Em tempos de isolamento social há uma predisposição maior para o uso das redes sociais, tanto por adultos, como por menores. A importância da internet já era considerável antes da pandemia e agora, em tempos de recolhimento, tornou-se um dos principais recursos de entretenimento.

Através dela, temos acesso a informação inesgotável, compras, lazer, educação e, principalmente, comunicação. E, neste último ponto, o destaque vai inevitavelmente para as redes sociais. Estima-se que mais de mil milhões de pessoas têm perfis em plataformas como o Facebook, Instagram, Youtube, WhatsApp, Twitter, SnapChat, entre outras, e que mais de cinco milhões de crianças abaixo de 13 anos têm conta no Facebook, apesar de esta rede social “proibir” crianças menores de 13 anos fazerem parte da rede. Mas já diz o ditado que o fruto proibido é o mais apetecido e, por conseguinte, é fácil ultrapassar essa proibição, mentindo na idade.

Apesar de todas as vantagens e da componente de entretenimento que esses espaços oferecem, eles representam também um enorme perigo, porque as crianças são colocadas diante de um ecrã cheio de possibilidades e de informações para as quais ainda não têm completa capacidade de discernir o que é verdadeiro ou falso e o que representa perigo ou não. Assim, abre-se uma porta para uma plateia que pode representar o pior pesadelo dos pais.

É frequente que a criança ou adolescente com perfil próprio coloque fotografias de tudo o que faz, ficando acessível a centenas ou milhares de pessoas. Embora possam parecer partilhas inofensivas, essa rotina pode sujeitá-los a vários riscos, sobretudo a pessoas mal-intencionadas e com objetivos muito claros e, geralmente, de cariz criminal.

É fundamental que os pais exerçam uma supervisão rigorosa sobre os conteúdos e que, acima de tudo, eduquem as crianças no sentido de as alertar para os perigos existentes. É importante que as orientem sobre os conceitos de risco e de segurança na internet, falando abertamente sobre os conteúdos que podem publicar e de que forma. Devem também explicar o que é atividade inapropriada (como a partilha de fotografias íntimas), cyberbullying, perseguição (stalking) e qual risco de divulgação da informação pessoal. É indispensável que os pais ensinem as crianças sobre a responsabilidade que é ter um perfil numa rede social e quais são as boas condutas a seguir, reforçando que o que é divulgado permanece na internet, mesmo que os conteúdos sejam removidos.

Esta partilha é uma forma de dotar as crianças de conhecimento que as permitirá entender os riscos das redes sociais, bem como mantém uma linha de comunicação aberta e segura com os pais, de forma a poderem recorrer a eles se algo sair da “normalidade” para a qual foram instruídas. Além disso, os pais devem monitorizar toda a atividade online dos seus filhos, para que lhes possa não só dar indicações do seu comportamento (se é ajustado ou não), como saber quem faz parte dos contactos dos seus filhos.

Eis algumas indicações que pode (e deve) transmitir aos seus filhos:

  1. Não adicionar pessoas que não conhece na vida real. Essas pessoas podem querer marcar um encontro e isso traz mutos riscos, inclusivamente o de morte. Até porque o perfil que adicionaram pode nem corresponder à pessoa que verdadeiramente está do outro lado do ecrã.
  2. Ainda que se possa conhecer circunstancialmente a pessoa, nunca se deve marcar um encontro com ela, sem informar os pais. Regra de ouro a aplicar se for um completo estranho.
  3. Evitar publicar fotos íntimas da criança/ adolescente ou da família, porque elas poderão ser usadas por pedófilos ou pessoas mal-intencionadas que poderão vir a fazer chantagem. Além de que as fotos, mesmo depois de removidas, continuarão na internet, como já alertado. É importante que as crianças não enviem fotografias, porque em todas as fotos existem dados EXIF que são informações sobre a câmara com a qual foi tirada a foto, permitindo que quem a recebe possa rastrear o local onde foi tirada. Deve ser explicado às crianças que as fotografias contêm informações de localização, o que poderia ajudar um estranho a encontrá-las.
  4. Nunca revelar dados pessoais, como morada, telefone, escola que frequentam ou outros, porque estes dados podem ser usados para roubar ou sequestrar alguém.
  5. Ensinar a criança de que também deve ter um comportamento saudável em relação aos outros. Esconder-se atrás de um ecrã, sob anonimato na rede, e insultar outros é covardia e o perfil pode ser identificado.
  6. Deve-se denunciar se se verificar comportamentos de bullying, discriminando ou ameaçando outras pessoas. Converse com seus filhos sobre bullying e partilhe a ideia de não alimentar boatos nem falar mal de outras pessoas. Além de ser crime, as consequências podem ser muito danosas à vítima. Deve-se ensinar as crianças a colocarem estas questões: Aquilo que eu vou dizer prejudicará os sentimentos de alguém? Como é que eu me sentiria se recebesse esta mensagem? Isto é ameaçador de alguma forma?

Lembre-se que as crianças são particularmente vulneráveis no mundo real, onde todos podem usar a máscara que quiserem. Limite a publicação de fotos e a exposição das suas rotinas diárias e os locais que frequenta. A melhor maneira de proteger as crianças é ensiná-las a ter comportamentos seguros online, de forma a que não se tornem vítimas e façam parte das estatísticas obscuras que as redes sociais acarretam.

As explicações são da psicóloga clínica Laura Alho, da MIND - Psicologia Clínica e Forense.

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