Uma infusão bem quente de chá de tília estimula a sudação, recomendada em situações de estados febris, de gripes e de catarros. As tílias são elegantes árvores de grande porte, poderosas, exuberantes e bonitas. Possuem delicadas flores amareladas em forma de coração e de suave e agradável aroma que medem cerca de 10 centímetros. As flores ficam como que penduradas por cima da folha mas, na realidade, trata-se de uma escama em forma de folha.

Existem crenças no folclore dos países nórdicos acerca das tílias. Alguns povos dizem que é sob a sua copa que aparecem as fadas nas noites quentes de verão. O mesmo se diz sobre o sabugueiro em Portugal. Ao que consta, seriam as duas grandes favoritas destes seres etéreos do imaginário ou não. Diz-se ainda na Irlanda que aquele que adormecer debaixo de uma tília será transportado para a terra das fadas, a famosa fairyland.

Na realidade, a copa de uma tília adulta pode ter um perímetro de cerca de 50 metros. Podem atingir cerca de 30 metros de altura e o diâmetro do seu tronco pode chegar a atingir 1,30 metros. Os frutos são arredondados de cerca de oito milímetros, com casca cinzenta, finamente estalada. Galhos finos com botões com duas escamas.

As espécies que existem

A tília é nativa da Europa, sendo no entanto cultivada em todo o mundo. Existem algumas espécies do género tília como por exemplo a Tilia x vulgaris, a Tilia cordata, Tilia plathyphylos e a Tilia x europaea que é um híbrido entre T.cordata e T.platyphylos. Em Portugal, cultiva-se a T. X vulgaris e a T. Tomentosa, de nome cumum tília tomentosa. A tília pertence à família das tiliáceas.

O seu nome inglês é lime tree ou linden tree, em francês tilleul e em castelhano tilo. As propriedades e as partes utilizadas são as mesmas em todas as espécies. Para fins medicinais, utilizam-se as inflorescências inteiras e por vezes mas raramente também se utiliza a casca privada da cortiça (alburno).

Composição

As flores da tília são ricas em mucilagem e óleos essenciais como o geraniol, o eugenol e o farnesol, que confere o tão característico aroma às suas flores. Contém ainda flavonóides e glicósidos, saponinos, taninos e sais de manganês. A casca da planta contém mucilagem, polifenois, taninos, heterósidos e triterpenos.

Propriedades

Uma infusão bem quente de chá de tília constitui um excelente sudorífico, uma vez que estimula a sudação. O seu consumo é muito recomendado em estados febris, gripes e catarros, especialmente em crianças devido à sua ação levemente calmante e ao seu sabor agradável e adocicado. É um bom calmante do sistema nervoso e muito utilizado em crianças hiperativas.

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Tradicionalmente em França, o chá das cinco para as crianças era de tília tomado à sombra da própria árvore, para que assim o efeito fosse ainda mais eficaz. A tília é ainda útil no alívio de dores de cabeça e insónias. Devido à ação dos bioflavonóides, é eficaz como hipotensor. Combate a arteriosclerose, a tosse, a bronquite, digestões difíceis e cólicas gastrointestinais.

Esta planta funciona ainda como sedativo, ansiolítico e anti-espasmódico. Uma decoração feita a partir da casca depois de extraída a parte exterior pode ser utilizada em casos de problemas de fígado e visícula e também no combate à celulite.

Efeitos secundários

Deve-se fazer um repouso de dois ou três dias cada vinte dias, pois o uso contínuo sem interrupções pode causar taquicárdias e diminuição da tonicidade do músculo cardíaco. A casca pode ainda causar obstrução das vias biliares. Pessoas que sofram de alergia ao polén devem evitar a proximidade das tílias na época da floração.

Doses recomendadas

É aconselhada uma dose média diária de duas a quatro gramas em infusão. Nesse caso, deve-se verter água depois de fervida ou quase por cima das inflorescências, cobrir para que não se evaporem os princípios ativos e esperar cerca de 10 minutos antes de beber. É ainda recomendada uma quantidade entre uma a duas colheres (de sobremesa) da planta por chávena e entre duas a cinco chávenas por dia. A utilização do chá de tília para combater gripes, tosse e bronquites foi aprovada pela Comissão Europeia.

Texto: Fernanda Botelho