Desde a antiguidade que esta planta era muito utilizada para tratar problemas do foro digestivo, sendo sobretudo usada para combater casos de inflamação e de irritação, úlceras gástricas e úlceras do duodeno, gastrite, colite, catarros, faringite, laringite, bronquites e até tosse, devido à forte ação expetorante e emoliente que a malva contém. Esta planta, muito comum em Portugal, é ainda útil no tratamento de infecções urinárias e ginecológicas em forma de lavagens.

Em cataplasmas, outra das possibilidades, pode utilizar-se para extrair furúnculos, abcessos, estilhaços e/ou outras impurezas e inflamações da pele. Em clisteres, para limpeza dos intestinos, revestindo-os ao mesmo tempo de uma camada de mucilagem. Quando tomada em forma de tisana, tem uma ação suavemente laxativa. A variedade alteia é muito utilizada no fabrico de xaropes e rebuçados contra a tosse e também no fabrico de marshmallows.

Estes são, muitas vezes, fabricados a partir de um pó extraído da raiz da alteia. Para um efeito calmante do aparelho digestivo, urinário ou respiratório, a malva ou a alteia são sempre um bom remédio de ação suavizante e demulciente. Sob a forma de gargarejos, é muito útil para tratar inflamações da boca e gengivas. Depois de uma longa caminhada ou de um esforço físico mais intenso, uma tissana de malvas ajuda a compensar os efeitos de desidratação.

As malvas na culinária e na cosmética

As malvas são extremamente ricas em mucilagem, especialmente na raiz, o que lhe confere grande parte dos méritos terapêuticos que lhe são atribuídos. Esta planta contêm ainda antocianinas, óleos essenciais, alguns taninos, flavonoides e glicósidos. As suas folhas podem ser utilizadas e cozinhadas como o espinafre, as acelgas ou as couves, em sopas e saladas. São muito nutritivas para mulheres em fase de amamentação, pois estimulam a produção de leite.

Podem ainda ser usadas em compressas para tratar mamilos gretados. O chá de folhas de malvas é agradável e refrescante, tal como o chá das suas flores, que poderá preparar na época da floração, os meses de primavera e verão. Coloridas, constituem um agradável refresco. As flores comestíveis podem ainda ser utilizadas na decoração de vários pratos. As raízes cozidas e depois fritas, com alho ou cebola, são um bom acompanhamento de arroz, carne ou peixe.

As sementes, que também pode utilizar para aromatizar saladas ou para confecionar pães, bolos e outros preparados com sementes, possuem um delicado sabor a nozes. Na cosmética, pode usá-las para fazer um creme que limpa a pele e ajuda a extrair as borbulhas. Pode também juntar raiz de malvas ou alteia em pó a qualquer creme de pele neutro hidratante que utilize no quotidiano. Misture bem e aplique sobre a pele. Notará seguramente a diferença!

As malvas no jardim

A malva é também conhecida como malva-maior ou malva-selvagem. Muitos consideram-na uma planta daninha e invasora mas, na realidade, podemos utilizá-la como bonita planta de jardim. Em Portugal, cresce um pouco por todo o lado, desde o Minho ao Algarve, em caminhos, terrenos baldios e até em lixeiras. É uma planta vivaz da família das malvaceas, apresenta flores bilobadas de cinco pétalas de cor de rosa ou lilás com veios mais escuros nas pétalas.

A Malva sylvestris, nome científico, tem ainda uma grande raiz aprumada. Esta planta pode, por vezes, confundir-se com uma sua parente chegada a alteia (Althaea officinalis) ou com o malvaísco, que apresenta características e propriedades terapêuticas muito semelhantes, sendo talvez a alteia mais rica em mucilagem e, daí, mais eficaz nalguns tratamentos das vias respiratórias. Utilizam-se as folhas, as flores, as raízes, os rebentos e as sementes.

As malvas ao longo dos séculos

Nativa da Europa e Ásia Ocidental, desde o século VIII antes da atual era que as malvas eram conhecidas e utilizadas pelas civilizações antigas, tanto na culinária como para fins terapêuticos. Era já conhecida dos gregos e dos romanos, que muito a apreciavam, sobretudo os habitantes de Roma, que as usavam para curar as ressacas depois das famosas orgias que tinham o hábito de realizar. Alguns médicos gregos recomendavam-na para aliviar e curar picadas de insetos.

O imperador Carlos Magno utilizava-a como planta ornamental dos jardins imperiais. Para os pitagóricos era considerada planta sagrada, pois libertava o espírito da escravatura das paixões. Plínio, grande historiador e investigador romano que morreu queimado na explosão do Vesúvio, recomendava uma poção à base de suco de malva, que, na sua crença sábia, evitaria indisposições durante todo o dia. Na Idade Média, eram plantadas nos jardins monásticos.

Os monges utilizavam-na para fins terapêuticos. Na medicina tradicional chinesa, usam-se as sementes de malvas. À medida que os séculos foram passando, foram muitos os que se habituaram a colhê-las, secá-las e/ou desidratá-las para, depois, fazer infusões. Para esse efeito, as folhas desta planta bienal devem ser, idealmente, colhidas de manhã e devem ser secas ao sol para evaporar os óleos essenciais voláteis das folhas, um gesto que previne que ganhem mofo.

Texto: Fernanda Botelho

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