As malvas são extremamente ricas em mucilagem especialmente na raíz, o que lhe confere grande parte dos seus méritos terapêuticos.

Contêm ainda antocianinas, óleos essenciais, alguns taninos, flavonóides e glicósidos.

Desde a antiguidade que esta planta era muito utilizada para tratar problemas do foro digestivo, em caso de inflamação e irritação, em úlceras gástricas e do duodeno, gastrite, colite, catarros, faringite, laringite, bronquites, tosse, com forte acção expectorante e emoliente. É ainda útil no tratamento de infecções urinárias e ginecológicas em forma de lavagens.

Em cataplasmas pode utilizar-se para extrair furúnculos, abcessos, estilhaços ou outras impurezas e inflamações da pele. Em clisteres, para limpeza dos intestinos, revestindo-os ao mesmo tempo de uma camada de mucilagem.

Quando tomada em forma de tisana tem uma acção suavemente laxativa.
A variedade alteia é muito utilizada no fabrico de xaropes e rebuçados contra a tosse e também no fabrico de (marshmallows) uma espécie de gomas brancas ou cor-de-rosa muito apreciada pelos ingleses e que se fabricava a partir de um pó obtido da raiz da alteia.

Sempre que seja necessário um efeito calmante do aparelho digestivo, urinário ou respiratório as malvas ou a alteia são sempre um bom remédio de acção suavizante (demulciente). Em forma de gargarejos é muito útil para tratar inflamações da boca e gengivas. Depois de uma longa caminhada, uma tissana de malvas ajuda a compensar os efeitos de desidratação.

Na culinária

As folhas das malvas podem ser utilizadas e cozinhadas como o espinafre, as acelgas ou as couves, em sopas e saladas, muito nutritivas para mulheres em fase de amamentação pois estimulam a produção do leite, alimentam e podem ainda ser usadas em compressas para tratar mamilos gretados.

O chá de folhas de malvas é agradável e refrescante tal como o chá das suas flores que poderá preparar na época da floração ou seja Primavera e Verão e constituem um agradável refresco. As flores comestíveis podem ainda ser utilizadas na decoração de vários pratos, as raízes cozidas e depois fritas com alho ou cebola são um bom acompanhamento de arroz, carne ou peixe, as sementes possuem um delicado sabor a nozes.


Veja na página seguinte: A malva na cosmética

Na cosmética

Creme para extrair borbulhas:

Juntar raiz de malvas ou alteia em pó a qualquer creme de pele neutro, misture bem e aplique sobre a pele. Notará a diferença!

Um pouco de história

Nativa da Europa e Ásia ocidental. Desde o século VIII a.C. que as malvas eram conhecidas e utilizadas tanto na culinária como para fins terapêuticos.
Era já conhecida dos gregos e romanos que muito a apreciavam, sobretudo os romanos para curar as ressacas depois das orgias. Alguns médicos gregos recomendavam-na para aliviar e curar picadas de insectos.

Carlos Magno utilizava-a como planta ornamental dos jardins imperiais. Para os pitagóricos era considerada planta sagrada, pois libertava o espírito da escravatura das paixões. Plínio, grande historiador e investigador
romano que morreu queimado na explosão do Vesúvio, recomendava uma poção à base de suco de malva o que evitaria indisposições durante todo o dia. Na Idade
Média, a alteia e a malva eram plantadas nos jardins dos mosteiros e utilizadas pelos monges para fins terapêuticos. Na medicina tradicional chinesa usam-se as sementes de malvas.

Habitat


A malva (malva sylvestris) também conhecida como malva-maior ou malva selvagem é considerada uma planta daninha e invasora mas na realidade podemos utilizá-la como bonita planta de jardim. Em Portugal cresce um pouco por todo o lado, desde o Minho ao Algarve, em caminhos, terrenos baldios, lixeiras etc.
É uma planta vivaz da família das malvaceas, apresenta flores bilobadas de cinco pétalas de cor rosa forte ou lilás com veios mais escuros nas pétalas e grande raíz aprumada.

A malva pode por vezes confundir-se com uma sua parente chegada a alteia (althaea officinalis) ou malvaísco que apresenta características e propriedades terapêuticas muito semelhantes, sendo talvez a alteia mais rica em mucilagem e daí mais eficaz nalguns tratamentos das vias respiratórias.
Utilizam-se as folhas, flores, raízes, rebentos e sementes.

Texto: Fernanda Botelho

Newsletter

Receba o melhor do SAPO Lifestyle diariamente no seu email.

Notificações

Os temas mais inspiradores e atuais estão nas notificações do SAPO Lifestyle.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.