É assumido que o Terapeuta da Fala avalia e intervém ‘apenas’ com crianças, em especial com as que ‘não falam bem’, é igualmente tomado como certo que o que é ‘exercitado’ são movimentos motores da língua, dos lábios... e que o que se faz é muito repetitivo. Felizmente para os Terapeutas da Fala nada destas crenças é verdade, pois seria profundamente aborrecido e nada desafiante.

A faculdade da linguagem é uma competência nobre e complexa e intervir de modo a estimular ou reabilitar a mesma não tem nada de simples.

É profundamente doloroso querer produzir palavras e enunciados e esta ser uma tarefa árdua independentemente da causa para essa dificuldade ou da idade que se tem. Ainda descrente? Experimente explicar como se ata atacadores sem exemplificar, ou dizer a alguém o dia, mês e ano em que nasceu sem produzir linguagem verbal oral ou escrita, isto é, sem falar ou escrever rigorosamente nada.

No dia 6 de março celebra-se o dia Europeu do Terapeuta da Fala no sentido de sensibilizar que a intervenção do Terapeuta da Fala tem uma abrangência desde a neonatologia até à geriatria.

Os diagnósticos mais frequentes são:

Gaguez

A maioria das pessoas identifica que alguém gagueja sem dificuldade, pois gaguez é muito frequente, cerca de 5% a 8 % das crianças e cerca de 0.7% a 1 % gaguejam.   O que a maioria das pessoas desconhece é que gaguez é frequentemente acompanhada por comportamentos de evitamento, por ex.: substituir palavras, e por movimentos do corpo, por ex.: pestanejar. E desconhecem igualmente que estão identificados fatores de risco que orientam na tomada de decisão se há ou não necessidade de intervenção terapêutica.

É importante estar alerta: se a gaguez permanece há mais de 6 meses e para o quão a gaguez é impeditiva para o ato comunicativo: o que o próprio deixa de dizer; pede que outros falem por ele/a; aponta em vez de falar; faz frases curtas de propósito; falar ao telefone é difícil... falar sobre gaguez doí e custa.

Rouquidão

Não há dificuldade em notar que alguém está rouco e quase sem voz. O que em geral as pessoas desconhecem é que na grande maioria das situações não há nenhum compromisso respiratório. Frequentemente a disfonia deve-se a mau uso vocal, porque por exemplo gritaram imenso durante o jogo de futebol ou cantaram no concerto, ou falam o dia inteiro de modo ‘desadequado’.

É importante estar alerta: se a rouquidão persiste há mais de 2 semanas sem qualquer melhoria sem existir razão para isso. E para se há ou não esforço ou desconforto durante a produção de voz, o quão impeditivo é não ser entendido por quem escuta, assim como se mantém a mensagem emocional contida no discurso.

Sopinha de massa

Uma vez mais, as pessoas em geral notam e dizem “ele é um pouco espanhol a falar” e acham que vai passar. No geral é desconhecido que há mais do que um tipo e que se trata de uma distorção.

É importante intervir precocemente: pois há o risco de habituação a um padrão de produção alterada, quanto menos tempo este persistir mais célere e eficaz será a intervenção.

Ainda é muito bebé a falar

Assume-se: ‘aguardemos’, pois, algumas crianças ‘são mais lentas a comunicar’. A causa para o atraso pode ser muito diversificada, caracterizar com detalhe a intensão comunicativa, a comunicação verbal e não verbal são uma mais valia para eliminar as várias causas até que se descubra a que se deve. Outro aspeto fundamental é observar a inteligibilidade do que a criança produz, quantas pessoas conseguem entender o que diz e quão irritado/a fica porque não é entendido/a.

É importante intervir precocemente, o que não significa que a única hipótese de intervenção é com o/a Terapeuta da Fala, pode ser o aplicar de estratégias em casa e no jardim-de-infância conforme o parecer do/a Terapeuta da Fala.

Ainda que os mais frequentes sejam os anteriormente mencionados há muitas mais razões para procurar um Terapeuta da Fala como por exemplo: dificuldade em engolir comida e líquidos; necessitar comunicar com recurso a tabelas de comunicação; ‘perder’ a capacidade em comunicar devido a doença; dificuldades com leitura, escrita e cálculo; falar de modo célere e com ritmos variados e produzir frases percebidas como ‘engraçadas’ como “Querem fazer do rapazes um bode respiratório.”

Jaqueline Carmona/Terapeuta da Fala
Especialista Europeia em Perturbações da Fluência – EFS/Linguista
PIN-Progresso Infantil

 

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