O que vai pedir aos seus filhos neste ano letivo? Esta é a reflexão que Teresa Marta gostava de fazer consigo.

Sempre que na minha atividade como gestora faço uma entrevista de recrutamento defronto-me com a mesma interrogação interna. O que é que esta pessoa andou a fazer?

Ou, pior ainda, o que é que o nosso sistema de ensino e a nossa sociedade fizeram com esta pessoa. E isto
faz-me pensar imediatamente naquilo que estamos a pedir aos nossos filhos. Hoje, agora.

De facto, os candidatos passam a primeira parte da entrevista a descrever as glórias da sua formação académica, as médias conseguidas, os prémios ganhos, as vitórias profissionais (se já as tiverem). Falam das noites mal dormidas em prol dos estudos e da profissão, dos business rate planning, dos objetivos estratégicos, da atividade comercial, do sucesso do negócio. Falam de números e de médias e de sucesso, sucesso, sucesso.

Quando lhes peço um exemplo de uma atitude de ajuda a um colega, de uma situação em que tiveram de colocar em causa o valor do seu salário em função da sobrevivência da equipa ou de uma vez em que se tenham divertido tanto a trabalhar que riram até às lágrimas, os candidatos ficam atónitos e demoram algum tempo a reenquadrar-se no que vieram fazer.

Este exemplo leva-nos à nossa pergunta inicial. O que estamos a pedir aos nossos filhos? E, neste ponto, estamos talvez menos preocupados em pedir-lhes valores como autenticidade e humildade. Valores como o respeito pelo outro, a companhia sincera, a amizade, a alegria, o sentido de humor, a gargalhada!

Talvez não estejamos a conseguir ensinar-lhes a reagir de forma aberta, criativa e positiva aos acontecimentos inesperados e naturais que surgem ao longo da vida. Talvez não estejamos a conseguir motivá- los a expressar as suas opiniões e convicções sem complexos, sem medo de serem avaliados, de serem medidos, a acreditarem incondicionalmente em si próprios.

Talvez, pois, o mais importante seja que aprenda você mesmo a ser flexível com os objetivos que coloca aos seus filhos. A sentir cada acontecimento do percurso escolar, mesmo os maus, como uma oportunidade de melhorar, de perceber e entender que cada pessoa tem um percurso próprio, que os nossos filhos não são, nem nunca poderão ser, uma fotocópia de nós mesmos (nem dos nossos sucessos nem dos nossos insucessos).

Não importa tanto a grandeza dos projetos, o valor das classificações, o quadro dos três melhores da turma ou da escola.

Importa muito mais fomentar a confiança em si próprio, a vontade de continuar mesmo quando as coisas correm mal, de ter esperança no futuro, de aguentar firme mostrando que, aconteça o que acontecer, tudo tem solução.

E há que dar atenção também ao amor incondicional.

 

Não o que sentimos pelos nossos filhos, mas o que motivamos os nossos filhos a sentirem por si próprios. Ensinando-os e motivando-os não a lutar para serem os melhores, mas a lutar contra todos os que limitem a sua coragem, a sua criatividade, a sua capacidade de sorrir. Contra tudo e todos os que ataquem a sua autoestima. Por certo, desta forma, acabarão por ser os melhores! Em alguma coisa. Talvez naquilo que de facto os realiza e faz felizes como seres humanos.

Temos o dever de ajudar os nossos filhos a escolherem o seu próprio caminho, em vez de os condicionar ao caminho ideal que desejámos para nós. De nos preocuparmos menos em transformá-los em entidades produtivas. De nos preocuparmos mais em que sejam pessoas felizes e equilibradas.

Texto: Teresa Marta (consultora de bem-estar)

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