Quando aquecer o almoço no micro-ondas ou guardar no frigorífico o que sobrou do jantar, tenha em atenção o tipo de embalagem que está a utilizar.

«Todos os materiais, em certas condições, podem libertar pequenas quantidades de substâncias que passam para os alimentos durante o período de tempo de contacto», explica Fátima Poças, engenheira química da Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa.

Na maioria dos casos, estas substâncias têm baixa toxicidade e passam para os alimentos em concentrações muito reduzidas. «Contudo, são consumidas de forma mais ou menos continuada ao longo da vida. Por isso são uma fonte de contaminação que é controlada para garantir a segurança do consumidor», refere.

Plásticos

Nestes estão «presentes moléculas de baixo peso molecular que podem passar para os alimentos como monómeros, solventes e aditivos». Esta migração é mais intensa quando as embalagens são usadas por períodos muito longos, a elevadas temperaturas ou para produtos para os quais não estão adaptadas, pelo que deve seguir sempre as instruções de utilização.

Saiba ainda que, segundo Fátima Poças, não existe perigo em guardar garrafas de água de plástico no frigorífico. «A possibilidade de migração de substâncias aumenta consoante o tempo de utilização da embalagem, mas quanto mais baixa for a temperatura, mais baixa é essa migração» refere.

Metal

As latas são fabricadas com folha de flandres ou com liga de alumínio. Os metais que podem migrar para os alimentos (sobretudo para produtos ácidos) são o ferro, estanho ou alumínio.

De uma forma geral, as conservas e as latas são revestidas por camadas de verniz que protegem da migração do metal, mas cujos compostos podem migrar para os alimentos.

No entanto, estes materiais são testados pelos laboratórios para que a sua utilização seja segura.

Como a entrada de oxigénio altera a qualidade do alimento, caso o produto não seja consumido todo na altura da sua abertura, deve guardar o restante numa outra embalagem bem fechada.

Papel e cartão

Se é adepta das refeições prontas a comer nunca coloque embalagens impressas no microondas. Com o calor, os componentes das tintas podem migrar para os alimentos. Remova a embalagem exterior impressa e aqueça as refeições nas embalagens interiores ou mude para uma taça de cerâmica ou vidro.

Vidro, cerâmica e cristal

«O vidro de embalagem para alimentos é composto por sílica, óxidos de sódio e cálcio. Estes compostos não colocam em perigo a segurança alimentar pois são um componente natural de muitos alimentos». No caso das cerâmicas, «as principais substâncias controladas são o chumbo e o cádmio, que podem estar presentes como contaminante a partir de tintas e substâncias para vidrado da superfície das peças». Não utilize garrafas de cristal para armazenar bebidas.
Utilize-as como peças decorativas ou para ocasiões especiais, como uma festa, em que o tempo de contacto entre a bebida e o cristal é curto.

Conselhos a pôr em prática

1. Não use películas aderentes no microondas.

2. Use apenas utensílios de madeira isentos de fendas, farpas ou sinais de deterioração.

3. Respeite as temperaturas máximas de utilização das embalagens plásticas.

4. Ao reutilizar garrafas lave-as e use apenas para o mesmo tipo de produto.

5. Não aproveite as embalagens alimentares para produtos de limpeza, combustíveis e outros produtos perigosos.

6. Em caso de dúvida, contacte o Departamento de Embalagem da Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica através do e-mail cinate@esb.ucp.pt.

Texto: Sónia Ramalho com Fátima Poças (engenheira química)

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