"Ser positivo para o clima é ter um produto ou um negócio que retira da atmosfera mais carbono do que o que emite. A nossa cadeia começa nos agricultores, passa pela distribuição, pelos combustíveis, embalagens, resíduos, tudo", disse hoje à Lusa o diretor de vendas da cadeia Max Burgers, Kaj Torok, à margem da 25.ª Conferência das Partes (COP25) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas que decorre em Madrid.

A cadeia sueca, presente também na Dinamarca, Noruega, Polónia e Egito, recebeu na terça-feira o prémio das Nações Unidas para a Ação Climática pelo seu modelo de "menu climaticamente positivo", em que, de acordo com Kaj Torok, cada consumidor tem o direito de saber a pegada ecológica da sua refeição através de informação sobre que alimentos que tiveram menos impacto climático, ou que emitiram menos carbono até chegar à mesa.

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A cadeia sueca decidiu compensar, e criar capacidade extra de absorção de carbono, com a plantação de mais de dois milhões de árvores em países africanos, incluindo Moçambique, Malawi e Uganda.

O diretor de vendas da Max Burgers relembra que tudo começou há onze anos, quando a cadeia de hambúrgueres decidiu realizar uma análise climática do seu negócio e se deu conta que era "parte do problema" climático.

"Nós vendemos hambúrgueres e vimos que o nosso produto clássico de carne bovina era a grande pegada ecológica". A resposta foi a introdução de hambúrgueres vegetarianos que representaram uma redução de 90% da pegada carbónica em relação ao clássico hambúrguer de carne.

O resultado foi que as opções vegetarianas passaram de 2% das vendas em 2015 para os atuais 22%. Segundo Torok, o consumidor ainda pode continuar a pedir opções de carne, mas de origem local.

Passar a ser positivo para o clima "custou apenas o equivalente a 0,4% da receita total da empresa. É realmente muito barato. Acho que grande parte das empresas podem facilmente passar a ser positivas climaticamente", afirmou o diretor de vendas.

O exemplo da cadeia de comida rápida já começou a despertar interesse em outros setores. Segundo Kaj Torok, a empresa de mobiliário e equipamento doméstico IKEA já anunciou pretender tornar-se positiva para o clima em 2030 e a cadeia de vestuário H&M pretende fazê-lo até 2040.

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"A liderança pode vir de qualquer lugar. Já temos experiências de festivais de música que se tornaram climaticamente positivos, uma empresa de calçado, outra de eletricidade e até uma agência de comunicação", afirmou Kaj Torok.

Para Torok, o que falta é criar padrões internacionais e diretrizes comuns de como tornar um negócio positivo climaticamente.

Isso implica aumentar a transparência das atividades empresariais em relação ao cálculo da pegada de carbono e "trabalhar duro" para reduzir emissões.

Nesse sentido, Majda Dabaghi, diretora de crescimento verde da Câmara Internacional de Comércio, organização global que reúne 45 milhões de membros, anunciou hoje na COP25 que irá empenhar-se na definição de instrumentos de como ser climaticamente positivo.

"Temos visto no mundo dos negócios que tem havido uma mobilização sem precedentes de ação climática. É possível tornar nossas operações empresariais positivas climaticamente", afirmou

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