O AVC ocorre por lesão de um vaso sanguíneo da circulação do sistema nervoso central mais frequentemente no cérebro mas também noutras estruturas como o cerebelo, o tronco cerebral ou, raramente, na medula espinhal. O tempo no diagnóstico e tratamento é a chave para a redução das sequelas provocadas pela doença.

Quais os fatores de risco do AVC?

Hipertensão, diabetes, colesterol (LDL) alto, arritmia, tabagismo, obesidade, álcool são fatores recorrentes do AVC.

No jovem, o AVC está mais associado a alterações vasculares hereditárias ou adquiridas, a cardioembolismo, a estados de hipercoagulabilidade, tabagismo, consumo de álcool, uso de drogas ilícitas, doenças metabólicas, aterosclerose prematura e, possivelmente, enxaqueca.

O uso de cocaína e metanfetaminas pode ser causa de AVC por hipertensão, vasoespasmo ou vasculite.

Outras substâncias – como a heroína, outros opiáceos, marijuana, canabinoides sintéticos – podem estar associadas a AVC.

O uso de anticoncetivos orais está também associado a AVC.

As explicações são da médica Maria Teresa Cardoso, especialista em Medicina Interna no Hospital de S. João.

"A Via Verde do AVC, ativada através de chamada para o 112, está organizada em Portugal para encaminhar os doentes rapidamente para os hospitais capazes de fornecer os tratamentos adequados. Mas para que o tratamento tenha sucesso, o tempo é fundamental", acrescenta o médico José Castro Lopes, presidente da Sociedade Portuguesa do AVC.

O presidente da SPAVC explica que "existe uma janela terapêutica para o tratamento do AVC, ou seja, um momento ótimo para intervir no sentido de minimizar os danos no sistema nervoso central".

"Esta janela terapêutica, na maioria das vezes, tem uma duração de poucas horas, o que determina a necessidade de rapidez no atendimento às pessoas com um AVC agudo", refere. Falhar o atendimento do doente nesse espaço temporal pode provocar a morte ou um grau de incapacidade alto.

6,5 milhões de vidas são perdidas

Todos os anos, mais de 6,5 milhões de vidas são perdidas em todo o mundo e 1 em cada 6 pessoas vai ter um AVC. Em Portugal, três pessoas por hora sofrem um AVC, um dos quais acaba por morrer e pelo menos metade ficará com sequelas incapacitantes.

O AVC pode acontecer a qualquer pessoa, em qualquer idade, em qualquer momento e envolve todos: sobreviventes, familiares, amigos, profissionais de saúde, locais de trabalho e comunidade em geral. Responder rapidamente aos sinais de alerta pode fazer a diferença entre a recuperação e a incapacidade.

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Como identificar um AVC?

Basta o aparecimento de um dos chamados “3Fs”: Dificuldade em falar; Desvio da face (Boca ao lado); Falta de força num braço, para suspeitar de um AVC e ligar de imediato para o 112. Através da Via Verde AVC, os doentes poderão chegar rapidamente aos hospitais capazes de fornecer os tratamentos adequados.

A mulher tem maior risco ao longo da vida, sobretudo porque mais mulheres têm doença vascular cerebral devido à sua maior longevidade. A mulher por outro lado também tem mais arritmias, sobretudo a fribrilhação auricular. Por outro lado, a mulher tende a sofrer de mais hipertensão do que os homens após a menopausa e têm um risco superior de AVC por diabetes.

Mas a doença não é exclusiva a certos grupos etários. Os jovens e as crianças também podem sofrer um AVC.

A doença afeta cerca de 30 mil pessoas por ano em Portugal, sobretudo a população com menos de 65 anos.

A Sociedade Portuguesa do Acidente Vascular Cerebral (SPAVC) junta-se à World Stroke Organization (WSO) e recordam alguns dos passos que podem contribuir mais decisivamente para a prevenção do AVC.

Tome nota:

- Medir regularmente e controlar a pressão arterial (PA), reduzindo a quantidade de sal adicionada aos alimentos; 30% dos AVC podem ser prevenidos baixando a PA.

- Divulgar a necessidade de deixar de fumar; parar o uso do tabaco pode reduzir o AVC em 35%.

- Controlar a diabetes e o colesterol; os valores de colesterol e glicose devem estar dentro do normal.

- Praticar atividade física regular, combatendo o sedentarismo; 30 minutos de exercício diário pode diminuir o risco de AVC em 20%.

- Controlar o peso, pois a obesidade aumenta o risco vascular; é aconselhável aumentar o consumo de vegetais, mantendo uma dieta equilibrada.

- Detetar precocemente a fibrilhação auricular (FA), verificando periodicamente se as pulsações cardíacas são rítmicas, através da palpação do seu pulso; a FA aumenta o risco de AVC e necessita de medicação corretiva.

- Limitar o consumo de bebidas alcoólicas; o álcool eleva a pressão sanguínea e aumenta o risco de AVC. Sublinhando, por fim, “que prevenir para evitar é melhor que tratar”, o presidente da Direção da SPAVC deixou um repto à população, “a prevenção está nas vossas mãos. Sejam pró-ativos!”.

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