Eu sou da zona Centro, e por muito que pausadamente diga as palavras, acaba sempre por soar jaula, e fico com uma imagem figurada na minha cabeça, de alguém a debater-se para sair ou a tentar fugir de algum sítio. A tendência está a mudar felizmente, para que as escolas sejam locais que emanem maior calma, tranquilidade e conforto. Seria too much imaginar uma praia, mas talvez uma imagem simbiótica entre professores e alunos, num ambiente de interajuda e muita calma, atrevo-me até a dizer em tons de pastel a puxar ao zen. Vamos lutar por isso.

Ponto número um: apanhar os destroços das férias e organizar a casa. Sim, as férias acabaram, get over it! Ficas com um certo entusiasmo para recomeçar, quando o trabalho é motivador ou tens boas companhias, mas ainda com a nostalgia das férias e falta de horários. Com filhos e estando a trabalhar, é um alívio quando chega setembro e se volta à rotina, pois pode ser um autêntico pesadelo quando não temos sempre com quem os deixar, ou quando a procura de um campo de férias se torna um autêntico campo de batalha ou uma Black Friday americana de vestidos de noiva.

Ponto número dois: “Põe quanto és no mínimo que fazes, e é bem certo”. Seja qual for a profissão e o objeto do nosso trabalho: números, coisas ou pessoas - faz o melhor que consegues, com o teu próprio selo de qualidade, acredita que podes sempre fazer melhor, tem paciência. Eu escrevo para ti e vou-me reeducando também. Há sempre coisas novas para aprender, formas diferentes de fazer as coisas, novos campos a explorar, portas a fechar, janelas a abrir, novas pontes a construir, novos ouvidos para escutar, novas palavras para serem ditas.

Ponto número três: o que nos trouxe aqui hoje - o regresso às (j)aulas. Tu, querido professor, que tens as tuas angústias, medos e dilemas pessoais, e quando se torna tão penosa a realidade circunstante e por vezes tão inflexivelmente alterável, tem paciência, acredita, são fases, a tua vocação está lá, só precisa de como um velho casal cúmplice, de reacender a chama. Os professores são talvez a seguir aos pais, os maiores modelos e incitadores de mudanças na vida das crianças. Felizmente conheço tantos preocupados, que cuidam dos seus alunos como quem cuida de um filho. Como me apraz e sossega sentir que o nosso futuro está a cargo de boas e confiáveis mãos. Sim, também poderão haver casos pontuais negativos, ou de foro da desmotivação ou descrédito no sistema, mas acredito genuinamente que toda a gente tem algo de bom para oferecer, e devemos enaltecer os bons, para que se contagie o que é positivo.

Ponto número quatro: a genuinidade e o conforto, sempre. A vida é para ser vivida para nós próprios e não para os outros, senão ficamos frustrados e com tendências passivo-agressivas de revolta, que não sabemos de onde vêm, como quando um Shrek menos fofinho se apodera de nós... e nos leva a dizer coisas que não queríamos e a ser impulsivos.

Não pintas os “brancos”? (cabelos) - pergunta a minha mãe sempre muito atenta a cada pormenor meu estético ou de disposição minha (coisas de mãe) Não… não me apetece... será sinal de sabedoria ou simples défice de melanina, deixa o verão passar deixa-me estar assim a ser eu. Não é desleixo, a tinta natural até já está lá em casa… mas amanhã vejo, amanhã penso, um dia de cada vez, foco no presente. Há coisas mais importantes, e nos homens até fica tão bem, é sinal de charme, e já que tenho cara de garotita, deixa-me os brancos por algum tempo.

Ponto número cinco: vem aí o Boedromion, what? setembro no calendário ático ou grego, luni-solar, mês de celebrações em honra do Deus Apolo, símbolo da juventude e da luz – o que convida à renovação e à esperança. É um mês que tem haters, os nostálgicos das férias, mas também tem amantes… Pessoas ávidas de rotina, crianças com saudades dos amigos, pessoas mais sozinhas que anseiam reencontrar colegas de trabalho, ou quem simplesmente por algum motivo não pôde passar férias como queria.... Estou verdadeiramente entusiasmada com setembro e o início do ano letivo, tenho boas recordações, dos cadernos novos, das páginas em branco para escrever, de novos desafios, da aprendizagem e crescimento constantes. É como um início de um ano civil, renovam-se promessas, compromissos, tentativas de nos tornarmos sempre melhores e mais competentes.

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