A música de Mozart e Carlos Gardel “invadiu” hoje vários serviços do Hospital Amadora-Sintra através de um quarteto de cordas que percorreu corredores e partilhou com os doentes o arrebatamento desta linguagem universal.

“Não estava nada à espera, mas foi muito bonito e conseguiu distrair-me um bocadinho”, disse à Lusa Maria Antónia Vasconcelos, utente do serviço de neurologia deste hospital, segundos depois de assistir a um breve concerto.

A sexagenária foi uma das centenas de utentes que hoje foram brindados com a música de dois violinos, uma viola de arco e um violoncelo que percorreram vários serviços do Hospital Amadora-Sintra, provocando a curiosidade dos doentes, internados ou não, que ali se encontravam.

Os aplausos - raros numa instituição de saúde - fizeram-se ouvir desde as 08:00 e, por volta da hora do almoço, finalizaram o que foi um dia muito especial para doentes, médicos e músicos.

Jean Aroutiounian, um dos elementos do quarteto Musicart, que deu o seu primeiro recital com sete anos e, um ano depois, ganhou o primeiro prémio no concurso Jovens Talentos da Arménia, o dia de hoje vai ficar na memória.

Com a sua viola de arco, Jean deixou hoje o Hospital Amadora-Sintra com “vontade de voltar”.

Habituado a tocar em “várias orquestras”, Jean Aroutiounian garante que este é um público “muito especial” e considera que o objetivo de proporcionar “um momento muito mais feliz a quem está a passar as dificuldades da doença” foi totalmente conseguido.

Marcos Lázaro, segundo violino e professor no Instituto Gregoriano, em Lisboa, disse à Lusa que hoje interpretou Mozart de duas formas: com as cordas e no pensamento do compositor, que disse um dia que “a música pretende elevar o espírito”.

“É isso que pretendemos proporcionar aos doentes e também aos médicos e enfermeiros: um bocadinho de cor e vida ao hospital”, afirmou.

Para o primeiro violino Liviu Scripcaru, um romeno que é concertino da Ópera de Câmara Norueguesa e membro da Orquestra Metropolitana de Lisboa, esta é uma iniciativa “fantástica” e também uma demonstração de que “a música pode melhorar a saúde das pessoas”.

O músico sublinhou as diferenças entre um concerto num palco e o dado hoje no hospital. “No palco há uma certa distância do público. Aqui estamos no meio dele”, disse.

Nelson Ferreira, professor de violoncelo, também realça a especificidade do público e classificou de “gratificante” o espetáculo que deu.

“Os doentes estão numa fase debilitada e nós, como músicos, temos a oportunidade de vir aqui e tocar para eles, o que é muito gratificante”, disse.

O quarteto escolheu dois tipos de música para o repertório: um divertimento de Mozart e um tango de Carlos Gardel.

Para o psiquiatra João Graça, que é também músico de profissão, a iniciativa prima por não se limitar a um concerto formal, mas sim ser uma oportunidade de derrubar as barreiras entre a medicina, a arte - neste caso a música - e os doentes.

Sobre os efeitos destes vários mini-concertos, o psiquiatra destaca o relaxamento conseguido com Mozart, seguido de um arrebatamento, tão característico do tango de Carlos Gardel.

Carlos Magno, diretor financeiro deste hospital, e um dos mentores da iniciativa, era um homem feliz no final do concerto.

“Isto acaba por ser um bocadinho terapêutico”, disse.

16 de novembro de 2011

@Lusa

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