“Os valores de sustentabilidade quer ambientais quer sociais sempre fizeram parte da nossa empresa”, afirmou à agência Lusa Rob Symington, membro da quinta geração da família e responsável pela área da sustentabilidade.

Tem origem britânica e portuguesa e, após cinco gerações, a Symington Family Estates é uma das maiores produtoras mundiais de vinho do Porto premium, a principal proprietária de vinhas no Douro e uma das principais produtoras de vinho de Portugal.

Vinhas do Douro são laboratório a céu aberto na luta contra os efeitos das alterações climáticas
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“Atualmente temos aqui quatro membros da quinta geração e ainda quatro membros da quarta geração”, contou Rob Symington.

A empresa familiar acredita que a sua capacidade de continuar a produzir vinhos por muitos anos depende de um clima estável e de um ecossistema saudável e, por isso, defende que é preciso “aplicar o espírito criativo e pioneiro das gerações anteriores para os “desafios do futuro”.

E é por pensar “a longo prazo” que a produtora de vinhos delineou a “Missão 2025”, definiu “uma nova estratégia de sustentabilidade “ e “metas ambiciosas” para implementar na sua operação.

Rob Symington especificou que os mais de mil hectares de vinha que possuem nas diversas propriedades são trabalhados no modo de produção integrado, ou seja, recorrendo “a um protocolo de mínima intervenção e com regras muito rigorosas em termos de produtos que podem ser usados no terreno”.

Nesta altura do ano, as vinhas estão despidas e os trabalhos incidem, sobretudo, na poda das videiras, tal como acontece na Quinta do Bomfim, no Pinhão, concelho de Alijó.

Durante uma visita da Lusa a esta propriedade, Fernando Alves, responsável pela área de desenvolvimento e investigação da Symington, explicou que a estratégia passa por “triturar e incorporar no solo” o material resultante desta poda de inverno, “tal como recomendado em produção integrada da vinha”.

A empresa possui a “maior área de vinha biológica do Norte de Portugal” e onde se aplicam também, de acordo com Rob Symington, “restrições muito rigorosas” em termos, por exemplo, de aplicação de produtos químicos.

Com 27 quintas (26 no Douro e uma no Alentejo), a Symington produz uma média anual de dois milhões de caixas de nove litros de vinho, dos quais cerca de 92% são exportados para países como o Reino Unido, Bélgica, Canadá, Holanda, Estados Unidos da América (EUA) e França. O volume de negócios ronda os 90 milhões de euros.

O vinho do Porto, com as marcas Graham's, Dow's, Cockburn's e Warre's, representa o grosso do negócio, que tem vindo também a apostar no segmento DOC Douro e Alentejo.

Uma outra meta para 2025 é a redução do consumo de água, de eletricidade e de emissões de carbono (CO2) por litro de vinho engarrafado.

Por exemplo, a empresa aponta a “reutilização da água mais do que uma vez”, ou seja, a instalação de um sistema que permite o tratamento e recuperação da água para mais do que uma utilização no processo, antes de ser rejeitada na forma de efluente”.

Pretende ainda estabelecer quantidades máximas de água por tipologia de tarefas, colocando limitadores de caudal, e reutilizar águas tratadas nas Estações de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) no regadio das áreas verdes.

A produtora de vinhos quer atuar sobre as principais áreas que contribuem para a pegada de carbono como a produção de garrafas, os transportes, aplicação dos fertilizantes e a expedição do produto acabado, reforçar a instalação de energia fotovoltaica, criar uma plataforma de “carpooling” e implementar um plano de transição para frota elétrica.

Até 2025, todos os novos veículos adquiridos serão elétricos ou híbridos.

A empresa está também a “eliminar 100% o plástico”, a usar embalagens recicláveis e quer minimizar o impacto de edifícios e adegas, maximizando, por exemplo, as movimentações do vinho por gravidade ou optando por novas soluções de isolamento em remodelações no edificado.

“Em termos de alterações climáticas nós temos três áreas de foco: a primeira é adaptar às alterações que, sem dúvida, já estão a acontecer e que vão, infelizmente piorar, a segunda é reduzir o nosso contributo ao problema, reduzir as nossas emissões, e a terceira área é usar a nossa voz e a nossa plataforma para chamar a atenção a este problema”, afirmou Rob Symington.

E continuou: “este é um risco existencial que estamos a levar muito a sério”.

Em 2020, a Symington Family Estates celebra “dois marcos históricos”: o bicentenário da marca Graham’s e os 350 anos da marca Warre’s e, para assinalar estes dois eventos, a empresa criou um fundo “com o valor de um milhão de euros” para apoiar iniciativas sociais e ambientais nas áreas onde está instalada (Douro, Porto e Alto Alentejo).

Nos últimos anos, a empresa tem apoiado as corporações de bombeiros voluntários durienses, às quais doou 13 ambulâncias, e a Bagos d’Ouro, uma instituição que ajuda crianças desfavorecidas do Douro.

Emprega ainda cerca de 400 pessoas, um número que aumenta na altura das vindimas e em que é necessária mais mão de obra.

Em 2019, a Symington foi o primeiro produtor de vinho em Portugal a tornar-se uma “B Corporation”, certificada por padrões de responsabilidade social e ambiental exigentes, e foi contemplada com o prémio Ethical Company of the Year (Empresa Ética do Ano), no âmbito dos Drinks Business 2019 Green Awards.

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