A privação de sono parece ser uma das certezas incontornáveis da parentalidade, como se houvesse uma incompatibilidade fundamental entre bebés e sono. De tal forma que, a expressão “dormir como um bebé” parece uma piada de mau gosto a qualquer pessoa que tenha tido o privilégio de privar com um recém-nascido.

Como reconciliar então a exaustão dos pais com as recomendações dos peritos de 15-16h de sono para bebés pequeninos? Ora, a noite de um adulto tem cerca de 8 horas. Sobram no mínimo 9 horas de liberdade diária enquanto os nossos deliciosos querubins ressonam! E ainda por cima de licença de maternidade! Não? Fiz mal as contas? Por que se queixam tanto os pais afinal? Deve ser mania...

Pergunte a qualquer mãe ou pai recente qual a dimensão mais exigente da parentalidade e aposto que 9/10 dirão: “o sono”. Os restantes provavelmente dirão: “o cansaço. Pela falta de sono”. Pudera! não somos todos melhores pais (e pessoas) depois de noite descansada?

Sendo o sono uma função tão essencial da vida, seria de esperar que os bebés viessem minimamente equipados para o efeito. Afinal, parecem saber perfeitamente respirar, engolir e sujar fraldas!

Será? Vamos lá pensar nisto um pouco... Os bebés humanos são criaturas absolutamente fascinantes, mas se há coisa que não são é competentes. Têm imensa dificuldade em regular a sua temperatura corporal, têm apneias assustadoramente longas, sistemas digestivos imaturos que os fazem contorcer-se com gases, bolsam quase tanto leite como engolem e são incapazes de se desfazerem civilizadamente dos seus dejetos corporais, até pelo menos aos 2 anos de idade. Se achamos perfeitamente natural, amoroso até, o nosso papel paternal no ensino de quase todas as funções essenciais, porque esperamos que o sono seja diferente?

Depois é um passinho até nos deixarmos engolir pelas dúvidas e sentimentos de culpa, como:

“Será que o meu bebé não gosta de dormir?”, “Só pode ter fome!”, “Serão os dentes?”, “Uma regressão de sono?”, “Tem que ter sido o stress na gravidez!”, ou “Sou eu que sou má mãe...”

Pessoalmente, adiei a decisão de ter filhos uns bons anos por assistir em directo às primeiras experiências de maternidade/paternidade de alguns amigos. Costumo brincar dizendo que eles, ou melhor, os seus adoráveis rebentos, foram o melhor anti conceptivo do mundo para mim.

O que mais me assustava? Não dormir.

Tenho formação científica e não consigo evitar abordar todas as questões da vida (pequenas ou grandes) enterrando-me na bibliografia disponível sobre o tema. Admito que não é uma forma rápida de tomar decisões, mas dá-me conforto saber que escolho informada e com base em evidência. Assim, decidi que não era preciso um doutoramento para aprender a mudar fraldas, confiei que os médicos sabem o que fazem e, então, ignorei os cursos pré-parto, dedicando-me obstinadamente a aprender TUDO o que podia sobre sono. A história não acaba aqui e prometo que vou partilhar convosco os altos e baixos desta viagem. Também vos convido a conhecerem a minha história, a da Cristina e do “nascimento” da Mayubaby.

Mas afinal, os bebés sabem ou não dormir?

Certamente que sabem! Só não o sabem fazer independentemente e a horas civilizadas. Essa parte tem que ser ensinada.

Claro que há bebés que simplesmente dormem melhor que outros, mas todos os bebés podem dormir bem e desde muito cedo, estando reunidas as condições certas. Aqui, chamamos-lhes pilares do sono. E são sete:

  1. A nutrição
  2. As sestas diurnas
  3. Adormecer sozinho
  4. Associações de sono positivas
  5. O ambiente de sono
  6. A consistência
  7. A rotina da cama

Nesta série de artigos vamos falar em detalhe sobre os 7 pilares fundamentais que influenciam o sono do bebé. Compreende-los é meio caminho andado para noites mais descansadas para toda a família.

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