O segundo dia do 47º Portugal Fashion arrancou com Susana Bettencourt, num formato inovador de Editorial no Portugal Fashion, que durou o dia inteiro, iniciando-se no Neya Porto Hotel mas, desta feita, na antiga igreja do convento. Este renovado espaço acolheu a apresentação da criadora, que decorreu ao longo do dia com transmissão vídeo. A ideia foi apresentar a coleção simulando um editorial de moda, com os manequins em pose a serem continuamente fotografados. Este inovador formato permite mostrar ao público a dinâmica dos bastidores, que por norma não tem visibilidade pública, e, ao mesmo tempo, dá à designer todo o material promocional para lançar comercialmente a coleção.

A esta ideia criativa seguiu-se Inês Torcato, uma antiga bloomer que tem vindo a ganhar reconhecimento no circuito da moda, sendo apontada como uma das designers mais talentosas da sua geração. Está-lhe nos genes, talvez, pois é filha de Júlio Torcato. Ou então esteve muito atenta às aulas de Maria Gambina, que foi sua professora na ESAD Matosinhos.

Foi precisamente Maria Gambina quem sucedeu a Inês Torcato na passerelle principal do 47.º Portugal Fashion, provando que o evento cruza, de facto, várias gerações de criadores. Para a estação quente de 2021, Maria Gambina propõe “uma coleção feminina em silhueta space age, num ambiente afro-americano da década de 60”. Abundam os “detalhes que nos remetem para a infância, como bordados em favos de mel, franzidos por elásticos, rendas e folhos jabô em camadas”. Estes elementos “polvilham as peças numa atitude delicada em contraste com o grafismo sport da coleção”. Os materiais são sustentáveis e contemporâneos, sendo de realçar a aplicação, nas malhas, de acabamentos técnicos em membranas de proteção antibacteriana, que se apresentam em finas peliculas transparentes ou em amarelo fluorescente. O branco predomina na coleção, mas com apontamentos de azul royal e amarelo fluorescente.

O calendário prosseguiu com a criadora Pé de Chumbo que, na sua nova coleção, aposta no reaproveitamento de peças, dando-lhe novas formas e texturas com um propósito estético mas também de sustentabilidade.

A seguir teve lugar a primeira de duas apresentações de marcas de calçado e acessórios, neste caso com as coleções da Belcinto, da MLV Portuguese Shoes e da Fly London.

O segundo dia de Portugal Fashion terminou com apresentação vídeo de Miguel Vieira, um dos mais credenciados e internacionais designers de moda portugueses. Na Sala dos Despachantes a performance com manequins acompanhou o lançamento de três cocktails em parceria com o Vogue Café Porto, com cores e aromas inspirados na coleção do criador. Foi também exibido um vídeo com a participação de Miguel Vieira na Semana da Moda de Milão, em setembro último, com o apoio do Portugal Fashion. Miguel Vieira apresentou assim a coleção “Introspeção”, que, segundo o criador, “busca inspiração em homens focados no que acreditam verdadeiramente e são livres para vestir aquilo que reflete e, simultaneamente, molda a sua personalidade. Homens que, quando consomem moda, preferem consistência e qualidade”. A paleta cromática integra o bege, o castanho biscoito, o rosa orquídea e o azul Capri, enquanto nos materiais avultam os tecidos estampados, as sedas, as lãs frias (100% e super 110), o algodão mercerizado e os tecidos metalizados. Sobressaem, nos detalhes, os estampados desenvolvidos em atelier e o forro personalizado. Há um contraste entre silhueta esguia e geométrica e silhueta clássica, enquanto as linhas são puras e estilizadas e a alfaiataria estruturada.

O segundo dia do evento foi ainda a vez de Maria Meira, Unflower e Rita Sá, da plataforma Bloom, tomarem a passerelle com os seus coordenados.

Maria Meira, traz uma coleção inspirada no estilo das suas avós que acaba por refletir as memórias afetivas da designer. Peças clássicas dos anos 30, padrões florais, bolinhas e ombreiras fundem-se e trazem aos dias de hoje o estilo das avós Amélia e Cacilda de Maria Meira. Já Unflower brand, traz a coleção “She & I” - um reflexo da situação mundial atual, onde a distância e o afastamento trazem inevitavelmente a vontade de estar próximo. Destacam-se a leveza, suavidade, delicadeza e o conforto das peças, silhuetas oversized, diferentes camadas, franzidos e volumetrias.

Inspirada no filme “Palmeiras na Neve”, a coleção de Rita Sá explora peças e silhuetas que resultam da contínua transformação imposta por um novo território tropical, África. Gradualmente, os materiais tornam-se mais leves, a paleta caminha do frio azul para o branco. As peças clássicas deixam de fazer sentido e dão lugar a soluções mais práticas, inspiradas no vestuário dos escravos nativos. Linhas retas, bolsos e uma fusão entre o clássico e o descontraído resultam numa coleção leve e coesa. Nas cores destacam-se o azul e o branco.

Neste sábado segue-se o último dia repleto de desfiles, que começam a partir das 11H00 e que se prolongam até às 20H. Para que não perca nada sobre esta edição, acompanhe tudo aqui.

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