ofereça-lhe outra vez noutro momento.

Que etapa se segue no seu plano?

Fingir que não nos enervamos e que não damos importância. A verdade é que quanto mais importância damos ao facto de eles recusarem comer o que lhes colocamos no prato, mais controlo eles sentem que têm (e têm, na realidade) e mais esse comportamento se consolida. Se estiver constantemente com os cabelos em pé a seguir cada percurso que a colher faz até à boca do seu filho, a pedir para que coma, a implorar, a cantar, a mostrar vídeos ou a fazer birras (sim, porque nós também fazemos birras), o mais provável é que o seu filhote perceba que é algo que enerva os pais e vai continuar a fazê-lo pois sente que está na posição de controlo.

Uma dica: finja que não se importa. Respire fundo. Se mal ele se senta à mesa lhe diz “não quero”, “não gosto”, diga-lhe algo como “Tudo bem. Não precisas de comer se não quiseres. Mas não te esqueças de que não haverá mais nada para comer a seguir”.

Depois, como quarto ponto, há que ter em atenção a quantidade.

Não há uma quantidade exata de alimentos para uma criança: isso é influenciado pela idade, pela estatura, pelo gasto energético, pelas refeições anteriores e por muitos outros fatores. Sabe-se, no entanto, que à maioria das crianças corresponde um determinado padrão e, na verdade, se os pais verificarem qual é essa quantidade ficarão surpreendidos com a pequena quantidade de alimentos de que os filhos verdadeiramente necessitam. É muito comum os pais julgarem mal as quantidades de comida de que os filhos precisam e assumir que eles simplesmente comem pouco.

Não há uma quantidade exata de alimentos para uma criança: isso é influenciado pela idade, pela estatura, pelo gasto energético, pelas refeições anteriores e por muitos outros fatores.

Finalmente…

Há que preparar a cozinha e a despensa. Uma cozinha típica tem uma despensa e um frigorífico abastecidos com alimentos variados e saudáveis e com alguns snacks menos recomendáveis que, de vez em quando, nos apetece. Um adulto abre o frigorífico e escolhe o que quer comer não só porque sabe bem, mas também porque faz bem. Mas tem a opção de escolher algo que sabe que não faz bem, mas que lhe apetece naquele momento. Nada de errado. Muitas vezes não fazemos as escolhas certas, mas temos perfeita noção de que efetivamente aquela não é a melhor escolha para a nossa saúde.

As crianças ainda não têm este conhecimento e capacidade. Vão abrir o frigorífico e sentir-se atraídas pelos alimentos que lhe parecem mais saborosos sem qualquer peso de culpa ou de responsabilidade em cima. Por isso, é importante preparar a cozinha e a sua despensa para que possa organizar aquilo que tem à vista das crianças. Não lhe digo para deixar de tocar em alimentos que não fazem bem ou que estão cheios de calorias vazias. Mas quando, de facto, este tipo de alimentos existe nas nossas casas, então a melhor opção é colocar à vista dos mais pequenos os alimentos mais saudáveis e deixar aqueles petiscos que nós não queremos que eles comam dentro de recipientes e em locais onde não sejam facilmente avistados.

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créditos: Manuscrito/Daniela Sousa

É um plano flexível, adaptando-se a diferentes realidades?

É um livro, e como livro tenta chegar, da forma mais abrangente e transversal possível, à maioria das famílias. No entanto, como será óbvio, não chegará a todos os problemas de todas as famílias e haverá coisas que apenas conversadas de forma particular poderão ser entendidas. No entanto, acredito que é um plano que está pensado para diferentes idades e para responder aos problemas mais comuns de diferentes grupos etários.

A capa do seu livro, apresenta-nos três crianças em contacto direto com frutas e vegetais. A educação à mesa passa por esta ligação dos mais jovens à origem dos produtos e sua manipulação?

Sem dúvida. Tocar, deixar as crianças mexer nos alimentos, conhecê-los, prová-los e experimentá-los. É essencial para que os alimentos não sejam estranhos à criança. O contacto direto e não apenas cozinhado ou cru no prato é muito importante para a criança se "dar bem" com os alimentos ditos saudáveis.

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créditos: Danielle MacInnes/Unsplash

A Filipa não tem uma perspetiva estanque no que respeita à introdução de novos alimentos nas refeições do bebé/criança. Inclusivamente, aponta questões de ordem cultural para sustentar esta abordagem. Pode pormenorizar?

A introdução alimentar é cultural e geográfica. É feita de forma totalmente díspar em diferentes partes do globo. Por exemplo, se os bebés no Alasca começam por comer gordura de foca e algas marinhas para depois passarem a comer bagas e raízes, na Suécia a diversificação alimentar inicia-se por papas de aveia, banana esmagada ou puré de vegetais.

Se no Japão os pequeninos comem puré de arroz e peixe seco com vegetais, na Índia são apresentados às especiarias aos seis meses. Isto para dizer que há poucos alimentos que de facto são proibidos na alimentação das crianças. Dependendo da zona do globo, da cultura do sociedade e contexto da família, a diversificação alimentar faz-se de diferentes formas. Daí eu acreditar que não devemos ser estanques. E que devemos apresentar aos nossos bebés uma variedade grande de sabores e texturas desde cedo para que eles possam apreender, na janela de tempo ótima, tudo o que necessitam para crescerem tendo prazer na alimentação.

Em complemento ao livro “Comer sem birras”, lançou o título “10 histórias para comer sem birras”. São contos para ler à mesa, ou para educar os miúdos para a mesa?

São histórias infantis. Para serem contadas de dia ou ao deitar. Podem servir apenas para divertir, para sonhar, para imaginar, para criar laços com os pais no momento de mimo que é uma história. Mas são histórias pensadas para crianças que têm algumas dificuldades com a alimentação para que, de forma lúdica se revejam. E ao reverem-se puderem ajudar a resolver as dificuldades. São histórias que têm também dicas para pais sobre determinados "problemas" comuns com a alimentação das crianças. Por isso, é um livro para pais e filhos.

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