Diurética e anti-depressiva, esta erva aromática, muito utilizada pelos portugueses, regula o período menstrual. Além de um óleo essencial, cânfora-de-salsa, também conhecido como apiol, esta planta fornece ainda miristicina, flavonoides, pectina, clorofila, taninos, matéria corante amarela, vitamina A, vitamina B, vitamina C e vitamina E, ácido fólico, ferro, cobre, cálcio e fósforo. A raiz contém ainda amido e mucilagem.

Ainda assim, ainda há quem lhe resista. Com a chegada do calor e a vontade voltada para o exterior, para as refeições no jardim, para as saldas, para as sopas e para as ervas aromáticas que adornam e embelezam qualquer prato, muitas vezes subestimamos o valor dos ornamentos verdes e não os ingerimos. Ficam abandonados na borda do prato, quando são quase sempre alimentos de alto valor nutritivo.

Como plantar ervas aromáticas em vaso
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A salsa costuma ser um deles. Esta erva de cheiro é um forte diurético, muito útil no tratamento da retenção de líquidos, de reumatismo, de gota, de infeções da bexiga e de cálculos renais. Além disso, é reguladora do período menstrual e ainda alivia os espasmos. Tudo boas razões para a consumir. Os seus benefícios não se ficam por aqui. Esta planta estimula a produção de leite materno e tonifica os músculos do útero. É um tónico geral, aliviando a depressão e o cansaço na menopausa. Ajuda ainda a aliviar flatulência e cólicas.

Para as cólicas das crianças, faz-se uma leve infusão das folhas que se lhes dá a beber, duas ou três colheres, depois das refeições. O chá de salsa pode ser usado em lavagens e aplicado em compressas para aliviar a dor em picadas de insetos ou inchaços dolorosos, olhos irritados e eczema. As raízes são sudoríferas. Afrodisíaca, é um refrescante do hálito muito útil, sobretudo depois de ingerir pratos com alho.

Precauções a ter com a sua ingestão

Devido ao componente apiol, que é um estimulante das contrações uterinas, a salsa está contraindicada na gravidez. Não se deve colher no campo, pois é muito semelhante à cicuta menor, que é bastante tóxica e tem flores brancas e odor fétido. O ideal é adquiri-la fresca, pronta a utilizar. Como é muito fácil de cultivar em pequenos vasos e em canteiros, pode considerar esta opção para a ter sempre à mão.

Um pouco de história

A salsa é uma das ervas aromáticas mais utilizadas no mundo. Os antigos egípcios e os gregos chamavam-lhe aipo da montanha e usavam-na para tratar dores no estômago e problemas de bexiga. Os gregos utilizavam-na contra a epilepsia e como regulador do sistema nervoso. Simbolizava ainda a festa e a alegria partilhada e costumavam coroar os vencedores das corridas com uma coroa de salsa.

Grande conhecedor de plantas Plínio, o Velho, no século I, já atribuía à salsa poderes curativos e aconselhava a colocar alguns rebentos nos lagos devido aos efeitos que exercia sobre os peixes. Johann Kunzle, um abade suíço grande conhecedor da flora alpina, recomendava a salsa contra o sangue na urina, micções dolorosas e inflamação da próstata. O herbário galês do século XII diz que regenera o sangue.

O habitat desta erva aromática

A salsa é originária do sul da Europa, mas é hoje cultivada em todo o mundo. Prefere climas temperados onde também cresce espontaneamente. A variedade mais comum, Petroselinum crispum, tem folhas muito frisadas e é a favorita dos ingleses. A de folha achatada, Petroselinum sativum, Apinum petroselinum ou Petroselinum hortense, mais comum entre nós, é a preferida na gastronomia da Europa e da Índia.

É também a mais resistente, tem um sabor mais forte e contém mais propriedades medicinais. Usam-se as folhas, as raízes e as sementes, apesar destas não serem recomendadas para uso interno. Cresce em terrenos incultos, nas frestas de rochas e muros. É uma planta vivaz, de caule ereto e folhas compostas de um verde intenso, lisas ou frisadas. Da família das umbelíferas, atinge entre 30 a 60 centímetros.

A salsa nos vasos e na horta

A salsa, misturada com sementes de cenoura, ajuda a repelir as moscas e protege as roseiras do escaravelho. Quando plantada com o tomate ou com os espargos, revigora-os. Uma forma de combater a borboleta negra é soltar aves da capoeira nos canteiros da salsa, uma vez que as galinhas adoram as suas larvas. Há variedades cultivadas só para o aproveitamento das raízes carnudas, que se podem comer como os nabos.

Texto: Fernanda Botelho

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