A bronquiolite aguda é uma infecção das vias aéreas inferiores mais estreitas (bronquíolos), que atinge crianças com idade inferior a 2 anos. É mais frequente, no  hemisfério Norte, entre os meses de Outubro a Abril. A cada inverno, uma a cada três crianças com menos de 2 anos sofrem bronquiolite aguda e, destas, 10% são internadas.

A doença é provocada por vários tipos de vírus, sendo o mais frequente o Vírus Sincicial Respiratório (VSR). Inicia-se por um período de 2 a 3 dias com sintomas de envolvimento das vias aéreas superiores, nomeadamente tosse, nariz entupido e secreções nasais. Após esse período, verifica-se um agravamento, em que os pais notam que a criança tem uma respiração rápida e ofegante, com retracção dos espaços entre as costelas e aparecimento de “covinhas” no pescoço, a cada movimento respiratório. Nesses dias, pode também ser audível um assobio agudo no peito, descrito como pieira, chiadeira ou “gatinhos”. Pode ocorrer febre. Frequentemente, as crianças estão mais sonolentas ou irritadas, e têm dificuldade em se alimentar. Após 3 a 4 dias, a criança começa a melhorar progressivamente da maioria destes sintomas, mas a tosse e a respiração ruidosa podem manter-se por várias semanas.

1. Como prevenir o contágio?

Sendo uma doença provocada por vírus, a criança é, habitualmente, contagiada por outras pessoas doentes, nomeadamente conviventes adultos crianças mais velhas. Os vírus responsáveis pela bronquiolite nos bebés causam, nesses indivíduos, quadros mais ligeiros, de constipação nasal ou faringite. Pessoas com esses sintomas devem evitar contactar com pequenos lactentes. Caso isso não seja possível, devem lavar bem as mãos e usar máscara de protecção respiratória. As crianças amamentadas ao peito têm maior resistência à bronquiolite aguda. O contacto com fumo de tabaco ou outros poluentes aumenta a sensibilidade a essa infecção. Não existe vacina mas alguns bebés muito prematuros ou com doenças cardíacas beneficiam de um tratamento preventivo com um anticorpo monoclonal dirigido ao VSR, que desempenha um papel semelhante a uma vacina.

2. Ajudar a respirar melhor

Os pais devem colocar gotas de soro fisiológico ou água do mar nebulizada nas fossas nasais do bebé, aspirando de seguida. A limpeza nasal deve ser suave e feita com a criança deitada de lado, de forma a não se engasgar. Pode ser também feita nebulização com soro fisiológico várias vezes ao dia. A criança deve ser deitada com a cabeça ligeiramente elevada. Nalguns casos, pode estar indicada a utilização de broncodilatadores nebulizados, após observação por um médico. Não se deve, em qualquer circunstância, administrar xaropes para a tosse abaixo dos 2 anos.

3. Ajudar a comer melhor

Os bebés com bronquiolite, por respirarem rapidamente e com dificuldade, com nariz entupido e com febre, têm frequentemente dificuldade em se alimentarem. Dessa forma, correm o risco de se desidratarem e obterem menos energia para o esforço muscular suplementar que lhes é solicitado. Recomenda-se que os pais meçam a quantidade de líquidos que a criança ingere, que deverá ser de aproximadamente dois terços do que é habitual. O número de refeições deve ser maior que o habitual ao longo do dia, sendo oferecida menos quantidade de cada vez. É também importante que o nariz seja lavado e aspirado antes de cada mamada.

Pedro Flores, médico pediatra
créditos: DR

4. Estar atento a sinais de alarme

A maioria dos bebés com bronquiolite ultrapassam a situação no domicílio, sem complicações. No entanto, é importante estar atento aos sinais de alarme, que obrigam a recorrer a cuidados médicos e, por vezes, a internamento hospitalar. São os casos dos bebés com idade  inferior a 3 meses, com doença crónica (de coração, pulmões, sistema  imunitário ou muscular), que não se consigam alimentar, que não urinem, que estejam muito prostrados ou irritados, ou que tenham falta de ar marcada ou cor azulada da pele e mucosas. Se os pais se sentirem inseguros, sem condições para tratar do bebé ou com dificuldades no acesso a cuidados médicos em situação de urgência, devem recorrer também ao Centro de Saúde ou ao Hospital.

5. Respeitar indicações dos profissionais de saúde

O seu bebé será observado no sentido de avaliar a gravidade da situação, a resposta a tratamentos, a possibilidade de alta ou necessidade de internamento, que pode incluir o recurso a cuidados intensivos. A bronquiolite aguda é uma situação frequente, pelo que os médicos e outros profissionais de saúde têm, em todos os serviços de saúde, experiência e capacidade de orientar a situação da forma mais adequada. A evolução é habitualmente favorável e sem sequelas para o  futuro do bebé.

Um artigo do Professor Pedro Flores, médico pediatra responsável da Pneumologia Pediátrica do Centro da Criança e do Adolescente do Hospital CUF Descobertas.

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