A fome fisiológica surge quando o organismo tem de suprir as necessidades energéticas e nutricionais, essenciais ao seu bom funcionamento, através da alimentação. Já a fome emocional é independente das necessidades energéticas e nutricionais do indivíduo, expressando-se pela vontade de comer em função do estado emocional.

A fome física surge de forma gradual e dá-lhe sinais de forma constante e com aumento progressivo de intensidade, como por exemplo as sensações que o seu estômago lhe transmite: se sente algum desconforto, o estômago “vazio” ou até mesmo a “fazer barulhos”. Com o passar do tempo, se não se alimentar, pode mesmo sentir alguma fraqueza física ou até dor de cabeça. A fome física incentiva-o a alimentar-se assim que possível, mas não o obriga a comer de imediato.

Contrariamente, a fome emocional surge subitamente, isto é, num momento não está a pensar em alimentos, no minuto seguinte está com uma fome voraz. Neste caso, baseia-se naquilo que o seu cérebro está a pensar, sendo um desejo emocional e não uma necessidade. A boca e a mente iniciam repentinamente pensamentos sobre o alimento desejado. Torna-se, desta forma, urgente alimentar-se da refeição desejada e imaginada para atenuar a carência emocional.

Fome emocional associada a emoções negativas

Visto que a fome física surge por uma necessidade fisiológica, por exemplo por estar há mais de 4 horas sem comer, não tem necessidade por um alimento específico, sendo flexível dentro das suas preferências alimentares. Já a fome emocional, que surge normalmente associada a uma emoção negativa, como tristeza, raiva, frustração ou ansiedade, é para um alimento específico, normalmente um alimento rico em açúcares ou gordura, que não é possível ser substituído.

A fome fisiológica transmite-lhe a sensação de que se está a alimentar por necessidade, sem sentir culpa ou vergonha, considerando a alimentação como um bem necessário à vida. No entanto, com a fome emocional sente-se culpado por comer, surgindo um paradoxo entre a necessidade que tem de ingerir esse alimento para se sentir melhor e os sentimentos negativos que surgem após a ingestão do mesmo.

Normalmente, quando nos sentimos saciados, isto é, quando a intenção de nutrir o organismo foi cumprida, sentimos que podemos parar de nos alimentar. Contudo, no caso da fome emocional, não sente a saciedade, envolvendo a ingestão de alimentos de forma inconsciente e automática.
Para garantir uma alimentação saudável, isto é, completa, variada e equilibrada, é fundamental saber identificar cada um dos tipos de fome. Alimentar-se é essencial quanto sente fome fisiológica. A fome emocional deverá ser colmatada através de outras ferramentas, que não a alimentação

Para poder distinguir entre fome física e fome emocional faça a si mesmo algumas questões: Há quanto realizei a última refeição? Já está na hora de sentir fome novamente? Sinto fome de um alimento específico? Se ingerir este alimento fico saciada? Sinto fome ou apenas sede? O meu estômago está “vazio” e a “fazer barulhos”? Alguma carência emocional poderá estar a desencadear esta fome?

Um artigo de Ana Rita Lopes, Nutricionista e responsável pela Unidade de Nutrição Clínica do Hospital Lusíadas Lisboa.

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