Este tratamento consiste no implante de um dispositivo sob a pele do doente que distribui impulsos elétricos através de um elétrodo colocado no espaço epidural ou noutra zona da coluna, de forma a bloquear os estímulos enviados para o cérebro.

"A dor crónica é uma condição muito prevalente na população, com um impacto muito negativo na vida dos doentes uma vez que afeta todos os aspetos da sua vida – relações interpessoais, produtividade no trabalho e tarefas do quotidiano. Apesar disso, continua a ser uma condição subvalorizada, subreconhecida e subtratada", alerta Carla Reizinho, neurocirurgiã do Grupo de Neuromodulação para o Tratamento da Dor Crónica do Hospital Egas Moniz.

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"O tratamento destes doentes é desafiante e implica necessariamente uma abordagem multidisciplinar, implicando especialistas no tratamento de dor/anestesistas, psiquiatras, psicólogos e uma equipa de enfermagem especializada. Em casos selecionados e refratários a outros tratamentos, pode haver lugar a tratamentos de neuromodulação como a estimulação medular ou estimulação de nervo periférico, desenvolvidos em articulação com os Neurocirurgiões", acrescenta a médica.

O que muda com este novo implante?

"Este sistema em particular, além de proporcionar aos doentes os benefícios da estimulação medular, fomenta a melhoria na comunicação médico-doente através da monitorização das atividades diárias, postura corporal e tratamentos administrados, permitindo ter uma visão mais objetiva da mobilidade e do progresso do doente, por forma a garantir um tratamento mais personalizado e adaptado às necessidades específicas do mesmo”, conclui a especialista.

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Este novo tratamento vem dar resposta à necessidade de uma maior bateria do dispositivo, que permitirá melhorar significativamente a qualidade de vida dos destes doentes. A partir de agora é possível carregar o dispositivo totalmente em apenas uma hora e está programado para se adaptar às necessidades de cada doente.

Estudos publicados demonstram que, quando utilizada em alguns doentes com dor crónica previamente identificados, a EME pode proporcionar um alívio da dor a longo prazo, melhorar significativamente a qualidade de vida e reduzir a incapacidade relacionada com a dor e a necessidade de recurso à medicação.

De forma semelhante, a estimulação do nervo periférico (ENP) pode provocar o alívio da dor associada à lombalgia, reduzir a incapacidade relacionada com a dor e consequentemente reduzir a necessidade da toma de medicamentos. A neuroestimulação constitui uma alternativa ao tratamento da dor face ao problema de saúde pública associado ao uso excessivo de opioides.

Outras das inovações deste dispositivo é o facto de permitir a realização de ressonâncias magnéticas, uma vez que grande parte dos doentes precisa de realizar este exame de diagnóstico cinco anos após o implante. O sistema conta ainda com uma tecnologia que se ajusta automaticamente para fornecer a estimulação adequada na localização exata, à medida que a zona onde o doente sente dor se vai alterando, face à posição corporal.

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