As emoções podem ser arrebatadoras e determinantes para a nossa saúde e bem-estar geral. E quando temos consciência delas, as primeiras questões que nos surgem na mente são: porque é tão difícil controlá-las e como é que aprendemos a geri-las de uma maneira saudável? Para darmos resposta a estas questões, precisamos de saber primeiro o que é a Saúde Emocional.

A Saúde Emocional é definida como a capacidade de controlar e gerir as mudanças de comportamento, advindas de um estado emocional alterado, e que influenciam inevitavelmente qualquer esfera da nossa vida (profissional, relacional, pessoal ou outras). Desta forma, a emoção é um estado mental associado ao sistema nervoso, causado por alterações químicas associadas a pensamentos, sentimentos, respostas comportamentais e a um determinado nível experienciado de prazer ou desprazer.

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Embora a Saúde Mental e a Saúde Emocional sejam complementares e estejam relacionadas entre si, são dimensões bastante diferentes. Ter uma boa saúde emocional não significa ter ausência de problemas de saúde mental. Estar mental ou emocionalmente saudável é muito mais que estar livre da depressão, da ansiedade ou de outras psicopatologias. Não ter qualquer doença mental também não é sinónimo de se estar emocionalmente saudável. No entanto, há pelo menos uma coisa em comum em ambas: tal como em qualquer estado desejado, a saúde emocional requer vontade de mudança, dedicação e esforço. Um estado emocional saudável não acontece no imediato e sem treino.

Há mais de quarenta anos que os psicólogos estudam a saúde emocional. Atualmente, acredita-se que a saúde emocional é mais do que o mero otimismo que caracteriza as pessoas positivas; é antes a compreensão genuína do que realmente nos torna mais felizes. E o que nos torna felizes varia de pessoa para pessoa e das diferentes fases de vida que atravessamos. Isto exige autoconhecimento.

Porque não gostamos das emoções negativas?

As emoções negativas são mais notórias e parecem perdurar mais no tempo do que as emoções positivas. Uma boa parte da pesquisa científica tem demonstrado que as emoções negativas possuem maior valor funcional. Os riscos de responder inadequadamente a eventos negativos são maiores do que os riscos de responder inadequadamente a eventos positivos, uma vez que eventos negativos podem levar-nos à morte (por exemplo, se estivermos com raiva podemos avaliar o comportamento do outro como provocatório ou ameaçador e contra-atacamos), enquanto os eventos positivos aumentam nosso bem-estar.

Quando somos assomados por algum evento que nos despoleta emoções negativas, significa que algo fugiu do nosso controlo ou que um objetivo foi bloqueado e nos está a gerar desconforto, stresse, frustração, tristeza e até mesmo raiva. Esse bloqueio requer a redefinição de novos planos para ultrapassá-lo. Consequentemente, as emoções negativas exigem a alocação de mais recursos cognitivos de forma a lidar com a situação, comparativamente com as emoções positivas.

Embora não gostemos delas, a verdade é que as emoções negativas são fundamentais para o nosso crescimento individual. É saudável ter a liberdade de experimentar emoções negativas e saber que isso não afeta a sua saúde e muito menos a sua felicidade. Evitar a expressão dessas emoções com medo de se mostrar demasiado vulnerável, é contraproducente e altamente desgastante. Ser emocionalmente saudável não implica ter que fingir emoções positivas quando estas não são genuinamente sentidas. E isto é, infelizmente, o que muitas pessoas fazem, e que contribui para a acentuação do mal-estar e do conflito interno.

Estar emocionalmente saudável não significa não ter que passar por momentos críticos. A diferença é que as pessoas com boa saúde emocional têm uma melhor capacidade de recuperação de situações adversas e causadoras de stresse. Essa capacidade é conhecida como resiliência. As pessoas que estão emocionalmente saudáveis têm as ferramentas necessárias para encarar situações difíceis e manter uma atitude positiva e funcionalmente mais adaptativa.

