Manuel, 39 anos

Os resultados escolares do Manuel nunca desiludiram os pais. Entrou para a universidade e, aos 27 anos, obteve a licenciatura. Os seus tempos livres eram passados em casa, com a família. Apaixonado por cinema, passava a pente fino todos os guias de TV para não perder uma emissão, que gravava e listava numa base de dados com milhares de registos.

O número e diversidade de empregos que teve também mereciam uma base de dados. Apesar de ser um profissional assíduo e empenhado, os desentendimentos com colegas e comportamentos desadequados faziam com que cada experiência de trabalho terminasse ao fim de pouco tempo.

Foi aos 35 anos que o Manuel e família encontraram uma explicação para estas dificuldades ao ser-lhe diagnosticada Síndrome de Asperger. Com o apoio da equipa do CADIn, um centro de apoio a crianças portadoras de problemas de sociabilidade, iniciou a colaboração com uma empresa que compreendeu e aceitou a sua diferença.

Nas visitas periódicas da psicóloga do CADIn foram feitos os ajustes necessários para que o colaborador Manuel fosse considerado uma mais-valia para a equipa. É atento aos detalhes que os outros ignoram e não se importa de realizar as mesmas tarefas todos os dias. Pelo contrário, é isto que o faz feliz há 10 anos.

Maria, 25 anos

A vida da Maria mudou depois de um entrevista de emprego. Já tinha percebido que era “esquisita”, que coisas que para os outros eram fáceis, para ela eram um quebra-cabeças: atar os sapatos, andar sem tropeçar, entender piadas, fazer amigos.

Foi a diretora da escola onde estagiava quem primeiro percebeu que os comportamentos diferentes da Maria podiam ter uma explicação e a encaminhou para uma avaliação no CADIn. Quando soube que tinha Síndrome de Asperger, pensou: “boa, afinal não sou esquisita!”.

Todos os dias a Maria enfrenta dificuldades para lidar com coisas que são banais para a maioria das pessoas. Conta com o apoio da diretora da escola, que agora sente como mãe, e do CADIn. A sua maior conquista é acreditar em si mesma: “Chego a todo lado como os outros, mas mais lentamente”. No futuro, quer ser educadora de infância e continuar a trabalhar com crianças que, diz, a entendem melhor que ninguém.