Quem já viu graficamente o ciclo menstrual percebe quão cíclica uma mulher é, ou pode ser. Enquanto o homem tem um ritmo diário de elevação e diminuição da testosterona, a mulher segue um ritmo de várias semanas que levam a que todos os dias haja níveis diferentes de hormonas diferentes. Menstruar, ovular, ser cíclica, é sinónimo de ser saudável.

Deparo-me com mulheres que toda a vida tentaram impedir a ovulação, não tendo noção de que efetivamente a ovulação é importante para a nossa saúde geral. O medo de engravidar está de tal forma entranhado na forma como nos ensinam o ciclo menstrual, que nem passa pela cabeça de muitas de nós, tentar perceber se ovulamos ou não, através da avaliaçao do nosso próprio corpo (sim é possível). Esta temática daria pano para muitas mangas. Mas para passar a palavra de quão importante é ovular, permitam-me referir os beneficios da ovulação (para além do óbvio de poder engravidar):

- melhoria do humor, melhoria do sono, diminui estados de ansiedade,tem acção anti-inflamatória, ajuda na formação de células ósseas, ajuda na líbido, diminui o risco de cancro por contrariar o efeito dos estrogénios.
Recordo que métodos químicos de contracepção têm como função inibir a ovulação.

Outro ponto de que se fala cada vez mais (e bem), é o facto de o ciclo menstrual e principalmente a fase pré-menstrual e menstrual não ter de ser incapacitante. Quando o é, é sinal de que algo não está bem.

O ciclo menstrual é dos primeiros “mecanismos” a dar sinais que muitas mulheres são peritas a ignorar, por acharem ser “normal”, por acharem que está na sua lista de obrigações “aguentar” uma série de coisas: períodos menstruais muito intensos e dolorosos, ausência de período menstrual, ciclos menstruais irregulares, dores de cabeça, falta de líbido, inchaço abdominal, alterações de humor,...

Se estes sintomas são intensos e nos incapacitam, não são normais. A nutrição pode ter aqui um papel muito importante, ajudando a equilibrar as hormonas que possivelmente estão desequilibradas e nutrindo o corpo. Um corpo não nutrido, não ovula, um corpo não nutrido espelha isso no ciclo menstrual. Um corpo não nutrido, pede ajuda, mas fala a sua própria lingua.

O que é normal ou natural, é sentirmo-nos diferentes ao longo do ciclo. A capacidade de trabalho, de imaginação, de concentração, vai variando. Seríamos muito mais produtivas se aceitassemos determinadas tarefas/desafios em determinadas alturas do mês. A dança entre estrogénio e progesterona, o pico de testosterona ... são exemplos de movimentos hormonais que têm efeitos fisiológicos.

E não sendo igual para todas as mulheres, talvez a leitora se identifique com alguns destes pontos:

Menstruação: alimentos fáceis de digerir, refeições leves. Chá de gengibre pode ser uma óptima bebida para esta altura. Reforçar as perdas através de alimentos com ferro (carne para quem comer ou a combinação de alimentos como espinafres e morangos; tofu e brócolos, feijões e água com limão, couve de bruxelas e sementes de abóbora. Periodo onde poderá beneficiar de algum descanso extra.

Fase folicular (depois da menstruação): capacidade de fazer exercício começa a aumentar com o aumento dos estrogénios. Beneficio em apostar em gorduras de qualidade como as existentes no abacate, azeite, frutos oleaginosos. Abraçar projectos novos ou até planear pode ser para algumas de nós, mais fácil nesta altura.

Ovulação: capacidade de exercício no máximo (pico de estrogénio e testosterona), vontade de fazer muita coisa acontecer. Há mulheres que simplesmente sentem quando ovulam, há outras às quais a ovulação passa despercebida, está tudo bem de qualquer forma.

Fase lútea (entre a ovulação e a menstruação): capacidade de exercício pode ser menor (estrogénios descem), importante ingerir proteina e fibras suficientes. Assumir o aumento de apetite (que é fisiológico pelas alterações que se dão) e compensar isso, fazendo mais uma pequena refeição ou aumentando uma refeição já existente, é uma boa estratégia para evitar a “fome de doces” típica desta altura. Mastigar devagar, assume uma importância extra.

E com isto, não estou a dizer que somos menos por sermos diferentes ao longo do mês. Nem que somos menos capazes em determinados dias. Estou a sugerir que se retire a pressão de ser sempre igual por fora, quando por dentro há tanto a acontecer a cada dia. Se comermos igual o mês todo e se isso for uma alimentação saudável, vamos estar a nutrir-nos de qualquer forma. Mas se formos intuitivas ao ponto de seguir pequenas pistas que o nosso próprio corpo nos dá, sabemos que há pequena nuances que podem fazer muita diferença.

Um artigo da nutricionista Helena Santos, especialista em nutrição clínica.

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