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Como ter uma boa saúde emocional: dicas que funcionam

Antes de mais, é importante entender que a saúde emocional é uma procura individual e subjetiva e, apesar de ser muito simples, não é propriamente fácil. É preciso compromisso, prática e constância nas ações. Mas, garantidamente, ter uma boa saúde emocional é um aspeto basilar da promoção da resiliência, da autoconsciência e da satisfação geral.

A saúde emocional é mais um processo do que um objetivo por si próprio. Ao seguir estas dicas, lembre-se de que ter saúde emocional não significa estar sempre de bom humor e sorridente com a vida. Trata-se, sim, de uma preparação para que consiga lidar de forma mais eficaz em todas as situações, em particular as que lhe causam maior desconforto.

1. Seja assertivo(a)

Ser assertivo é ter a capacidade de expressar o que sente ou o que pensa sem magoar as outras pessoas. Esta é a sua maior capa protetora contra as pessoas tóxicas que tentam afetar a sua vida e que extrapolam os seus limites. Saiba ser firme e dizer “não” na hora certa e sem sentir culpa.

2. Tenha sentido de humor

Olhe para as situações negativas e tente rir sobre o que lhe aconteceu. Isto permite-lhe relativizar os problemas e aumentar o seu bem-estar. Saber rir-se de si próprio retira-lhe a “obrigação” de ser sempre perfeito.

3. Faça atividades de voluntariado

O altruísmo, a dedicação ao outro, e o sentimento de utilidade promovem-lhe bem-estar interior, aumentando a sua autoestima e diminuindo os níveis de stresse. Além disso, fazer voluntariado permite-lhe expandir a sua rede social, fora dos ecrãs de telemóvel, tablet ou computador.

4. Socialize

Tente rodear-se de pessoas que tenham boas energias e que realmente contribuem para o seu bem-estar e para a sua felicidade. Invista tempo com as pessoas, troque ideias, partilhe opiniões, tagarele livremente. Isto fará com que um dia que até possa ter sido negativo, termine de uma forma leve. Conversar e estar com outras pessoas ajuda a minimizar os problemas e a vê-los de uma outra perspetiva.

5. Estimule a sua criatividade

Ao desenvolver a sua criatividade, através de atividades solitárias ou em equipa, permitir-lhe-á flexibilizar o seu pensamento e encontrar novas soluções para os seus problemas. Faça o que gosta e atreva-se a experimentar coisas novas.

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6. Coma e durma bem

Uma alimentação saudável que incida em determinados alimentos, como aqueles que são ricos em ómega 3 e vitaminas, são fundamentais para a estimulação de produção de serotonina, responsável pelo bem-estar e pelo humor. De igual forma, sabemos que o sono é um dos pilares mais relevantes para a nossa saúde. Respeitar as suas horas de descanso irá melhorar o seu humor e a sua rapidez de pensamento.

7. Faça algum exercício físico

A prática de exercício é sempre benéfica. Para além de melhorar o sono, estimula a produção e libertação de endorfinas, substâncias que aumentam o seu bem-estar e diminuem o stresse. Não precisa de se inscrever num ginásio para fazer exercício. Basta que, com ajuda, estabeleça um plano de exercícios que possa realizá-lo ao seu ritmo e de uma forma realista e consistente.

8. Pratique a regulação emocional

As estratégias de gestão das emoções que se têm revelado eficazes podem incluir a meditação, a monitorização diária, ouvir música, e, sobretudo, conversar com um psicólogo. Melhor do que ninguém, estes profissionais de saúde mental ajudá-lo-ão a tomar consciência de si próprio e dotá-lo-ão de estratégias cientificamente comprovadas para que a sua saúde emocional esteja no seu estado ótimo.

Estar emocionalmente bem é mais do meio caminho andado para tudo o resto também estar.

As recomendações são de Laura Alho, Psicóloga Clínica e Forense da Mind – Psicologia Clínica e Forense (www.mind.com.pt)

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