Defendem os especialistas de todo o mundo que rir é uma função biológica necessária à manutenção do bem-estar físico e mental e uma excelente forma de atingir um estado de relaxamento e abertura da nossa capacidade de sentir e amar.

Nos tempos que correm, as ansiedades multiplicam-se, o desgaste emocional é enorme e a insatisfação das pessoas é o pão nosso de cada dia. Com o riso expressam-se um grande número de emoções, todas elas positivas. É, por isso, urgente reencontrar a criança que temos dentro de nós! A risoterapia ou yoga do riso, como também é conhecida, possui estratégias que nos ajudam a libertar tensões do corpo e chegar à gargalhada.

Jose Ramon, terapeuta espanhol de risoterapia, defende que “o ser humano precisa voltar ao humor positivo, o humor que não utiliza os outros, que não se ri dos outros, o humor são. Necessitamos de humor com afeto, humor com amizade, humor com amor”. Explica que será a criança “divertida, grande aventureira, exploradora que nos porá em contacto com o riso, com o humor, com a satisfação de atingir o que procuramos, enfocados numa visão positiva que conseguirá melhorar o nosso bem-estar dando um impulso à nossa saúde, tanto física como emocional”.

O que é

A risoterapia, ou yoga do riso, é o processo pelo qual o terapeuta do riso conduz um grupo de pessoas, através de diferentes atividades e dinâmicas, a um estado/sentimento de desinibição para conseguir rir de uma maneira natural e sã com a finalidade de atingir uma descarga emocional, desenvolver o sentido de humor, treinar novas habilidades pessoais e conseguir viver em harmonia física, psíquica, emocional e espiritual.

Pratica-se em grupo porque uma das características do riso é o contágio e permite libertar, através do jogo, da expressão corporal e da dramatização, as tensões internas do corpo que produzem diferentes bloqueios permitindo superá-los. “Quando uma pessoa se ri todo o seu ser participa dos efeitos benéficos do riso. Também é importante porque enquanto ri não pensa, e por isso, não pode entrar nenhum tipo de pensamento negativo”, diz o terapeuta.

Não se pode fazer rir uma pessoa ou um grupo de pessoas instantaneamente, explica ainda o especialista. “É necessário que cada membro se sinta cómodo com o resto dos colegas e estabeleça uma cumplicidade adequada, quer entre eles quer com o monitor, antes que se produza o riso”, sublinha.

Benefícios

A risoterapia pode beneficiar todos os que a praticam, sem que haja necessidade de se estar em baixo para poder participar numa sessão. Mesmo como método preventivo de saúde e felicidade vale a pena experimentar. Os benefícios são muitos e comprovados. Ao nível físico a risoterapia melhora o sistema imunológico, já que se ativa a produção de anticorpos que o fortalecem.

Além disso, relaxa os músculos do rosto; ativa os músculos do pescoço e do abdómen; acelera o coração e melhora a circulação; multiplica até quatro vezes a capacidade pulmonar e leva à libertação de endorfinas pelo organismo, o que provoca uma sensação de felicidade. Ao nível psicológico deixa os participantes mais extrovertidos, leva-os a um estado mental positivo, aumenta a autoestima e faz com que diminua a timidez.

“Quando nos rimos não pensamos em mais nada, já que o riso produz uma barreira aos pensamentos negativos e rirmo-nos de nós mesmos ajuda-nos a ver a vida com outra perspetiva”, refere ainda o especialista.

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Objetivos da sessão

O terapeuta esclarece que as sessões devem focalizar-se em função do grupo participante. “Não é igual trabalhar com um grupo de pessoas com fibromialgias, um grupo de adolescentes, um de adultos ou um de seniores”. Diz, ainda, que “não é o mesmo uma sessão de duas horas, onde o objetivo principal é a desinibição e dar-lhes algumas ferramentas para utilizar em casa, que trabalhar com um grupo de pessoas que compareçam periodicamente de forma semanal, quinzenal ou trimestral, onde já há objetivos apresentados e metas a atingir”.

Lembra, também, que no início de cada sessão é bom conhecer as expectativas que o grupo tem sobre os resultados que pretende obter, ainda que possam ser “ambíguas e generalistas”. Depois de rir juntos, o terapeuta garante que a impressão que se tem é de maior amizade, de que existem melhores laços afetivos e de comunicação.

“Uma agradável sensação de relaxamento e de libertação ao tirar a criança que temos dentro de nós, e de agradecimento pela oportunidade. Ao partilhar as emoções positivas entre duas ou mais pessoas, também se cria um efeito de coesão interpessoal. O humor tem um grande poder para unir a as pessoas e conseguir a coesão de um grupo”, refere ainda.

O riso, a família e a educação
Jose Ramon lembra, também, que as relações entre filhos e pais que permitem a diversão, o bom humor e o riso são mais sãs, menos tensas e mais cordiais e que aprender qualquer competência ou conhecimento novo requer um “processo de prova e erro”, nos quais o jogo e a capacidade para rir-se dos fracassos são fundamentais. “O humor facilita a comunicação, como tal, também a comunicação educativa, ajuda a socializar e anima”, conclui.

Texto: Eva Falcão

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